Pelo segundo ano consecutivo a mega estrutura britânica está fora do top 5, o que diz bem da queda de lugares na hierarquia. Podemos afirmar que melhorou face ao desastre de 2024, principalmente se considerarmos o número de vitórias.
Os dados
Vitórias: 28 triunfos, precisamente o dobro face a 2024 e com a particularidade de terem ganho em todas as Grandes Voltas e quase metade das vitórias foi no World Tour.
Ciclista mais vitorioso: Samuel Watson, o campeão nacional de estrada, foi o único a alcançar as 4 vitórias.
Dias de competição da equipa: 249 dias, um calendário bastante comum nas equipas World Tour.
Idade média do plantel: 28,9 anos, alguns super veteranos puxam esta média bem para cima, são 6 os corredores com mais de 35 anos.
Mais kms: O consistente Ben Turner foi quem mais competiu, o único a alcançar a marca dos 13 000 kms
Melhor vitória: Foi muito bom ver Egan Bernal ganhar novamente na Vuelta, mas o final foi muito pobre, escolho a etapa 14 do Tour quando Thymen Arensman foi o único sobrevivente da fuga face a Pogacar e Vingegaard numa grande etapa de montanha.
O mais
Thymen Arensman teve das temporadas mais estranhas que tenho memória. Iniciou bem no Paris-Nice quando nem se estava à espera, fechou no pódio, faz um bom Tour of the Alps, parecia encaminhado para um excelente Giro e passa completamente despercebido. Quando ninguém dava novamente nada por ele, vai ao Tour fazer 12º e conquistar 2 etapas com estrondo, nessa altura pensei que já não estivesse a esse nível. Foi também a melhor época de Bernal desde o regresso, fez 7º no Giro, ganhou 1 etapa na Vuelta, fez top 10 em Monumentos, deixou no ar uma réstia de esperança de ainda vermos um Bernal pré-2021.
Vimos um Ben Turner transformado num sprinter perigoso, principalmente em grupos reduzidos e em provas com menor concorrência, um Victor Langellotti que até no World Tour provou ser um nome a ter em conta nas chegadas mais durinhas e um Filippo Ganna que na Milano-SanRemo fez uma exibição memorável ao bater-se de igual para igual com Van der Poel e Pogacar. Nota ainda para a excelente época realizada por Samuel Watson, um ciclista que aproveitou bem as oportunidades ainda que não se saiba muito bem o seu perfil e o seu limite.
O menos
Temos de mencionar aqui obviamente Carlos Rodriguez, aquela que supostamente era a grande esperança da Ineos-Grenadiers para voltar aos pódios nas Grandes Voltas, é que não foi só o que aconteceu no Tour onde nem terminou a competição, todo o ano foi bem abaixo das expectativas, foi rara a vez que conseguiu entrar sequer no top 5, 2026 vai ser um ano decisivo para a carreira do espanhol. Esperava também uma evolução muito maior por parte de Magnus Sheffield, o promissor norte-americano até arranca bastante bem no Paris-Nice e depois apaga-se completamente, mal o vimos no resto da época e aqui parece-me claramente um caso de alguém que tem de escolher um caminho a seguir, ou as Grandes Voltas ou as clássicas.
De resto Joshua Tarling não mostrou propriamente sinais de ir dominar o panorama do contra-relógio como parecia no final de 2024, Tobias Foss continuou bem abaixo do que já mostrou a espaços fazer e Caleb Ewan não se pode propriamente considerar uma desilusão.
O mercado
| Entradas | Saídas | |||
| Ciclista | Equipa de origem | Ciclista | Equipa de destino | |
| Dorian Godon | Decathlon AG2R La Mondiale Team | Michael Leonard | EF Education – EasyPost | |
| Jack Haig | Bahrain – Victorious | Jonathan Castroviejo | Reforma | |
| Theodore Storm | Team Lotto Kern-Haus PSD Bank | Caleb Ewan | Reforma | |
| Embret Svestad-Bardseng | Arkéa – B&B Hotels | Omar Fraile | Reforma | |
| Kévin Vauquelin | Arkéa – B&B Hotels | Salvatore Puccio | Reforma | |
| Sam Welsford | Red Bull – BORA – hansgrohe | Geraint Thomas | Reforma | |
Isto é claramente um virar de página na Ineos, 5 dos 6 corredores que saem retiram-se do ciclista, o que baixa a média de idades da equipa em mais de 1 ano para 2026, diria que a perda mais impactante até é de Jonathan Castroviejo porque tudo o que ele oferecia em termos de trabalho e experiência na estrada. Atenção que ainda se fala na contratação de Oscar Onley, que parece insatisfeito na Picnic e caso isso se confirme é porque realmente a Ineos considera que nenhum elemento actualmente na equipa pode lutar por um pódio no Tour, algo que Onley fez ainda este ano ao finalizar em 4º.
De resto não compreendo muito bem a contratação de Dorian Godon, Jack Haig irá estar ao serviço dos líderes na montanha, Welsford vem fazer o papel de Ewan, a estrutura parece gostar sempre de ter pelo menos um sprinter puro e Kevin Vauquelin, dos reforços já anunciados, é aquele que mais entusiasma, julgo que a Ineos vê no francês um potencial líder mais para corridas de 1 semana e para as Ardenas, fazendo um pouco o papel de Thomas Pidcock.
O que esperar em 2026?
Não creio que vejamos uma enorme subida de rendimento na Ineos-Grenadiers, as mexidas de mercado não vieram capacitar a equipa de outro poderio na estrada e maximizando os resultados diria que no máximo irão subir 2 posições para 2026, e isto é com Welsford a conseguir alguns bons resultados, Carlos Rodriguez de volta a um nível aceitável, Vauquelin a andar bem nas Ardenas e Onley com o mesmo rendimento de 2025, caso se venha a confirmar a sua contratação.
O problema da formação britânica neste momento é claramente a falta de um grande líder, como li recentemente em tom de brincadeira, parece que a Ineos está a montar uma equipa para fazer 5º, 6º, 7º e 8º no Tour, com Arensman, Rodriguez, Bernal, Onley e Vauquelin. Também fico um pouco surpreso por não darem outro tipo de apoio nas clássicas do empedrado a Ganna, que tem um potencial tremendo aí, é que o italiano tem apenas Sheffield e Turner com ele, face a outros blocos bem mais fortes como o da Visma ou da UAE e isso faz bastante diferença a este nível.