É tempo da última paragem do pelotão World Tour antes do Tour de France, a Volta a Suíça! Apesar da redução de dias, a prova helvética continua a ser muito dura e conta com a presença de Tadej Pogacar. Teremos o campeão do Mundo a vencer?
Percurso
Etapa 1
A Volta a Suíça começa com uma etapa … em Itália. Partida e chegada em Sondrio, um perfil bem ao estilo da região da Lombardia, com subidas não muito longas mas bastante duras. Tudo se vai resumir aos últimos 25 kms, primeiro com 1100 metros a 7,5%, seguindo-se 1400 metros a 9%. A 5 kms do fim, a subida de Bordighi promete fazer estragos, apenas 1100 metros mas a 11,5%! Rápida descida antes do final em ligeira subida.
Etapa 2
Etapa em torno de Locarno, mais um dia com os últimos 25 kms bastante complicados. A subida de Fanghi (3,5 kms a 7%) será o primeiro ponto de interessen, antes de Orselina (1,4 kms a 8,9% mas com zonas acima dos 12%), cujo topo fica a 15 kms do fim. Curta descida antes de 10 kms finais planos.
Etapa 3
Talvez a única etapa para os sprinters, mas tudo vai depender de como forem feitas as subidas na primeira metade da etapa. Duas primeiras categorias situadas nos primeiros 63 kms, subidas bastante longas e inclinadas mas se forem feitas a um ritmo suave levam praticamente 100 kms sem dificuldades, com Bad Ragaz a puder ver uma chegada ao sprint.
Etapa 4
23 700 metros de esforço individual em torno de Aarburg, um contra-relógio praticamente plano e sem grandes zonas técnicas. A maioria das curvas está na parte intermédia do percurso mas nada de preocupante e que va levar a grandes reduções de velocidade, perfeito para os especialistas.
Etapa 5
Que etapa para terminar a Volta a Suíça! 150 kms e quase 4500 metros de desnível acumulado positivo sem ser preciso inventar muito no perfil. O pelotão inicia a etapa em Villars-sur-Ollon, tendo 3,9 kms até ao alto do Col de la Croix. Descida com cerca de 35 kms até ao sopé do Col de la Croix que, aí sim, será subido na sua totalidade, com 19,1 kms a 7%, uma média estragada por 3 kms quase planos. Após esta ascensão volta-se a repetir o circuito, com mais uma subida completa ao Col de la Croix, nova descida e depois subida até Villars-sur-Ollon, que equivale aos primeiros 9600 metros da subida total, numa pendente média de 8%.
Tácticas
Aqui creio que não há muito que enganar nem que conjecturar, com a UAE Team Emirates a trazer o seu líder Tadej Pogacar, certamente que a tática será todos contra Pogacar. O bloco da equipa árabe é coeso e, com este tipo de percurso, é mais que suficiente para controlar a corrida até o campeão do Mundo decidir atacar.
As outras equipas que têm ambição na prova como a Lidl-Trek, a Visma|Lease a Bike, Red Bull-Bora-Hansgrohe e Movistar terão de ter uma tática mais que perfeita para bater a UAE que traz um bloco muito perto daquele que vai levar ao Tour.
Favoritos
Tadej Pogacar – Sem competir desde da Volta à Romândia, o esloveno mantém o seu ritmo elevado e vem a esta prova com vista a ganhar mais ritmo e preparar o Tour. Parte com dorsal 1, e certamente que tem tudo para vencer a prova, só algo de anormal é que não vence. É caso para dizer, onde Pogi mete a bicicleta, ganha.
Lenny Martinez – Também sem competir desde da Volta à Romândia, o francês também tem uma palavra a dizer no que toca a classificação geral individual, sabemos que não está ao nível do ciclista da UAE mas pode lutar por um lugar no pódio, basta recordar que esta época terminou sempre no top-10 das provas em que esteve inserido.
Outsiders
Richard Carapaz – Voltou a correr no passado fim de semana no GP Gippingen onde fez 3º lugar, depois de ter estado parado 3 meses por uma lesão. O ciclista da EF-Education vem à semelhança dos restantes, ganhar ritmo para o Tour, mas nunca descarta um lugar no top-10. É um ciclista de grandes provas.
