O projecto da Decathlon-Ag2r é, de facto, diferente. Associada a uma marca história, a gigante retalhista da área do desporto entrou com força e pujança, provando também que quem duvidava da qualidade da sua marca, Van Rysel, estava redondamente enganado. 2024 já tinha sido bom, 2025 andou na mesma linha.

 

Os dados

Vitórias: 26 triunfos, menos 4 face a 2024, um aspecto que a equipa tem de melhorar é as vitórias no World Tour, foram somente 3.

Ciclista mais vitorioso: Acho que quase ninguém adivinharia isto, mas Dorian Godon e Nicolas Prodhomme assinaram 6 vitórias cada um.

Dias de competição da equipa: 255 dias, um calendário à base do World Tour e com alguns complementos, nomeadamente todas as corridas do calendário nacional.

Idade média do plantel: 27,4 anos, globalmente é um plantel com uma idade bastante jovem.

Mais kms: Callum Scotson foi o maratonista do ano ao superar a barreira de 12 000 kms.

Melhor vitória: Tem de ser o único triunfo obtido numa Grande Volta, e logo numa etapa de montanha do Giro por parte do surpreendente Nicolas Prodhomme.



O mais

Com Ben O’Connor de saída, Felix Gall apresentava-se como o grande líder para as Grandes Voltas e o austríaco não desapontou, finalizando o Tour num excelente 5º posto e depois ainda foi a tempo de sobreviver no top 10 da Vuelta quando já acusava o desgaste. Como sempre iniciou a época de uma maneira algo lenta, a partir da Volta a Suíça esteve a subir muito bem. Nicolas Prodhomme foi das surpresas do ano até no pelotão internacional, venceu a última etapa no Tour of the Alps e de repente parece que abriu o ketchup. Fez um grande Giro ao terminar em 15º e ganhar 1 etapa, depois dominou a Route d’Occitanie e só perdeu no Tour de l’Ain para Cian Uijtdebroeks.

Dorian Godon voltou a exibir um excelente nível, tremendamente consistente, a equipa confiou sempre nele em sprints reduzidos, só na Volta a Catalunha fez 5 top 10’s, foi campeão nacional, esteve incrível nas clássicas de final de temporada e somou mais de 1000 pontos UCI. Claro que o super talento Paul Seixas já deslumbrou, apesar da equipa ainda fazer alguma gestão, fechou o Dauphiné em 8º, foi medalhado de bronze nos Europeus de Elites, apenas atrás de Pogacar e Evenepoel e terminou em 7º no Giro di Lombardia. Nota positiva ainda para os trabalhos de Aurelien Paret Peintre e Bruno Armirail, muito importantes ao longo do ano.

 

O menos

As principais falhas ocorreram nas clássicas e nos sprints. Nas clássicas do empedrado, os maiores nomes voltaram a estar muito apagados, falamos de Stan Dewulf, mas principalmente de Oliver Naesen, que parece claramente já não ter capacidade para discutir corridas deste nível. Nas Ardenas, Benoit Cosnefroy voltou a falhar essas corridas por problemas físicos e Paul Lapeira não deu o salto que se esperava a esse nível. Esperava também um pouco mais de Pierre Gautherat e Sam Bennett foi nitidamente uma contratação falhada, pela expectativa que havia em redor do irlandês de, possivelmente, voltar ao nível de ganhar etapas em Grandes Voltas.



O mercado

Entradas Saídas
Ciclista Equipa de origem Ciclista Equipa de destino
Tobias Lund Andresen Team Picnic PostNL Bruno Armirail Team Visma | Lease a Bike
Tiesj Benoot Team Visma | Lease a Bike Sam Bennett Pinarello – Q36.5 Pro Cycling Team
Cees Bol XDS Astana Team Clément Berthet Groupama – FDJ United
Robbe Ghys Alpecin – Deceuninck Bastien Tronchon Groupama – FDJ United
Daan Hoole Lidl – Trek Geoffrey Bouchard Team TotalEnergies
Olav Kooij Team Visma | Lease a Bike Benoit Cosnefroy UAE Team Emirates – XRG
Antoine L’Hote Decathlon AG2R Development Team Dorian Godon INEOS Grenadiers
Gregor Muhlberger Movistar Team Victor Lafay Unibet Rose Rockets
Matthew Riccitello Israel – Premier Tech Andrea Vendrame Team Jayco AlUla
Dries de Bondt Team Jayco AlUla
Nans Peters Reforma

Defeso muito interessante com diversas entradas e saídas, inclusivamente de nomes de peso. Algo curioso, saem 8 franceses e entra apenas 1, é uma internacionalização de uma estrutura que até então era maioritariamente gaulesa. Saem alguns corredores que nunca corresponderam às expectativas nos últimos anos, falamos de Lafay e Cosnefroy, nesse sentido não há ninguém que entre para substituir esse potencial nas Ardenas. Vendrame, De Bondt, Berthet e Tronchon eram principalmente ciclistas de trabalho, aí existe alguma substituição. Mas o que se nota mais é o foco em 2 áreas que estavam débeis, o sprint e as clássicas do empedrado, é daqueles mercados que não conseguimos dizer se foi bom ou mau, depende do que as contratações fizerem, também porque Godon e Armirail vão fazer muita falta.




O que esperar em 2026?

Muitos vão acompanhar a equipa e o seu percurso por causa do super talentoso Paul Seixas, que aos 19 anos deixou água na boca quando apareceu ao mais alto nível. Para já está confirmado que vem ao Algarve para preparar a Strade Bianche e as Ardenas, creio que vai ser a grande aposta da equipa nessas corridas a par de Paul Lapeira, que também acredito que irá estar a um bom nível. Grandes Voltas para Paul Seixas talvez só uma experiência na Vuelta, mas talvez seja cedo demais, até porque a equipa tem essa parte mais coberta agora com a contratação de Matthew Riccitello. Eu sou da opinião que a Decathlon quis mais versatilidade no plantel porque sabe que tanto Prodhomme, como Riccitello, como Gall são corredores de top 5 máximo na classificação geral, têm algumas debilidades no contra-relógio que os impedem de fazer mais.

Nos sprints foi uma revolução e a entrada de Olav Kooij vem mudar muita coisa, o holandês tem um potencial tremendo e certamente a equipa vai apostar muito nele, a contratação de Cees Bol também diz isso, será um lançador muito bom. Depois Naesen e Dewulf fazem boas aproximações e colocações, Hoole tem experiência de um excelente comboio na Lidl-Trek e veremos qual o papel de Tobias Lund Andersen. Para as clássicas do empedrado Tiesj Benoot volta a ter liberdade total e pode fazer uma boa equipa com Olav Kooij pelas características diferentes que têm. Estou muito curioso para ver a evolução de alguns jovens talentos, nomeadamente Johannes Staune-Mittet e Leo Bisiaux.

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