A Bahrain-Victorious conseguiu ter uma temporada positiva e subir no ranking. Sem grandes triunfos, a equipa árabe conseguiu ir destacando-se em provas importantes e mostrar qualidade. Afonso Eulálio teve uma estreia positiva entre a elite mundial.

 

Os dados

Vitórias: 10 triunfos, 3 deles no World Tour e todos por Lenny Martinez.

Ciclista mais vitorioso: Lenny Martinez, em estreia na equipa, conseguiu 4 vitórias.

Dias de competição da equipa: 252 dias, sem estar envolvida em grandes lutas, a equipa árabe fez o seu calendário habitual à base do World Tour e ProSeries.

Idade média do plantel: 27,3 anos, bem dentro da média do World Tour, com um misto de veterania e juventude.

Mais kms: o veterano Pello Bilbao foi o único a ultrapassar os 13 000 kms, perfazendo 13 546 kms.

Melhor vitória: Lenny Martinez no Tour de Romandie, ao vencer no alto de Thyon 2000 à frente de João Almeida.



O mais

Chegar, ver e vencer: foi assim o ano de Lenny Martinez em estreia pela Bahrain-Victorious. O jovem francês somou 4 triunfos, 3 deles em provas World Tour e ainda foi 2º no Tour de Romandie, 3º no Giro dell’Emillia, 4º na Fleche Wallonne e 5º na Volta a Catalunha. No Tour foi sempre um protagonista, lutando pela montanha até ao fim. Nem sempre consegue ter o foco durante toda a competição, falta este pequeno aspeto para ser ainda mais regular nas provas por etapas mas, aos 22 anos, já fez muito.

Velhos são os trapos e Pello Bilbao é exemplo disso. Aos 35 anos, continuou fiel a si mesmo, 3º no UAE Tour, 5º na Strade Bianche, 8º no Tour of Guangxi e 9º no Tirreno-Adriático e na Volta a Polónia, isto só falando de provas World Tour. Damiano Caruso é outro exemplo, ainda mais veterano, tinha o Giro como objetivo e não falhou, foi 5º. Afonso Eulálio, em estreia no World Tour, deu muito boa conta de si, esteve muitas vezes em evidência e somou alguns top-10 interessantes. Torstein Traeen fez uma boa segnuda metade de época, culminando com top-10 na Vuelta. Nas clássicas, Fred Wright remou contra a maré de uma equipa muito apagada, 9º em Roubaix e10º na Milano-Sanremo e ainda foi 4º no Renewi Tour.

 

O menos

Antonio Tiberi partia com grandes ambições para 2025 mas não correspondeu. Ainda foi 2º na Volta a Polónia e 3º no Tirreno-Adriático, provas de preparação para a Vuelta e Giro, respetivamente, mas nos grandes palcos teve sempre um dia mau que deitou por água abaixo qualquer hipótese de geral. Aos 24 anos, e já com liderança declarada, esperava-se mais. Santiago Buitrago nem esteve assim tão mau, venceu na Comunidade Valenciana a abrir o ano, mas nas provas World Tour, principalmente no Tour e na Vuelta esteve abaixo do esperado. O colombiano é capaz de muito melhor.

Phil Bauhaus nunca foi um sprinter ganhador, mas terminar o ano sem qualquer vitória é desmotivante para qualquer homem rápido, tem de aproveitar o estatuto dentro da equipa onde faltam sprinters. Alguém se lembra de Matej Mohoric em 2025? O esloveno foi uma sombra de si próprio, nem nas clássicas, nem em provas acidentadas, só teve destaque no GP Quebec onde foi 5º e na etapa final do Tour de France.



O mercado

Entradas Saídas
Ciclista Equipa de origem Ciclista Equipa de destino
Alessandro Borgo Bahrain Victorious Development Team Nicolò Buratti MBH Bank CSB Telecom Fort
Jakob Omrzel Bahrain Victorious Development Team Jack Haig INEOS Grenadiers
Pau Miquel Equipo Kern Pharma Andrea Pasqualon ?
Alec Segaert Lotto Finlay Pickering Team Jayco AlUla
Attila Valter Team Visma | Lease a Bike Torstein Traeen Uno-X Mobility
Sergio Tu Astemo Utsunomiya Blitzen
Fred Wright Pinarello – Q36.5 Pro Cycling Team

Não foi o melhor dos mercados para a Bahrain-Victorious, mas também não podemos dizer que foi dos piores. Jack Haig, Finlay Pickering e Torstein Traeen eram ciclistas valiosos para a montanha mas estavam longe de ser indiscutíveis, pelo potencial Pickering é a principal perda. Nas clássicas, Fred Wright é uma perda importante, dos principais ciclistas e que vinha a obter resultados interessantes.

Muitas esperenças estão depositadas em Jakob Omrzel, vencedor do Giro NextGen deste ano, é um enorme talento que a equipa tentará lapidar. Atilla Valter também chega para a montanha, é alguém muito completo e fiável que a equipa precisava. Alec Segaert chega para o bloco de clássicas e ser um contra-relogista que a equipa nunca teve e veremos onde encaixa Pau Miquel, estreia no World Tour, um ciclista polivalente numa formação pouco habituada a velocistas.




O que esperar em 2026?

A Bahrain-Victorious nunca foi uma equipa com um plantel profundo e, para 2026, não é exceção, será necessário os líderes estarem bem para a temporada ser positiva. Apesar de tudo, esperamos uma temporada a rondar o top-10 do ranking. Lenny Martinez assumiu-se como a grande aposta para as provas por etapas, mas o contra-relógio nunca lhe vai permitir grandes resultados nas Grandes Voltas, nas restantes provas será sempre regular. Antonio Tiberi tem de deixar os dias maus e ser regular, a próxima temporada será muito importante, Santiago Buitrago é sempre um ciclista perigoso e ainda é preciso contar com os veteranos Pello Bilbao e Damiano Caruso, sabem gerir muito bem a sua condição física. Expectativas para ver Jakob Omrzel, no entanto temos que dar tempo ao jovem esloveno.

Phil Bauhaus continua a ser o principal sprinter mas é bastante curto, ainda para mais depois de perder um lançador da qualidade de Andrea Pasqualon. É necessário ver se Alberto Bruttomesso começa a mostrar mais do que evidenciou como sub-23. Pau Miquel pode ser uma surpresa, tem é de ter um calendário bom para as suas características. Sem Fred Wright, a responsabilidade nas clássicas recai sobre Matej Mohoric, nunca é bom depois de uma temporada muito apagada. Por fim, estamos expectantes para continuar a ver a evolução de Afonso Eulálio, terá certamente as suas chances para brilhar.

 

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