A Burgos BH continua a ser uma das ProTeams mais débeis em termos de qualidade, não obstante até ter um plantel bastante extenso. Para somar mais pontos ter apostado no calendário asiático e graças a isso tem conseguido manter o top 30 no ranking sem dar muito nas vistas.
Os dados
Vitórias: 12 triunfos, 5 deles em campeonatos nacionais e apenas 1 na Europa, por intermédio de Sergio Chumil
Ciclista mais vitorioso: Daniel Cavia, Clement Alleno e Sergio Chumil somaram 2 vitórias cada um
Dias de competição da equipa: 179 dias de competição, o que é relativamente pouco para uma ProTeam
Idade média do plantel: Com 27,4 anos não é propriamente uma formação jovem
Mais kms: Mario Aparicio foi, de longe, o ciclista que mais correu, mais de 12 000 kms
Melhor vitória: Face à concorrência e à categoria da prova o triunfo de Sergio Chumil no Gran Camino, quando superou Derek Gee num final bastante duro.
O mais
Sergio Chumil voltou a ser um dos ciclistas com mais destaque na formação espanhola, principalmente pelos pontos UCI que foi somando ao longo do ano, foram 370 ao todo. O ciclista da Guatemala aproveitou todas as corridas na região, o campeonato nacional, os campeonatos pan-americanos, e até os Jogos centroamericanos, para além de fazer alguns top 10 na Europa. Daniel Cavia esteve muito discreto na Europa, mas sempre que foi correr à China aproveitou essa oportunidade da melhor forma, com algumas vitórias à mistura.
José Manuel Diaz voltou a ser um dos ciclistas mais consistentes da equipa, impressionou particularmente em Abril quando fez 2 pódios em 2 clássicas francesas com um nível muito bom. Eric Antonio Fagundez deu a sensação de ser um dos corredores mais perigosos da equipa no sentido de ter uma boa ponta final ao mesmo tempo que passava bem as subidas. Arrancou bem a temporada e também finalizou entre os melhores nas clássicas italianas.
O menos
Depois de ter feito uma excelente temporada na Terengganu, Merhawi Kudus regressou a uma formação europeia, só que este regresso não correu nada bem e havia expectativa de ser um dos líderes da Burgos em 2025. O eritreu esteve alguns meses afastados por lesão e quando regressou não conseguiu bons resultados nas clássicas italianas e nas provas por etapas que correu. Hoje, acabou de ganhar os Campeonatos de África, pode ser o ponto de viragem que precisava.
Mario Aparicio nem começou mal o ano, só que terminou com menos de metade dos pontos UCI face a 2024 e Ander Okamika também esteve em subrendimento.
O mercado
| Entradas | Saídas | |||
| Ciclistas | Equipa de origem | Ciclistas | Equipa de destino | |
| Adrián Fajardo | Vigo – Rias Baixas | Antonio Angulo | ? | |
| Jesus Herrada | Cofidis | David Delgado | ? | |
| César Macias | Petrolike | Ángel Fuentes | Reforma | |
| Lorenzo Quartucci | Team Solution Tech – Vini Fantini | George Jackson | ? | |
| Martin Rey | Club Ciclista Padronés – Cortizo | David Martin | Reforma | |
Globalmente foi um bom mercado para a Burgos-BH na perspectiva que não perde nenhum dos melhores ciclistas (George Jackson desapontou bastante, Fuentes e e Martin retiram-se, Angulo (que já passou por Portugal) e Delgado não eram corredores de primeira linha.
Por outro lado ganham um grande líder em Jesus Herrada, um corredor deste gabarito já fazia falta a este projecto e faz lembrar de quando contrataram Daniel Navarro. O espanhol já está em declínio, aos 35 anos, no entanto a segunda metade da temporada mostrou que ainda tem capacidade para andar com os melhores nas corridas 1.1 ou 2.1 e aqui terá outro estatuto.
Lorenzo Quartucci é outro nome interessante na perspectiva de somar pontos UCI, fez 420 este ano ao serviço da Vini Fantini, que na prática é uma das rivais da Burgos-BH e será o substituto de Jackson nos sprints. César Macias é outro sprinter, de apenas 22 anos, que inclusivamente fez 2 pódios na Volta a França do Futuro este ano.
O que esperar em 2026?
Não espero mudanças de fundo na Burgos-BH em 2026, creio que há algumas alterações para melhor, em primeiro lugar ganharam um líder no corpo de Jesus Herrada, uma voz de comando e alguém que ainda pode conseguir alguns bons resultados e julgo que faltava essa referência. Quartucci e Macias vão dar opções e profundidade nos sprints e seria bom ver a equipa nas corridas portuguesas, creio que confere boa competitividade ao pelotão nacional visto que o nível é semelhante. Há a curiosidade para ver se Kudus consegue recuperar da lesão que sofreu e voltar a apresentar um bom nível, seria uma agradável surpresa se isso acontecesse. Em termos de ranking creio que tem tudo para manter o lugar, talvez melhorar 1 ou 2 posições.