Primož Roglič – Não é o esloveno dos tempos de ouro, contudo vem como líder da Red Bull-Bora-Hansgrohe e juntamente com Aleksandr Vlasov que vem de um 2º lugar do GP Gippingen, podem fazer uma dupla de respeito e tentar desmorenar a UAE. Provas de uma semana são a praia de Roglic e sabe que vai tirar muita vantagem do contra-relógio.
Ilan van Wilder – quase sempre que esperamos uma grande exibição de Ilan van Wilder saímos um pouco desiludidos. Continua a ser um poço de regularidade, quando tem oportunidade para isso e um top 20 é perfeitamente possível, mas o facto de haver um contrarrelógio plano, pode ajudar a sonhar pelos primeiros lugares, e tentar dar a volta a época menos conseguida por parte do belga.
Possíveis surpresas
Matthew Riccitello – o facto de haver um contrarrelógio no penúltimo dia, não impede o ciclista que vem a andar bem de estar presente no top-10 e traz um bloco com experiência e que faz posso lutar por mais um top-10, mas com a visão que poderá ser líder no Tour, no caso de Paul Seixas não recuperar a tempo para a prova francesa.
Enric Mas – depois da desilusão que foi no Giro, o espanhol pretende retomar a sua melhor forma e mostrar o Mas que foi nos primeiros anos da Movistar. Vamos ver como aparece nesta prova, deverá ter motivação para o que falta da época e ao mesmo tempo ganhar forma para o seu principal objetivo, a Vuelta.
Alessandro Pinarello – o italiano da NSN Cycling Team tem-se revelado uma surpresa dentro da equipa, fez 3º no O Gran Camiño e 10º no Tirreno. Não é de descartar a hipótese de estar no top-10 final, sendo que o contrarrelógio plano na 4ª etapa pode o desfavorecer um pouco, contudo com a experiência de Jan Hirt e Alexey Lutsenko, o ciclista certamente irá ter um bom resultado e mostrar que pode contar com ele nas provas de uma semana.
Afonso Eulálio – depois da brilhante prestação no Giro, vem para apoiar o seu líder Lenny Martinez, porém caso a pernas do francês falhem, pode muito bem passar a ser líder da equipa. Provas já deu que pode ser um líder, tudo vai depender de como está as pernas após um longo Giro.
Antonio Tiberi – outra alternativa dentro da Bahrain-Victorious que, desde que foi 2º no UAE Tour tem andado completamente desaparecido. Este é um percurso ideal para o italiano, o contra-relógio até o favorece e sabe que tem de mostrar resultados se querem confiar em si para o Tour.
Jarno Widar – após lesão, o jovem belga foi 6º no GP Gippingen, mostrando que fez bem o trabalho de casa. Um talento puro, dentro de uma Lotto a precisar de resultados, sabe que vai sofrer no contra-relógio mas tem na montanha a capacidade de se mostrar.
Nairo Quintana – O ciclista colombiano que se retira no final da presente época e que ja fez pódio em 2018, certamente que vai quer brilhar e lutar pelo top-10 numa das suas últimas provas da sua carreira.
Mauro Schmid – O ciclista da Jayco AlUla a correr em casa e com o apoio dos seus conterrâneos, pode dar um ar de sua graça nesta prova. Ganhar será difícil contudo, pode intrometer numa luta pelo top-10, só a última etapa pode ser difícil demais para si. Entre ele e Paul Double, um deles será o líder da Jayco AlUla.
Marc Hirschi – Outro ciclista a correr em casa e onde o melhor resultado que tem na época, é um 7º lugar na Clássica da Figueira da Foz e depois disso desapareceu um pouco dos holofotes. O ciclista da Tudor pode nesta prova demonstrar aquele Hirschi nos tempos da UAE, só nos resta esperar para ver e perceber como reage as pernas. Motivação não falta!
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Aleksandr Vlasov e Marco Brenner.