Melhores Equipas do ano – 16º

A equipa australiana teve um ano muito melhor face à época transata, conquistou triunfos nas três Grandes Voltas e conseguiu colocar na ribalta um jovem sprinter de quem se espera muito nos próximos tempos, no entanto, o ciclista está de saída para um novo projeto.





Os dados

Vitórias: 22 triunfos, 9 deles em provas WorldTour.

Pódios: 59 pódios, conquistados, maioritariamente, por Kaden Groves, Dylan Groenewegen e por Simon Yates

Dias de competição da equipa: 243 dias, um dos calendários mais preenchidos de sempre da equipa

Idade média do plantel: 29,2 anos, uma das equipas com mais elementos acima dos 30 anos.

Mais kms: 12835 km feitos por Kaden Groves.

Melhor vitória: Tiveram tantos triunfos de qualidade. A minha escolha vai para a vitória de Simon Yates na etapa 14 do Giro de Itália.



O mais

Um dos nomes a destacar é o do jovem Kaden Groves. O jovem de 23 anos estreou-se a ganhar no WorldTour, com vitórias em Espanha, na Volta à Catalunha e na La Vuelta. Nos anos anteriores já tinha conseguido bons resultados, mas nunca neste nível competitivo. Alcançou 23 top dez e três triunfos. Acho que podemos esperar muito dele num futuro próximo.

Michael Matthews teve uma época muito bem conseguida. Ajudou a salvar a equipa da relegação com os seus grandes resultados na parte final da época. Obteve apenas dois triunfos, mas foram conquistados na Volta a Catalunha e no Tour de França. Foram 17 rop dez e muitos pontos amealhados para a equipa.

Dylan Groenewegen foi dos que mais ganhou e amealhou pontos UCI. Começou bem o ano no Saudi Tour, com duas vitórias. Seguiu-se uma no Tour da Hungria, a clássica de Veenendaal, uma no Tour da Eslovénia, um emocionante triunfo no Tour e uma etapa na Arctic Race of Norway. O neerlandês já não ganhava em provas de três semanas desde 2019. Acabou a temporada a bom nível, apesar de não ter ganho, fez vários top dez.

Simon Yates é um dos líderes da equipa e tentou corresponder a isso com resultados. Foi o que mais ganhou, com oito triunfos. Um excelente triunfo no Paris-Nice em que quebrou Primoz Roglic, dois na Vuelta às Astúrias, dois triunfos no Giro, triunfo na Prueba VillaFranca, concluindo com etapa e geral na Vuelta a Castilla y Leon. Estava a fazer uma boa Vuelta, mas teve de abandonar por covid. Teve um ano algo azarado, visto que foi obrigado a sair das duas Grandes Voltas em que participou, por testes positivos à covid.

 

O menos

Com a equipa que vêm apresentando não se pode pedir os melhores resultados em todas as provas em que participam. Mas seria de esperar mais de nomes como Lucas Hamilton, Dion Smith e Damien Howson. Passaram um pouco ao lado da temporada. É verdade que Hamilton teve um calendário complicado, mas a equipa precisa de alguém que tente replicar o que Yates faz, em provas por etapas. Dion Smith é muito inconstante, precisa de condições muito específicas para conseguir bons resultados. Damien Howson costuma ter um pico alto por temporada, mas não apareceu este ano.



O mercado

Várias saídas da equipa. A pérola Kaden Groves irá rumar à Alpecin-Deceuninck, Jack Bauer e Damien Howson vão para a Q36.5 Pro Cycling Team, Dion Smith segue carreira na Intermarché-Circus-Wanty, Alex Edmondson vai para a Team DSM, enquanto que Tanel Kangert, Cameron Mayer e Sam Bewley irão retirar-se no final deste ano. Futuros incertos para Nick Schultz e Alexander Konychev.

Quanto a entradas, a equipa reforçou-se com dez ciclistas. O checo Zdenek Stybar vem ajudar a equipa nas clássicas e, sobretudo, Michael Matthews. Alessandro De Marchi é um veterano e um nome que pode ajudar nas Ardenas e clássicas italianas. Eddie Dunbar saiu da Ineos-Grenadiers e procura relançar a carreira. É uma peça versátil. Pode ajudar Simon Yates em momentos importantes. Entra também Lukas Postlberger, depois de uma das suas piores temporadas.

Dois nomes interessantes são os de Chris Harper e de Filippo Zana. Harper salta da Jumbo-Visma à procura de uma oportunidade, e encaixa-se na equipa “como uma luva”, visto que é australiano e pode ajudar na montanha. Zana conseguiu vários resultados interessantes com a Bardiani. Venceu a geral da Adriatica Ionica Race, e andou bem no Sazka Tour e no Tour du Limousin. Terminou às portas do top dez da geral em provas como o Tour de Omã e no Gran Camiño. Um grande feito seu, foi sem dúvida, o facto de se ter sagrado o novo campeão nacional italiano de estrada.

Entram mais quatro jovens. Felix Engelhardt, Blake Quick, Rudy Porter e Welay Hagos Berhe. O primeiro coroou-se campeão europeu de estrada, na categoria de sub-23, na prova realizada cá em Portugal, seguem-se os jovens Quick e Porter, vindos do projeto britânico da Trinity Racing, e por último o etíope Welay, vindo da equipa de desenvolvimento da EF Education, que conseguiu um 4.º lugar muito interessante no final da temporada, na Il Piccolo Lombardia, prova de sub-23.

 



O que esperar em 2023?

Se as coisas não estavam muito “famosas” em 2022, o próximo capítulo da equipa pode avizinhar-se complicado. Mantêm algumas das principais figuras, mas a saída de Kaden Groves, que está em claro desenvolvimento, acaba por ser difícil de superar.

Simon Yates irá liderar em provas de três semanas e de uma semana, como já é expectável. Michael Matthews é a peça mais importante nas clássicas e terá a equipa ao seu redor. Dylan Groenewegen será a principal figura nos sprints. Depois a equipa peca por falta de alternativas a estes nomes. Podemos contar com Matteo Sobrero a aparecer algumas vezes com boas exibições em provas por etapas ou em contra-relógios, ou de alguns sprints bem conseguidos por Luka Mezgec, mas não chega. Hamilton e Harper, no seu melhor, podem conseguir fazer top dez em provas de uma semana.

Os jovens Colleoni e Zana já mostraram capacidades para apresentar resultados. Mas terão de subir de nível. Os nomes de Stybar, Dunbar, De Marchi e Postlberger, que entraram na equipa para 2023, vêm de temporadas pouco conseguidas, vamos ver se conseguem juntar bons resultados à experiência que já têm na estrada.

Por: André Antunes

 

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