Antevisão do Tour Down Under

A primeira prova do World Tour está aí! Começa daqui a algumas horas o Tour Down Under, que contará com a presença de 2 ciclistas portugueses.



 

Percurso

Dentro das semelhanças, há diferenças. Este Tour Down Under não vai terminar em Adelaide com um tradicional circuito, vai sim acabar em Willunga Hill, o palco de todas as decisões, numa espécie de “Grand Finale”.

Em vez de terminar em Adelaide, este ano o início é nesta cidade australiana, com 129 kms entre North Adelaide e Port Adelaide. Um miolo complicado, bom para uma fuga, mas que deverá ainda permitir aos sprinters chegar em condições para discutir o triunfo. Os puncheurs que tentem as bonificações terão a vida dificultada, os sprints intermédios não estão na melhor localização para eles.
Esta 2ª etapa tem um perfil semelhante à 1ª, mas desta vez é possível algo equipa tentar manter a corrida junta até ao primeiro sprint intermédio, ao quilómetro 39. De destacar a parte final em Angaston, em ligeira subida. No entanto os sprinters e as suas equipas deverão levar a deles avante. A tirada foi encurtada para 122 kms devido às altas temperaturas que estão previstas.

Jornada muito interessante que começa logo com 2 sprints intermédios nos primeiros 20 quilómetros, antes dos ciclistas entrarem no circuito de Uraidla. No ano passado esta chegada também recebeu uma chegada, onde Peter Sagan ganhou num grupo de 35 unidades, apesar do traçado ser diferente. O circuito é duro e em 150 quilómetros há mais de 3000 metros de acumulado. Pode vir a ser um dia bastante táctico, duro e complicado de controlar, etapa que tem potencial para ser atacada.

A 4ª etapa começará a definir quem está aqui para discutir a geral ou não. Os primeiros 5 quilómetros são a subir e podem originar uma fuga mais forte que o normal. Mas o grande atractivo está na subida de Montacute, com 2300 metros a 8,9%, esta ascensão, e o final em Campbeltown não é novidade no Tour Down Under. Em 2016 Simon Gerrans sprintou para o triunfo num grupo de 10 unidades e em 2014 Cadel Evans escapou-se para ganhar diante de um grupo de 12 elementos. É de esperar um cenário semelhante.

 

Antes do “Showdown” e já com algumas diferenças na classificação geral, temos uma tirada de transição e sem grandes dificuldades de maior. Sagan, Viviani e Ewan são os maiores candidatos, caso ainda estejam em prova.

Dia de Willunga Hill, e tal como acontece na etapa do Malhão da Volta ao Algarve teremos dupla passagem, o que endurece ainda mais o traçado. 2 passagens pela mítica subida de 3600 metros a 7,1% de inclinação média sob o abrasador sol do verão australiano. Está presente “O Rei de Willunga”, vencedor desta chegada em 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018, um registo impressionante, esta ascensão é perfeita para Richie Porte.

 

Tácticas e bonificações

O Tour Down Under é tradicionalmente uma corrida decidida ao segundo e este ano não deve ser excepção. Vemos esta edição como uma luta entre os ciclistas mais rápidos e capazes de sprintar para bonificações (10, 6 e 4 segundos na meta, 3, 2 e 1 segundos nos sprints intermédios) e os corredores menos explosivos. De um lado temos Daryl Impey, Jay McCarthy, Nathan Haas e em parte Diego Ulissi, e do outro Richie Porte, Wout Poels e Michael Woods, com alguns nomes mais a correrem por fora.



Muitas vezes os sprints bonificados têm um papel fundamental nesta luta. Este ano diríamos que só 2 estão disponíveis de forma relativamente fácil para as equipas controlarem a corrida até lá, ambos na etapa 3. No ano passado Impey alicerçou o seu triunfo com os segundos lugares e as bonificações nas etapas de Uraidla e de Stirling (Stirling ausente em 2019) para chegar a Willunga com 12 segundos sobre Porte. Porte ganhou em Willunga, mas Impey foi novamente 2º e deu para ganhar a geral.

Em 2019 haverá 3 etapas para os puros sprinters, onde nenhum dos homens da geral deve bonificar no final, 2 jornadas de média montanha e Willunga, onde Porte provavelmente deverá voltar a ganhar tempo à concorrência. Uraidla volta a ser uma chegada, mas com circuito acidentado bom para Impey ou McCarthy, mas terão de afastar Viviani ou Ewan da luta. A competição deverá decidir-se na 4ª etapa, com uma dura subida a 6 kms da meta, seguida de uma descida onde é complicado tirar tempo. Caso os puros trepadores consigam fazer diferenças aí e distanciar os homens rápidos que estão aqui pela geral, a vitória será entre eles. Caso não consigam isso, espera-nos um duelo titânico em Willunga, tal como no ano passado.



