Melhores equipas do ano – 22º

Chegamos à primeira equipa WorldTour, aquela que para nós teve pior rendimento, não só pela vertente desportiva, mas também porque claramente algo de errado se passa no seio da formação alemã. O ambiente não é bom, sucedem-se saídas de ciclistas antes do final do contrato e o rendimento de algumas figuras de proa está longe do expectável. Não fosse o final de temporada de Storer, Bardet e Dainese e a Team DSM estaria ainda mais abaixo neste ranking.

 

Os dados

Vitórias: 8 ao todo, 1 até 31 de Julho, as restantes depois dessa data.

Pódios: 34 pódios, a sorte também não esteve do lado da equipa, bateu muitas vezes na trave.

Dias de competição da equipa: Uns longos 238 dias competitivos, o que mostra bem a falta da eficácia da equipa em somar pontos para o ranking.

Idade média do plantel: Apenas 26 anos, só com 5 trintões no plantel.



Mais kms: 12590 kms de Chris Hamilton, um dos elementos mais importantes da equipa em termos de trabalho.

Melhor vitória: Todas as vitórias na Vuelta foram importantes, elegemos a primeira de Michael Storer, que o confirmou ao mais alto nível.

 

O mais

Contratado para ser líder da Team DSM, Romain Bardet foi dos melhores, senão o melhor ciclista da equipa. É verdade que não atingiu o rendimento de líderes noutros anos (por exemplo Tom Dumoulin), mas foi sempre regular e fiável. Não conseguiu regressar ao nível de disputar pódio no Tour, ainda assim esteve bem melhor do que em 2019 e 2020, ao ser 7º no Giro e ao ganhar 1 etapa na Vuelta, fazendo ainda mais alguns top 10 no World Tour.

Michael Storer foi uma das grandes revelações do ano, e surpresas mesmo, porque esteve bastante discreto até Julho. Depois ganhou o Tour de l’Ain e venceu 2 etapas e a classificação da montanha na Vuelta, sendo um perigo constante nas etapas de montanha. Alberto Dainese finalmente conseguiu começar a confirmar todo o seu potencial, e tal como Storer carburou na parte final do ano com 3 pódios na Vuelta e mais 3 pódios em semi-clássicas  de Outono. Nikias Arndt continua a ser um dos fieis da balança e andou bem, ganhou na Polónia, fez 2 pódios em etapa no Giro e ainda foi 11º no Benelux Tour.

 

O menos

Cedo se percebeu que Jai Hindley estava com a cabeça fora da Team DSM e só não saiu mais cedo porque não surgiu a oportunidade. Os rumores de uma transferência surgiram logo no início do ano e o australiano que no ano passado disputou o Giro até ao último metro nunca conseguiu aparecer ao mais alto nível. O melhor que conseguiu foi ser 7º na Volta a Polónia.



Soren Kragh Andersen esteve muito, muito longe do sucesso de outras temporadas, não se viu o espírito ofensivo e matador do dinamarquês e o melhor que alcançou foi o 9º posto na Milano-SanRemo. Continua a esperar-se mais dele nas clássicas do empedrado. Depois, numa equipa que aposta tanto na juventude houve muitas corredores que não evoluíram como se esperava, desde logo Ilan van Wilder, que está de saída, Andreas Leknessund ou Max Kanter.

Cees Bol fez mais uma temporada mediana, somou 2 pódios o ano todo, continua com dificuldades de posicionamento e aos 26 anos começa já a perder estatuto, não só na hierarquia dos sprinter, como na DSM para Dainese. Nils Eelhoff, apesar de não ter andado mal, também tem de começar a ganhar mais protagonismo, tem capacidade para isso como mostrou nos sub-23.

 

O mercado

Numa equipa que precisa de mudar radicalmente e virar a página, diríamos que este mercado não foi o que a DSM precisava. Numa formação já com muitos jovens é mau perder corredores experientes como Roche, Haga ou Sutterlin. Depois, saem alguns dos melhores trepadores da equipa, Hindley, já descontente há algum tempo, van Wilder, que forçou a saída, e Storer, de uma forma bem mais amigável. As restantes saídas de Kanter, Gall e Salmon foram de corredores ainda sem grande peso na estrutura, ainda que Kanter fosse bastante útil para alguns comboios.

Para 2022 apenas há 1 aposta a curta prazo, que é John Degenkolb. O experiente alemão, que obteve grande parte dos maiores sucessos da carreira da estrutura da DSM, regressa já numa fase descendente da carreira para ser uma alternativa nas clássicas, onde Tiesj Benoot não se tem mostrado à altura dos melhores do Mundo, também não nos parece que Degenkolb seja o nome certo para isso.



As restantes contratações são a pensar a longo prazo, destacamos a de Jonas Hvideberg, antigo campeão europeu sub-23 de estrada, outro corredor para as clássicas e Henri Vandenabeele, um trepador belga de quem já se fala há muito tempo, que foi 2º no Baby Giro em 2020 e 3º em 2021. Tim Naberman, Sam Welsford, Frederik Rodenberg, Leon Heinschke e Marius Mayrhofer são os restantes reforços, todos de um perfil relativamente desconhecido.

 

O que esperar de 2022?

Claramente a pressão está em cima de Romain Bardet para levar esta equipa às costas e quase sempre isso é contraproducente, principalmente porque falta experiência e apoio em redor do francês. Não chegam Arensman, Hamilton, Donovan ou Leknessund contra os blocos poderosos de outras formações. Neste momento quase parece que a DSM tem 3 equipas, uma principal bastante pequena e com poucas opções, uma equipa de desenvolvimento dentro da equipa principal e uma equipa de desenvolvimento no escalão Continental.

Dainese e Bol serão os sprinters, a grande questão é com que comboio, Arndt e Kragh Andersen terão de fazer pequenos milagres. Existe uma réstia de esperança nesta formação para as clássicas, o bloco até é razoável com Benoot, Degenkolb, Kragh Andersen, Arndt, Denz, Eekhoff e Hvideberg, mas vão precisar que estes 2 últimos jovens deêm um grande passo em frente para conseguir não estar sempre de pé atrás e em inferioridade numérica.



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