Após um merecido dia de descanso, a La Vuelta está de regresso e com nova chegada em alto! Será que João Almeida vai testar os seus adversários?
Percurso
Esta é uma etapa em tudo idêntica ao 9º dia de competição. Com mais alguma dificuldade na fase intermédia, principalmente o Alto de Lerga (4 kms a 4,5%) e o Alto de las Coronas (7,5 kms a 4,7%), a etapa pode ser mais endurecida mas tudo se vai resumir à subida final. O Puerto de Belagua será o palco de todas as decisões, uma subida com 9400 metros a 6,2%. A parte mais dura está no seu miolo, com 5 kms a nunca baixarem dos 7% e dois deles a rondar os 8%. A média da subida final é estragada pelos últimos quilómetors, principalmente com o último a ser feito em falso plano.
Táticas
Depois do que vimos ontem já não “garantimos” na forte possibilidade da fuga triunfar. Em teoria, é mais um dia ideal para os fugitivos lutarem pela vitória, o perfil favorece isso, vêm aí dias mais duros e a subida final não é dura o suficiente para se fazerem diferenças. No domingo, também era provável não existirem muitas diferenças mas Jonas Vingegaard decidiu testar a concorrência de longe, depois de ter aproveitado o trabalho da Lidl-Trek e da Q36.5.
Ora, pela Visma a fuga vai triunfar, não tem perseguido as mesmas, prefere guardar-se para outros dias; depois de Ciccone ter quebrado, a Lidl-Trek não deve voltar a perseguir; sobra apenas a equipa de Pidcock e isso é pouco para anular uma grande fuga, que é o que esperamos. Com tudo isto, esperamos que a fuga consiga ter sucesso mas, para isso, também é necessário que a mesma se consiga formar mais cedo na etapa, senão ainda dá ideias ao pelotão de anular a mesma.
Favoritos
Marco Frigo já é um repetente nesta lista mas depois de não ter tentado no dia de ontem tem de estar aqui. O italiano não se importa destes início mais acessíveis, é um bom rolador, e a subida final não ser assim tão dura também o favorece. Um trepador competente também não terá receio de atacar de longe, é a sua imagem de marca.
Harold Martín López chegou com os favoritos ontem, mostrou boa condição física. O equatoriano está a fazer uma beléssima temporada, só lhe falta um grande resultado no World Tour e tem tudo para ser nesta Vuelta. O ciclista da XDS Astana é muito explosivo, terá de fazer diferenças na parte mais dura e tem capacidade para o conseguir.
Outsiders
Depois do que (não) fez na etapa de ontem, não seria de estranhar ver Juan Ayuso a atacar para a fuga. O espanhol não quer saber do coletivo e se quiser vencer a etapa vai tentar na frente. Estando na fuga é o principal candidato, não deverá haver trepador tão forte como ele e, até lá, o terreno não dá para fazer diferenças. Só o colocamos aqui porque pode guardar-se para dias com subidas mais míticas.
Markel Beloki conseguiu o primeiro top 10 da carreira no World Tour ontem, uma subida muito idêntica a esta, estará confiante. O jovem de 20 anos já tem muita qualidade, ainda pode evoluir, mas na fuga certa já pode sonhar mais alto. O facto da etapa não ser muito dura também o beneficia, pode guardar as energias para o final.
Se os favoritos lutarem pela vitória, pode ser o dia de João Almeida. O português precisa de ter o apoio da sua equipa para não gastar tanta energia mas também estará em alerta para seguir as principais rodas, com destaque para Vingegaard. Almeida está muito forte, é um dos mais rápidos entre os homens da geral, tendo as condições ideais é um grande candidato.
Possíveis surpresas
Jay Vine – mais uma UAE Team Emirates nesta lista. O início favorece-o mas num dia com apenas uma contagem de montanha e com dias mais decisivos pela frente, pode vir a poupar energias e concentrar-se no apoio a João Almeida. Se a situação de corrida permitir não vai despediçar a oportunidade de bisar.
Javier Romo – o espanhol tem estado muito discreto, a aposta de Movistar para as fugas tem sido outra. Romo é um trepador muito competente, antes que a grande montanha chegue, tem aqui uma boa oportunidade de vencer.
Harold Tejada – já numa fuga desta Vuelta, o colombiano volta a e ter um bom final para si mas sabe que tem de subir o nível se quiser estar na luta. A XDS Astana tem sido uma equipa muito ofensiva.
Victor Langellotti – chegou logo a seguir ao grupo dos favoritos ontem, esta é uma subida perfeita para o monegasco que não é um puro trepador. É um ciclista explosivo, pode ser importante para a parte final.
Andrea Bagioli – depois da prestação menos positiva de Ciccone, a Lidl-Trek pode começar a mudar a estratégia. Bagioli tem sido um grande apoio do seu compatriota e, não sendo um trepador, tem um final ao seu jeito, mais acessível, onde pode usar a sua boa ponta final.
Bruno Armirail – o combativo francês tem tido liberdade nesta Vuelta, está a mostrar que continua em boa forma. Quando as rampas ficam mais duras torna-se mais díficil para o gigante ciclista, tem de aproveitar estas subidas mais simples.
Ramses Debruyne – um grande tiro para amanhã. O jovem belga está numa Alpecin-Deceuninck sem trepadores, tem-se defendido na montanha, na fuga ideal pode acabar por surpreender.
Jonas Vingegaard – o dinamarquês deu uma grande demonstração de força aos seus rivais ontem, amanhã estarão mais atentos. Acreditamos que estará mais defensivo mas, tal como na etapa 9, se sentir a oportunidade vai aproveitar.
Giulio Ciccone – não vai cair no mesmo erro, terá de correr mais na defensiva e aproveitar o facto de ser um dos mais rápidos entre os homens da geral. Tem de ser mais cirúrgico.
Tom Pidcock – o britânico está a levar a missão geral até ao final, o 3º lugar de ontem foi mesmo assim surpreendente. Apesar de tudo, estas são as subidas onde Pidcock se dá bem, tem de aproveitar para continuar a ganhar tempo aqui.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Jefferson Cepeda e Sergio Chumil.