O brilharete de 2024 não se repetiu, no entanto a Equipo Kern Pharma conseguiu fazer uma temporada bastante regular, acabando por alcançar o objetivo do top-30. Algumas figuras importantes estão de saída, a temporada de 2026 não se avizinha fácil, será preciso alguns novos ciclistas darem o salto.
Os dados
Vitórias: apenas 3 triunfos, todos eles conseguidos em Espanha.
Ciclista mais vitorioso: nenhum ciclista da equipa obteve mais que uma vitória, um ano muito escasso.
Dias de competição da equipa: 172 dias de competição, uma ProTeam que raramente sai do calendário habitual na Europa central.
Idade média do plantel: Com 25,4 anos, uma formação bastante jovem e com apenas 1 trintão no plantel.
Mais kms: Ivan Cobo com praticamente 11 000 kms divididos por 71 dias de competição.
Melhor vitória: Diego Uriarte na etapa 4 da Vuelta a Andalucia, não era o ciclista mais forte da fuga, mas com muita astúcia conseguiu enganar os seus rivais.
O mais
Depois de uma Vuelta 2024, Pau Miquel confirmou o seu potencial esta época. A sua polivalência e boa ponta final valeu mais de uma dezena de top-10, resultados muito importantes que valeram 500 pontos UCI à equipa. Só faltou a vitória para coroar a boa temporada. Haimar Etxeberria era um total desconhecido e afirmou-se como um dos melhores da equipa, fruto da sua excelente ponta final em pequenos topos. Conseguiu uma vitória e mais uma série de top-10 em clássicas.
Numa equipa sem muitos puros trepadores, Ivan Cobo subiu de estatuto dentro da equipa, foi 4º no Gran Camiño, top-10 em clássicas e mais alguns top-15 em gerais, o que, para na altura um desconhecido são resultados bastante positivos. José Felix Parra nunca foi um ciclista de grandes exibições, é alguém muito regular e voltou a confirmar isso em 2025, com alguns top-10 em classificações gerais.
O menos
Ivan Ramiro Sosa era o grande reforço para 2025 mas desiludiu e muito. O colombiano nunca foi um ciclista regular, foi também por isso que não se manteve no World Tour, mas num ambiente com menos pressão, aliado a problemas físicos, nunca conseguiu render, conseguindo apenas dois top-10 ao longo da época. Não se pode dizer que Urko Berrade tenha feito uma má temporada, foram 289 pontos UCI, mas depois do brilharete na Vuelta era de esperar mais, a expectativa estava muito alta. Entrou na época a ganhar, mas depois foi preciso esperar por Maio para um top-10 em gerais, conseguindo mais 3 top-10 até ao final de 2025.
Miguel Angel Fernandez era um dos sprinters da equipa mas não conseguiu capitalizar esse estatuto. O espanhol teve diversas oportunidades mas, muito por culpa do seu fraco posicionamento, raramente estava na discussão, terminando 2025 com 6 top-10, sendo que o melhor que conseguiu foram dois 4º lugares.
O mercado
| Entradas | Saídas | |||
| Ciclista | Equipa de origem | Ciclista | Equipa de destino | |
| Iker Gómez | Equipo Finisher – Kern Pharma | Unai Aznar | Euskaltel – Euskadi | |
| César Pérez | Equipo Finisher – Kern Pharma | Haimar Etxeberria | Red Bull – BORA – hansgrohe | |
| Unai Ramos | Equipo Finisher – Kern Pharma | Miguel Angel Fernandez | ? | |
| José Maria Martin | Extremadura – Pebetero | Francisco Galvan | ? | |
| Pau Miquel | Bahrain – Victorious | |||
| José Félix Parra | Caja Rural – Seguros RGA | |||
Não foi um mercado positivo para a formação espanhola. Saem 6 ciclistas e alguns deles bastante importantes, casos de José Felix Parra, Pau Miquel e Haimar Etxeberria. Numa primeira fase seria muito complicado colmatar estas perdas. Se as duas primeiras já estavam previstas, a saída de Etxeberria é uma machadada importante, o espanhol ia ser um dos líderes para 2026 e foi comprado pela Red Bull – BORA – hansgrohe.
Olhando para as entradas, a aposta é na juventude e na formação de desenvolvimento. De ciclistas tão jovens não se pode esperar muito, primeiro têm de se adaptar a outra realidade completamente diferente, pelo que José Maria Martin é aquele que pode trazer resultados mais rapidamente, um trepador com bons resultados no calendário amador espanhol e que já tinha estado numa formação Continental espanhola.
O que esperar em 2026?
Não será uma temporada fácil para a Kern Pharma, sempre com o objetivo de terminar no top-30 do ranking UCI para ter acesso aos convites para as Grandes Voltas, com claro destaque para a Vuelta. Urko Berrade tem de assumir o papel de grande líder, não pode aparecer só a espaços, sem algumas das grandes figuras tem de ser mais consistente, está aqui uma das chaves do sucesso. Os responsáveis da equipa esperam que Mats Wenzel, Ivan Cobo Unai Iribar continuem a sua evolução, são ciclistas muito combativos e de grande qualidade, especialmente o luxemburguês Wenzel.
A incógnita é Ivan Sosa, o colombiano é um ciclista de muita qualidade mas, ao mesmo tempo, muito irregular. Neste momento, encontra-se a recuperar de uma cirurgia complicada e pode ser uma ausência prolongada. Para os sprints, Marc Brustenga é a única aposta, é importante para somar pontos. Com tudo isto, um lugar entre os 30 primeiros no final de 2026 já será muito positivo, não será tarefa fácil.