O melhor sprinter de 2019 que ainda não sabe onde vai correr em 2020

Os nossos leitores decidiram e elegeram Sam Bennett como o melhor sprinter de 2019. Num total de 300 votos (obrigado pela participação) o irlandês da Bora-Hansgrohe recebeu 76, apenas mais 5 que Caleb Ewan e mais 14 que Dylan Groenewegen, que completou o pódio. Um equilíbrio na votação que demonstra de facto que não existiu nenhum sprinter com um domínio avassalador em 2019. Hoje será feita a 2ª sondagem, de melhor ciclista do ano e graças a este 1º posto Sam Bennett entrará nessa sondagem.

É uma escolha que corroboramos e com a qual concordamos, apesar de percebermos perfeitamente porque é que tantas pessoas votaram em Ewan e Groenewegen, ambos candidatos fortes. Fazendo uma comparação entre os 3, Groenewegen foi o que mais vitórias obteve (15), contra 13 de Bennett e 10 de Ewan. Nos pódios há empate entre Bennett e Ewan, cada um com 26, enquanto Groenewegen regista 23.




O que nos leva a escolher Bennett também é a qualidade das vitórias, das 13 obtidas pelo irlandês 11 foram do World Tour (2 na Vuelta), enquanto Groenewegen só ganhou 4 das 15 corridas no World Tour. Caleb Ewan também registou 80% das suas vitórias no World Tour, 8 de 10, incluindo 5 em Grandes Voltas, foi o sprinter mais vitorioso em Grandes Voltas, 2 etapas no Giro e 3 no Tour. Se realmente olharmos somente para as Grandes Voltas Ewan foi o melhor sprinter do ano.

No entanto Bennett apresenta um registo ainda mais interessante para nós e é necessário olhar o contexto. O irlandês de 29 anos somou 13 vitórias num contexto altamente desfavorável, onde basicamente é a 3ª escolha da equipa, atrás de Sagan e Ackermann, enquanto Ewan e Groenewegen não têm concorrência interna para esta vaga. Bennett ganhou em TODAS as provas por etapas em que participou (Vuelta a San Juan, UAE Tour, Paris-Nice, Volta a Turquia, Criterium Dauphine, BinckBank Tour e Vuelta), a única excepção foi o Tour de Romandie onde mesmo assim faz 2º numa etapa em que a fuga resulta com Stefan Kung.




Não obstante estes brilhantes resultados ainda não se sabe em que equipa Sam Bennett vai correr em 2020, o irlandês há muito demonstrou o seu desagrado face ao calendário e face à perda de estatuto interno, a Bora-Hansgrohe deixou-o fora do Giro e do Tour e isso foi a gota de água, a aposta de futuro é Pascal Ackermann. Por altura dos Mundiais de Yorkshire o divórcio parecia consumado, Bennett disse que estava a fazer de tudo para sair da Bora-Hansgrohe e já em Julho havia rumores que existia um acordo entre ele e a Deceuninck-Quick Step.

Ao que parece o assunto está no Tribunal Arbitral da UCI, isto porque a Bora-Hansgrohe conta com Sam Bennett para 2020, a equipa alemã afirma que o irlandês acordou ficar com a equipa para além do corrente contrato (termina em 2019) e que esse acordo foi feito em Maio, sendo válido. Bennett discorda e diz que é um ciclista livre, que o acordo não o vincula para 2020. No outro lado da barricada está a Deceuninck-Quick Step, à espera de um desfecho deste caso, já que é a equipa que espera receber Sam Bennett em 2020.

Seria um movimento que faria sentido, a formação belga perdeu Elia Viviani para a Cofidis e tem a tradição de ter excelentes sprinters, o irlandês quer seguir para uma estrutura sólida e nem costuma precisar de grandes comboios. Há cerca de 1 semana o CyclingNews noticiou que houve uma proposta da Bora-Hansgrohe em trocar Sam Bennett por Alvaro Hodeg para resolver o assunto, proposta que Patrick Lefevere recusou. Isto indicia que o caso da equipa alemã não será assim tão forte quanto isso e esta troca foi uma tentativa de não ficar com as mãos a abanar, sem Bennett e sem substituto, apesar de ter Sagan e Ackermann.

Um facto é que estamos no final de Outubro e ainda não se sabe em que equipa vai correr Sam Bennett, eleito por vocês o melhor sprinter de 2019.



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