Uma estrutura sem grandes argumentos financeiros, com pouca profundidade de plantel, mas que apareceu com algumas jovens figuras nos momentos mais importantes da temporada. Podem ser um caso sério caso continuem a evoluir os talentos.
Os dados
Vitórias: Foram apenas 4, mas de referir que 2 foram no World Tour, inclusivamente 1 no Giro.
Ciclista mais vitorioso: Ninguém repetiu sucessos, os 4 que ganharam fizeram-no por 1 vez.
Dias de competição da equipa: 275 dias, o que até é um calendário vasto tendo em conta não têm assim tantas opções no plantel.
Idade média do plantel: 27,2 anos, uma média que engana muito por causa de alguns super veteranos, é que 11 corredores têm menos de 25 anos.
Mais kms: O único que passou os 13 000 kms foi o sprinter Casper van Uden.
Melhor vitória: O surpreendente triunfo precisamente de Casper van Uden no Giro quando estava longe de ser o maior candidato
O mais
Que grande temporada de Oscar Onley, foi claramente uma das revelações do ano, nunca no início da época se pensaria que o britânico ficasse em 4º no Tour com pouca experiência em Grandes Voltas. Onley iniciou bem o ano no Tour Down Under e no UAE Tour, depois acalmou um pouco e voltou a aparecer na Volta a Suíça com um pódio, houve algum medo que o pico de forma já tivesse chegado, no entanto provou que essa previsão estava errada, fez um Tour quase perfeito e terminou apenas a 1 minuto do pódio.
Tobias Lund Andersen e Pavel Bittner provaram que podem ser opções para liderar a equipa no futuro no que toca aos sprints, o dinamarquês somou 1 vitória e 8 pódios, o checo foi super consistente, 9 pódios e mais de 2 dezenas de top 10’s. Nils Eekhoff apareceu em excelente plano no início das clássicas, depois falhou os principais objectivos do ano por problemas físicos.
O menos
Para mim a maior desilusão foi mesmo Max Poole, um corredor que no passado até parecia mais promissor do que o próprio Onley no que toca à alta montanha e a Grandes Voltas. Foi somente 11º no Giro, o que não é um mau resultado, mas muito abaixo do que o seu compatriota logrou, depois a segunda metade do ano foi afectado por mononucleose, que o limitou muito. Romain Bardet teve uma temporada final de carreira desapontante, com muito coração, mas poucas pernas, não foi a despedida que desejava e merecia. Fabio Jakobsen provou que está completamente fora dela para este nível, infelizmente parece que nunca mais vamos ver o holandês de regresso ao seu melhor nível. Por fim, acho que a evolução de Kevin van den Broek e Kevin Vermaerke deixou a desejar.
O mercado
| Entradas | Saídas | |||
| Ciclista | Equipa de origem | Ciclista | Equipa de destino | |
| Frits Biesterbos | BEAT Cycling Club | Tobias Lund Andresen | Decathlon CMA CGM Team | |
| Dillon Corkery | St Michel – Preference Home – Auber93 | Romain Bardet | Reforma | |
| Timo de Jong | VolkerWessels Cycling Team | Romain Combaud | ? | |
| Mattia Gaffuri | Swatt Club | Patrick Eddy | ? | |
| James Knox | Soudal Quick-Step | Alex Edmondson | ? | |
| Oliver Peace | Development Team Picnic PostNL | Enzo Leijnse | Anicolor / Tien 21 | |
| Henri-François Renard-Haquin | Wagner Bazin WB | Kevin Vermaerke | UAE Team Emirates – XRG | |
Julgo que este mercado é prova das dificuldades financeiras e competitivas que a Picnic atravessa. A equipa vê sair Tobias Lund Andersen, o melhor sprinter da equipa ao longo de 2025 e um capitão como Romain Bardet (para além de Vermaerke que era um elementos importante na montanha) e das entradas só James Knox é que é um corredor minimamente experiente a este nível e que pode aportar alguma qualidade no presente ao bloco de montanha. Não é um virar de página e se algo acontecer a algum dos líderes a Picnic vai ter sérios problemas em manter-se no World Tour.
O que esperar em 2026?
Vamos imaginar que Oscar Onley continua a sua evolução e está novamente a ameaçar seriamente pódios em Grandes Voltas em 2026? A menos que Max Poole se resuma ao papel de gregário, é suposto Onley fazer isso com James Knox, Chris Hamilton e Warren Barguil como apoios? Parece-me claramente um grupo muito curto, a menos que haja aqui grandes surpresas e que haja também uma evolução grande de jovens como Frank van den Broek. Nas clássicas a manta continua muito curta, à espera que Eekhoff finalmente faça o que prometeu enquanto sub-23 e que Degenkolb renasça das cinzas, a maior esperança é mesmo no sprint, onde Bittner e van Uden são uma dupla bastante interessante, que pode dividir a liderança e calendário e que tem comboios decente com eles.
Creio que vão continuar a surpreender em determinados momentos, mas será muito complicado melhorar o ranking face a 2025 pela pouca profundidade de plantel.