O fenómeno Van der Poel que “ofuscou” a vitória de Chernetskii na Arctic Race

Os ciclistas do ciclocrosse estão a invadir o ciclismo de estrada, esta é uma moda que parece não parar. Wout van Aert talvez seja o nome que mais vem à cabeça, depois de começar a vencer provas em 2016 e  2017. Em 2018, provou o seu valor e potencial ao mais alto nível, 3º na Strade Bianche, vencedor da Volta a Dinamarca e medalhado de bronze nos Europeus de Estrada.

Mathieu van der Poel tem um caminho diferente, desde menino competiu na estrada. Campeão mundial de juniores em 2013, vencedor de inúmeras provas no escalão sub-23, com 19 anos estava a bater os séniores em 2014. No entanto, foi apostando nas temporadas de Inverno, nos caminhos muitas vezes lamacento dos Países Baixos. Em 2017 e 2018 só começou a época de estrada em Maio, e sempre com bons resultados, este ano mais que nunca. Campeão nacional, vice-campeão europeu, em 2018 já 6 vitórias, em apenas 3 meses de competição, é de fazer inveja.

Mathieu van der Poel e Wout van Aert, grandes rivais durante o Inverno, têm características diferentes. Aert terá mais resistência, mais endurance e é melhor contrarelogista. Mathieu van der Poel tem mais explosão, mais exuberância, um excelente sprinter que é perfeito nas colinas, mas ambos têm tudo para deixar a sua marca no ciclismo de estrada, têm somente 23 anos. O holandês tem laivos de Peter Sagan e tem genes de ciclista (é neto de Raymond Poulidor).

Passemos para a Arctic Race of Norway, que decorreu na Escandinávia de 16 a 19 de Agosto. 19 equipas presentes, 6 elementos cada, 4 formações do World Tour e um percurso algo complicado, como é tradicional nesta região. Sim, a vitória final foi para o russo Sergei Chernetskii, alguém que tem os requisitos perfeitos para ganhar aqui (bom trepador, com alguma explosão e boa ponta final e ainda uma boa equipa). O ciclista da Astana já tinha mostrado bons indicadores na Volta a Polónia e confirmou que está mesmo em boa forma, ao ser o mais consistente ao longo das 4 etapas. Terminou sempre na frente e foi 2º, 5º, 3º e 8º nas etapas.

No entanto, a grande estrela da prova foi mesmo Mathieu van der Poel. Ganhou a etapa inaugural com uma facilidade tremenda e a jornada final dando um chapéu a toda a gente. Sempre da mesma forma, final em pequeno topo e nos últimos 200 metros deixou toda a gente a pé. É verdade que a concorrência poderia ser melhor, mas quem ganha assim não engana. Na 3ª etapa foi 2º, somente atrás do seu colega de equipa Adam Toupalik, único resistente da fuga do dia e também ele com as mesmas raízes de ciclocrosse de van der Poel. Então, porque Mathieu van der Poel perdeu a Arctic Race of Norway? Por causa da 2ª etapa, um dia com vento fortíssimo, ao qual se juntou a dureza (maior que nas outras jornadas). A isto, juntou-se o facto da Corendon-Circus (equipa de Mathieu van der Poel) ainda ter um colectivo frágil, deixando o seu líder isolado e ainda uma cilada armada pela BMC e pela Astana. Nesse dia ganhou o norte-americano Colin Joyce, da Rally Cycling, um ciclista de valor e consistente.

Sendo assim, qual o futuro do neto de Raymond Poulidor? A continuidade na Corendon-Circus, equipa continental, é garantida. Só que para 2019 podemos ver esta equipa continental em algumas das principais provas mundiais. Como? A Corendon-Circus está a pensar candidatar-se ao escalão Profissional Continental, precisamente para poder ter acesso a este tipo de corridas. Para isso terá de aumentar o seu plantel e reforçar o seu orçamento, veremos se será possível e se haverá uma repetição do duelo Aert vs Poel no Tour des Flandres, por exemplo.

Algumas notas finais sobre esta prova. O norueguês Markus Hoelgaard foi a grande surpresa, ciclista da Team Joker, não tinha grandes resultados este ano. Impressionou pelo poderio físico demonstrado, pode vir a ser o próximo norueguês a dar o salto. Tiago Machado foi o único representante português, acabou em 37º e andou em 2 fugas que quase resultaram, testou várias vezes as pernas. Dentro da Katusha-Alpecin também vimos ser incorporado Dmitriy Strakhov, que este ano brilhou em Portugal em várias ocasiões. O russo terminou num valoroso 9º lugar.

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