A EF Education – EasyPost de Jonathan Vaughters não teve a evolução de resultados que esperávamos. É certo que os seus líderes estiveram em destaque e conseguiram vitórias importantes, mas as segundas linhas não conseguiram dar o salto, tiveram um ano de estagnação.

 

Os dados

Vitórias: 10 triunfos, foram poucos mas 6 no World Tour.

Ciclista mais vitorioso: Ben Healy, Marijn van den Berg e Neilson Powless conseguiram dois triunfos cada.

Dias de competição da equipa: 245 dias, a equipa norte-americana não é de grandes aventuras, faz o calendário World Tour e as mais importantes ProSeries.

Idade média do plantel: 27,1 anos, uma equipa bastante jovem mas que contava com a experiência dos 39 anos de Rui Costa.

Mais kms: James Shaw ultrapassou os 12 300 kms em competição.

Melhor vitória: Ben Healy ao vencer a etapa 6 da Volta a França, depois de uma grande fuga e mais um solo fantástico, mesmo à sua imagem.




O mais

Ben Healy, ainda jovem, teve a grande temporada da carreira. Mais regular que nunca, o irlandês deixou de ser apenas um ciclista caça-etapas e foi 9º no Tour de France, depois de dar muito espetáculo e vencer uma etapa. Venceu na Volta ao País Basco, foi 3º nos Mundiais e na Liege-Bastogne-Liege, 4º na Strade Bianche e 5º na Fleche Wallonne, é um ciclista de grandes provas e grandes momentos.

Neilson Powless voltou às boas temporadas, destaque para a épica vitória na Dwars door Vlaanderen perante a Visma. Para além de se destacar no empedrado, continuou a ser um perigo nas clássicas do asfalto, diversos top-10 a fechar a temporada, sendo que abriu a temporada com 6º no Algarve. Marijn van den Berg e Madis Mihkels são os principais sprinters da equipa, não estiveram mal, sabemos de antemão que não são ciclistas ganhadores, picaram o ponto e foram somando top-10’s.

 

O menos

Richard Carapaz não teve uma temporada assim tão má, até pode ser algo injusto, no entanto para aquilo que pode fazer ficou escasso. O início de temporada foi focado no Giro d’Itália e cumpriu ao ser 3º, terminando no pódio mas a partir daí não foi ao Tour nem à Vuelta para se focar nas clássicas de Outono onde … não teve grande destaque. Era preciso mais nesta fase da temporada, talvez com outra escolha de calendário seria mais benéfico.

A temporada de estreia de Alex Baudin na equipa não vai ficar na memória, o francês é capaz de mais, não pode aparecer apenas a espaços. Outro trepador a desiludir foi Georg Steinhauser, o alemão brilhou no Giro 2024 e este ano esteve relativamente discreto, nunca mostrou a qualidade que teve nessa competição. Em 2024, Archie Ryan e Lukas Nerurkar foram dois dos destaques da equipa, no entanto este ano não continuaram a sua trajetória ascendente, estagnaram na sua evolução, esperávamos bastante mais.



O mercado

 

Entradas Saídas
Ciclista Equipa de origem Ciclista Equipa de destino
Mattia Agostinacchio Ciclistica Trevigliese Esteban Chaves Reforma
Noah Hobbs EF Education – Aevolo Rui Costa Reforma
Luke Lamperti Soudal Quick-Step Owain Doull Team Visma | Lease a Bike
Michael Leonard INEOS Grenadiers Yuhi Todome Aisan Racing Team
Matthias Schwarzbacher UAE Team Emirates Gen Z Richard Carapaz ?
Hugh Carthy ?
Jefferson Cepeda ?
Lukas Nerurkar ?
Darren Rafferty ?
Jack Rootkin-Gray ?
Archie Ryan ?
Jardi van der Lee ?

Ainda não podemos aferir muito do mercado da equipa norte-americana. Como é habitual, as novidades demoram a ser desvendadas e, neste caso, ainda faltam anunciar 7 renovações porque o plantel tem apenas 23 ciclistas confirmados para a nova temporada. Do que se sabe, e dos ciclistas que estão oficialmente de saída, não há muito a registar, já eram ciclistas veteranos e acaba por ser um desfecho natural. Veteranos de saída e entrada de 5 jovens.

Mattia Agostinacchio é um talento em bruto, um ciclista multifacetado, habituado ao ciclocrosse, alguém muito explosivo mas com apenas 18 anos ainda tem muito para evoluir. Noah Hobbs chega da equipa de desenvolvimento, um sprinter que passa as pequenas dificuldades e ainda este ano venceu na Volta ao Alentejo, e alguém que é muito parecido a Luke Lamperti, que vai procurar as oportunidades que não tinha na Soudal. Matthias Schwarzbacher é um jovem completo, ciclista de clássicas, anda bem no contra-relógio e boa ponta final e Michael Leonard é mais um talento, este para as provas por etapas e já com 3 anos de experiência World Tour.




O que esperar em 2026?

Com um plantel ainda tão indefinido é difícil de fazer previsões mas é de acreditar que ciclistas como Richard Carapaz, Jefferson Cepeda, Lukas Nerurkar, Darren Rafferty e Archie Ryan irão renovar contrato. Se tivéssemos de apostar as novas fichas, estes ciclistas seriam alguns dos que irão permanecer. É a partir destas premissas que vamos fazer a análise.

Richard Carapaz continua a ser o homem forte para as Grandes Voltas, todo o seu foco está aí, é um ciclista de grandes momentos e sabe que tem de escolher bem o seu calendário. Ben Healy ganhou um novo estatuto, no entanto acreditamos que o irlandês vai continuar fiel a si próprio, um ciclista atacante e a geral vem por acréscimo. Nas clássicas, continuará a ser uma das figuras, a par de Neilson Powless, que também vai tentar aparecer nas provas de empedrado. Alex Baudin tem um ano importante à sua frente e o mesmo podemos dizer de Archie Ryan e Lukas Nerurkar, depois de um 2025 mais discreto.

O bloco do sprint saiu reforçado, não há nenhum sprinter puro, são todos ciclistas versáteis, o que é sinónimo de maior regularidade e dos sempre importantes pontos UCI. Veremos se Luke Lamperti consegue os resultados que pretende, tem de mostrar serviço numa hierarquia que continuará a ser liderada por Marijn van den Berg. Estamos expectantes com aquilo que Noah Hobbs pode fazer.

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