As 5 conclusões que podemos retirar da Volta ao Algarve 2019

1 – O Super-talento Pogacar com maturidade para dar e vender

Em 4 das 5 etapas há pontos positivos a retirar da prestação do jovem de 20 ano, Tadej Pogacar, que viria a arrebatar a 45ª edição da Volta ao Algarve. No 1º dia, com um misto de colocação e sorte foi o único trepador da UAE Team Emirates a passar a queda colectiva na frente. Na 2ª etapa mostrou que consegue seguir o comboio da Team Sky numa montanha com mais de 15 minutos para depois lançar o seu único ataque no momento certo.




O contra-relógio foi sem dúvida uma surpresa, no escalão sub-23 sempre foi bom nessa especialidade, mas nunca genial. Quando se está em forma tudo é possível. Aliás, foi aí que Pogacar ganhou a Volta ao Algarve e fez diferenças para Wout Poels e Enric Mas. Por fim, na etapa do Malhão parecia um veterano a correr, deixou a sua equipa trabalhar até ao limite, não entrou em pânico quando o 2º da geral atacou, respondeu ao que tinha de responder e mediu muito bem as forças na subida final. O vencedor da Volta a França do Futuro de 2018 tem tudo para se impor entre os elites já este ano.

2 – Os classicómanos estão prontos para a festa

Poucos certamente previram a vitória de Zdenek Stybar no Alto do Malhão. É verdade que muito provavelmente num duelo de força pura o checo não teria ganho, foram as circunstâncias tácticas, mas mesmo assim são excelentes sinais para os seus grandes objectivos, nos meses de Março e Abril. O mesmo podemos dizer de Soren Kragh Andersen, que está a ter uma evolução incrível a todos os níveis e até de Michael Valgren, que se defendeu muito bem nas etapas de montanha. Não é preciso esperar muito, este Sábado e Domingo já há provas na Bélgica.

3 – Arnaud Demare cada vez menos um puro sprinter





O francês de 27 anos está a focar-se cada vez mais na Milano-SanRemo e nas clássicas do empedrado e viu-se isso mesmo nesta “Algarvia”. Demare está já em boa forma e isso foram sinais muito bons. Na Fóia aguentou as primeiras subidas do dia e só descolou mesmo quando a ascensão final estava a iniciar-se, e depois assinou um incrível 6º posto no contra-relógio individual, batendo alguns especialistas.

4 – Uma Volta ao Algarve mais portuguesa que em 2018

É verdade que havia menos trepadores na lista de partida, mas de uma forma geral as equipas portuguesas subiram, e muito, o nível principalmente face a 2018.

Na 1ª e 4ª etapas houve fugas somente com ciclistas de formações portuguesas, por 2 vezes tivemos 2 ciclistas portugueses no top 10 de etapas e no final fizeram mesmo top 10 na classificação geral. Analisando equipa a equipa:




A LA Alumínios-LA Sport encontra-se em fase de consolidação do projecto e viu-se isso mesmo, com uma clara evolução. David Ribeiro envergou a camisola da montanha, António Barbio esteve bem na etapa do Malhão e Emanuel Duarte foi uma surpresa positiva. A Vito-Feirense com algumas ausências e um vírus a afectar a equipa fez o que pôde, João Matias não teve sorte nas chegadas em pelotão compacto e João Barbosa, um talentoso trepador, fechou no top 10 da juventude.

A Ludofoods Aviludo Louletano talvez tenha sido a única com pior prestação face a 2018, Vicente Garcia de Mateos chegou com menos ritmo e isso notou-se. Ainda assim David de la Fuente andou muitas vezes com os melhores e fechou no top 25. A Rádio Popular Boavista teve 2 ciclistas em evidência depois de Luis Mendonça ter ido para casa lesionado. João Benta esteve muito irreverente e Luis Gomes foi 26º à geral.

Na UD Oliveirense/InOutBuild o balanço só pode ser positivo, a equipa tinha 5 dos 8 ciclistas mais jovens da Volta ao Algarve e dos 7 elementos da equipa 5 terminaram a prova, Rafael Lourenço esteve em fuga e foi 10º na juventude. A Miranda/Mortágua vinha com os olhos postos em Daniel Freitas, que foi o melhor português no 1º dia, e teve presença nas fugas com Jesus Nanclares.




A Efapel, sem o seu grande líder Joni Brandão, e com Henrique Casimiro com alguns problemas, quedou-se por aparecer, e muito, nas fugas. No Sporting/Tavira voltou a ser Frederico Figueiredo, um poço de regularidade a brilhar mais alto, fez top 15 nas 2 etapas de montanha e teria feito top 15 na classificação geral não fosse aquela 1ª etapa.

Por fim, a W52/FC Porto, também com mais responsabilidade agora que pertence ao escalão profissional Continental, foi a que mais apareceu e deu nas vistas. Não foi só pelas grandes exibições de João Rodrigues (7º na Fóia, 7º no Malhão e 9º na geral), mas também pela atitude proactiva, e exemplo disso foi o ataque na 2ª etapa, com João Rodrigues e Raul Alarcon a lançarem-se de longe. Mesmo com a desqualificação de Joaquim Silva na última etapa fecharam no 7º lugar colectivamente.

5 – Um pequeno erro táctico que custou caro a Amaro Antunes

Quando se viu Jonas Koch na fuga da etapa do Malhão, sabendo-se que Amaro Antunes estava em boa forma já se adivinhava um ataque de longe do português da CCC Team, para depois receber ajuda do seu colega alemão, tal como tinha acontecido com Riccardo Zoidl na 2ª jornada. Tal não aconteceu, e seria o momento certo para sair, seguindo David de la Cruz ou Soren Kragh Andersen. No pelotão não estava ninguém focado propriamente na etapa, Amaro Antunes não era um perigo na geral e com Soren Kragh Andersen de olho na amarela bastava a Amaro ter seguido aquele ataque. Depois quando o português tentou, a 13 kms da meta, e com um ciclista da Team Sunweb na frente, foi marcado de imediato por Sam Oomen e consequentemente pelos outros favoritos. Foi pena porque quem seguiu na roda de Kragh Andersen, Zdenek Stybar, viria a ganhar a etapa e a presença de Jonas Koch na escapada acabou por não servir para muito.




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