 

Favoritos

Richie Porte ganhou nos últimos 5 anos em Willunga Hill, mas só tem 1 Tour Down Under conquistado. Foi em 2017, quando deu 16 segundos a todos em Paracombe e 20 à concorrência em Willunga. Numa nova equipa, há vários vídeos a circular com Porte e treinar forte nas colinas e no calor australiano. O ciclista australiano parece motivado com a mudança para a Trek-Segafredo e as suas declarações foram de quem está confiante. Porte precisa de atacar e fazer diferenças também em Montacute. A equipa da Trek-Segafredo é fraca na montanha, estará muita pressão nos ombros de Jarlinson Pantano.

Jay McCarthy tem evoluído imenso e chega aqui com ambições legítimas. Muito forte a sprintar em grupos reduzidos, McCarthy terá de corrigir o erro do ano passado, quando tinha a vitória próxima foi ao choque do ataque de Porte em Willunga e explodiu completamente. Sagan, Gatto, Muhlberger e Postlberger é uma equipa de ajuda tremenda para este tipo de traçado.

 

Outsiders

Conseguirá Daryl Impey levar de vencida o Tour Down Under 2 anos consecutivos? É uma possibilidade, mas parece-nos que o percurso em 2018 era melhor para as suas características. Em 2019 não terá que trabalhar para Caleb Ewan, mas a Mitchelton-Scott deixa algo a desejar na montanha, faz falta um Jack Haig para garantir a minimização de perdas na 4ª etapa e Lucas Hamilton terá de fazer, a par de Cameron Meyer, um trabalho hercúleo.



Diego Ulissi está entre os homens rápidos e os trepadores, é um ciclista muito completo que consegue tocar nos dois campos. O italiano adora esta prova, já foi 3º em 2014 e 4º em 2018. A UAE Team Emirates sofreu mudanças na sua equipa técnica, o que poderá resultar num extra motivacional e em termos de performance. A concorrência é muito forte e a vitória é complicado, mas um pódio é bem provável para Diego Ulissi.

Muitas pessoas têm falado de Michael Woods, só que o canadiano não nos parece assim tão candidato assim. Woods costuma render melhor na fase final da temporada e tem como especialidade as subidas mais inclinadas. A menos que faça diferenças enormes em Montacute (que é mais inclinada que Willunga) não vemos o ciclista da EF Education First a triunfar, até porque não tem grande apoio na montanha dentro da sua equipa.

 

Possíveis surpresas

Numa das suas declarações à imprensa, Richie Porte declarou que Wout Poels seria um dos seus maiores rivais. O holandês disse que não era bem assim, mas o que é certo é que estas subidas encaixam bem nas características dele e conta com Kenny Elissonde para o ajudar. A Katusha-Alpecin chega com 2 cartas fortes, a aposta, e visto que estamos na Austrália, deverá ser Nathan Haas, que já sucumbiu perante o verão australiano aqui. Ruben Guerreiro vai ser a segunda opção, e o ciclista português já demonstrou que pode fazer top 10 aqui e que está pronto para liderar uma equipa World Tour em provas destas. É uma pequena incógnita saber o que fará o vencedor de 2015, Rohan Dennis. Perdeu os Nacionais de contra-relógio, o que não é uma grande indicação, mas pode ter trabalhado na montanha durante o defeso. Para Tom Jelte Slagter esta talvez seja a sua competição favorita, vencedor em 2013 e 3º em 2018, o holandês anda quase sempre bem aqui. Dries Devenyns surpreendeu com o 5º posto em 2018 e tem outra chance para liderar a Quick-Step Floors, com o jovem James Knox à espreita. Por fim vemos mais alguns nomes com possibilidades de fazerem top 10, nomeadamente Chris Harper, Patrick Bevin, Eduard Prades, Luis Leon Sanchez, Michael Valgren e Pierre Latour.



 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Ben O’Connor e Carl Frederik Hagen.

 

Tips do dia

Para a etapa 1:

Marco Haller fora do top 10 -> 0dd 1,53

Daryl Impey fora do top 10 -> 0dd 2,175

Ryan Gibbons no top 10 -> 0dd 2,10

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