Antevisão da 7ª etapa do Tour 2022

Está na hora da primeira chegada em alto! A montanha chega ao Tour já com Tadej Pogacar de amarelo e logo numa subida com boas recordações para o esloveno.

 

Percurso

A montanha está aí e a La Super Planche de Belles Filles será o palco da primeira grande batalha entre os homens da classificação geral. Com duas contagens de montanha e uns quantos pequenos topos para aquecer os motores, tudo se vai decidir na subida final.



A La Super Planche des Belles Filles tem 7 kms a 8,5% e tem 2 fases, nos primeiros 5 kms é regular e ronda quase sempre os 9%, nos últimos 2 kms há alguns patamares e rampas de 20% e 24%, que devem fazer muitas diferenças. O final é em steratto.

 

Tácticas

Primeira etapa de montanha deste Tour e chegamos a este ponto da corrida com Pogacar já de amarelo e algumas diferenças na classificação geral, entre o contra-relógio inicial, a etapa de Roubaix e hoje o esloveno foi amealhando segundos e já dispõe de uma boa vantagem sobre toda a gente. Estas demonstrações de poder indicam que possivelmente ninguém vai querer ajudar a UAE Team Emirates amanhã na perseguição à fuga, que vai ter bastantes pretendentes, pois já há muitos corredores bem afastados.

É muito raro o grande candidato à conquista da classificação geral chegar já de amarelo à primeira etapa de montanha, o mais normal seria até sair dela com o símbolo de liderança, um pouco como aconteceu em 2021. Caso tenha possibilidades e capacidade para isso, Pogacar vai aproveitar as pernas que tem neste momento para tentar afastar ainda mais a concorrência, sendo que não estará desesperado pela vitória em etapa visto que a conquistou hoje. Talvez a Jumbo-Visma e a Ineos-Grenadiers estejam interessadas em ajudar na perseguição, mas correm o risco de passar vergonhas caso o esloveno arrume com os adversários na Planche des Belles Filles. A dureza ao longo do Tour é tanta que a UAE Team Emirates pode até não se importar de perder a liderança da corrida, por outro lado esta é talvez a etapa de alta montanha mais fácil de controlar de todo o Tour.

Geralmente este tipo de jornadas é ganha por um ciclista da geral, discutida entre os favoritos, só que este ano as diferenças já são tantas e Pogacar já está na liderança, pode ser a excepção. Principalmente porque noutros anos ainda é um bocadinho uma incógnita as condições físicas dos líderes, aqui os dados já estão muito lançados.

 

Favoritos

Bom, depois do que se viu nos últimos dias seríamos loucos se não incluíssemos Tadej Pogacar nesta categoria. O esloveno esteve entre os melhores sem arriscar na Dinamarca, voou sobre as estradas tortuosas do Norte de França e hoje esteve mais uma vez imparável, aquele sprint diz muito do poder que tem. Pode na Planche des Belles Filles cavar um fosso quase irrecuperável salvo algum percalço, se o fizer vai ser um golpe psicológico fortíssimo para os rivais e o esloveno sabe disso.



Como não estamos a ver ninguém dos candidatos à geral a bater Tadej Pogacar, elegemos um nome para a fuga e para, eventualmente, ficar com a camisola amarela. Dylan Teuns preenche muitos dos requisitos, esteve muito bem hoje, está a pouco mais de 3 minutos na geral, não é considerado um perigo na alta montanha pelos seus pares e a Bahrain-Victorious está à procura de soluções alternativas depois do abandono de Jack Haig. Teuns tem o bónus de que ganhou na última vez que o Tour teve uma chegada aqui, em 2019, também ele numa fuga.

 

Outsiders

A Jumbo-Visma tem sido uma das protagonistas deste Tour e Jonas Vingegaard ainda está minimamente na luta pela geral. O dinamarquês foi o único capaz de deixar Pogacar para trás em 2021 e há 2 dias não só se mostrou muito atento, como com boas pernas numa colina que nem é muito o seu estilo. Entrou nesta edição com outro estatuto e outra protecção, vai ter muito apoio na parte final.

A Israel-Premier Tech já tirou um grande peso de cima, mas está à procura de mais etapas e de mais pontos para o World Tour. Uma chegada deste género e uma etapa assim é do melhor que pode haver para Michael Woods, um ciclista incrível em subidas inclinadas, mas que não é muito bom a integrar fugas. Vai precisar da ajuda de um colega na escapada, será bastante útil para o canadiano chegar em condições de vencer à subida final.



A TotalEnergies mostrou-se muito bem e muito organizada hoje, o ataque de Vuillermoz foi impressionante, mas outro ciclista integrado no grupo principal foi Pierre Latour, que estava a tentar atrasar a perseguição. O irreverente francês sabe que as oportunidades escasseiam e já tem muita experiência neste tipo de jornadas, não é incrível em subidas longas, portanto de todas as chegadas em alto esta nem é muito má para ele.

 

Possíveis surpresas

Caso os candidatos à classificação geral venham a disputar o triunfo o nosso favoritismo vai para Pogacar numa primeira linha e para Vingegaard numa segunda linha. A Ineos-Grenadiers tem Geraint Thomas, Daniel Martinez e Adam Yates numa excelente posição na classificação neste momento e têm de fazer alguma coisa, vieram aqui para vencer, não foi para fazerem 4º ou 5º. A orografia não favorece tácticas inventivas, amanhã o objectivo deve ser ficar o mais perto possível da liderança e se possível fazer um pódio e jogar com a superioridade numérica, num grupo de 10 devem estar lá os 3. Romain Bardet vai ser um perigo à solta neste Tour, ninguém sabe bem os objectivos dele, até agora tem dado bons sinais e se tiver pernas para isso vai certamente tentar algo. Hoje Aleksadr Vlasov salvou o Tour depois de ter ficado cortado numa queda, cedeu apenas 5 segundos, a recuperação da Bora-Hansgrohe foi incrível e o russo tem amanhã uma boa subida para ele, um esforço abaixo dos 30 minutos, relativamente explosivo para alta montanha. David Gaudu, Enric Mas ou Nairo Quintana devem andar entre os 10 melhores, mas não os vemos a conseguir fazer mais do que isso, enquanto Primoz Roglic mostrou hoje que ainda não estará a 100%. Para a fuga há muitos nomes interessantes, Giulio Ciccone já está muito atrasado e foi aqui 2º em 2019, o seu companheiro Bauke Mollema também já perdeu algum tempo e a Trek-Segafredo tem estado muito ofensiva. Tim Wellens deve tentar alguma coisa, o belga sabe que tem mais probabilidade de sucesso na primeira metade do Tour, sendo que Andreas Kron é outra alternativa dentro da Lotto-Soudal. Ion Izagirre já perdeu muito tempo e já não é considerado candidato ao top 10, Nick Schultz vai ter liberdade dentro da BikeExchange, Franck Bonnamour vai tentar repetir as fugas de 2021 e atenção ainda a Andreas Leknessund, Bob Jungels, Kobe Goossens e Mikkel Honoré.

 

Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são: Guillaume Martin e Neilson Powless.



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