As mexidas do mercado internacional (XI)

Hora dos últimos ajustes nos plantéis das equipas World Tour, mas o mercado ainda mexe. Neste momento já 9 equipas do escalão máximo já têm 25 ou mais ciclistas confirmados, o que significa que os plantéis estão praticamente fechados. A nível internacional ainda deverá mexer até ao final do mês, sendo que em Novembro e Dezembro é altura do mercado nacional dar que falar.




A primeira equipa em destaque hoje é a Intermarche-Wanty-Gobert, com a contratação de 2 poderosos e experientes ciclistas, especializados em clássicas, a mesma especialização do novo líder da equipa belga, Alexander Kristoff. Dimitri Claeys garantiu a manutenção do World Tour, algo que estava em risco com a situação periclitante da Team Qhubeka NextHash. O veterano de 34 anos teve uma época complicada, sem qualquer pódio, mas voltou a mostrar-se nas provas mais dura e longas, foi 8º na Le Samyn, 13º no Tour des Flandres e também fez top 20 na E3 Harelbeke.

De resto, a carreira de Claeys tem sido marcada por boas exibições neste tipo de corridas, foi 9º no Tour des Flandres em 2016, 6º em 2020 e regista vitórias numa etapa do Tour de Wallonie, onde bateu Gianni Meersman num sprint restrito, e na geral dos 4 dias de Dunkerque em 2018, numa das suas melhores temporadas. Nessa corrida terminou com apenas 1 segundo de vantagem para André Greipel e 2 para Oscar Riesebeek. Ainda será um ciclista potencialmente bastante útil para as clássicas com empedrado e tende a destacar-se quando a corrida é bastante longa.

A outra contratação anunciada nos últimos dias é o francês de 31 anos Adrien Petit, se Claeys assinou por 1 temporada, Petit rubricou contrato por 2 anos. Será a 3ª equipa na carreira do gaulês, depois de passagens pela Cofidis (2011-2015) e pela Direct Energie (2016-2021). Na carreira tem 9 vitórias como profissional, sendo que mais de metade delas foram na Tropicale Amissa Bongo. Ganhou na Volta ao Luxemburgo em 2015 e nos 4 dias de Dunkerque em 2017, mas a melhor da carreira foi no Tro Bro Leon, em 2014.




Nos primeiros anos na Direct Energie era sempre um perigo em corridas do calendário europeu com algum empedrado, até porque também tem uma ponta final razoável. Chegou a fazer top 10 no Paris-Roubaix em 2016 e 2017, no entanto as 2 últimas temporadas foram muito, muito más, não fazendo qualquer top 10. É um autêntico tiro no escuro por parte da Wanty, que está a apostar no facto de conseguir retirar o melhor de Adrien Petit, levando o francês a recuperar o nível de 2016 e 2017.

Analisando o elenco para 2022 não nos parece que a formação belga tenha dado o salto qualitativo que pretenderia e continuará a ser das equipas mais frágeis do World Tour. Não obstante a contratação de Alexander Kristoff, que mesmo assim parece já na fase descendente da carreira, faltam nomes grandes. Continuará a ser uma equipa lutadora, a entrar em fugas, e em destaque no circuito europeu, mas não no World Tour, principalmente perdendo Danny van Poppel, que teve a melhor temporada de sempre. Claeys e Petit são aposta para ajudar Kristoff nas clássicas, num bloco que também deverá contar com Bystrom, Planckaert, van der Hoorn e mais alguns nomes que se conseguem adaptar a estas corridas.

A EF Education First continua com a política de fazer algumas contratações mais fora do comum a cada temporada, a mais recente aposta é em Ben Healy, irlandês de 21 anos., que representava a Trinity Racing e assinou por 2 anos. Healy obteve alguns bons resultados enquanto júnior  e em 2019 ganhou mesmo uma etapa na Volta a França do Futuro, diante de … Morten Hulgaard e Matteo Jorgenson numa fuga. No ano passado foi campeão nacional sub-23 de contra-relógio e estrada e voltou a fazer essa gracinha na Ronde de l’Isard, ganhando isolado uma etapa de montanha. Esta época brilhou no Baby Giro, na 4ª etapa foi 2º no contra-relógio apenas atrás de Baroncini, que viria a sagrar-se campeão mundial, na 5ª etapa foi 3º e ganhou a última jornada, novamente isolado.




Healy parece ter um motor enorme, é incrível a quantidade de vitórias que tem isolado, sendo bastante bom no contra-relógio, o que também ajuda em fugas. O potencial está lá, resta à EF Education conseguir extraí-lo na totalidade.

Dentro no panorama norte-americano a Rally Cycling continua a ser a equipa mais poderosa, como mostrou este ano quando também competiu na Europa. Desde 2017 na Aevolo, Gage Hecht, de 23 anos, é reforço da formação “laranja”, ele que foi 2º na Joe Martin Stage Race, disputada em Agosto. Estas 2 últimas temporadas viram muitas corridas norte-americanas canceladas, o que dificultou muito a evolução dos ciclistas locais, esta é uma grande oportunidade para Gege Hecht, um corredor que já foi campeão nacional júnior diante de Brandon McNulty e vice-campeão nacional sub-23 atrás de Neilson Powless. Finalmente teve uma oportunidade de subir para uma equipa mais competitiva, os seus rivais internos nas camadas mais jovens estão todos em equipas World Tour e acreditamos que Hecht tem esse potencial.




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