Não foi um ano de muitas vitórias mas de vitórias importantes! A Alpecin-Deceuninck voltou a confiar nos seus grandes líderes, não falharam, e conseguiram vencer dois Monumentos e nas três Grandes Voltas.
Os dados
Vitórias: 18 triunfos, o número mais baixo desde 2020, mas 11 deles no World Tour, sabem onde ganhar.
Ciclista mais vitorioso: Jasper Philipsen, numa temporada “menos” ganhadora, ainda conseguiu 7 triunfos.
Dias de competição da equipa: 265 dias, uma equipa que faz o calendário World Tour e as principais competições do escalão ProSeries.
Idade média do plantel: 28,2 anos, muita juventude (aproveitando a equipa de desenvolvimento) e alguma veterania (com 11 trintões).
Mais kms: o combativo Jonas Rickaert foi o único a superar a barreira dos 13 000 kms.
Melhor vitória: Mathieu van der Poel teve grandes triunfos mas, pela forma como foi conseguida, o triunfo épico na Milano-Sanremo, depois do duelo frente a Tadej Pogacar e Filippo Ganna.
O mais
A estabilidade da equipa são as suas grandes figuras e, novamente, voltaram a não falhar. Comecemos por Mathieu van der Poel, o neerlandês é um ciclista de grandes momentos e competições, venceu Milano-Sanremo e Paris-Roubaix e foi 3º no Tour de Flandres entre os Monumentos, para além de ter ganho E3 Saxo Classic, 1 etapa no Tour e liderança da prova e 1 etapa e 2º na geral do Renewi Tour. 41 dias de competição muito eficazes, Van der Poel é uma máquina de grandes resultados.
Jasper Philipsen não esteve ao nível do ano passado, o foco inicial nas clássicas acabam por lhe retirar alguma velocidade e capacidade de disputar os sprints e depois a queda no Tour afastou da luta por mais vitórias e pela verde. Mesmo assim, venceu no Tour e na Vuelta, envergou a liderança em ambas as provas e mostrou que também consegue render nas clássicas, ganhando a Kuurne-Brussels-Kuurne e fazendo 3º na Omloop. Kaden Groves venceu no Giro e no Tour, um feito ao nível de poucos, é mais que um sprinter e aproveita as oportunidades. Tibor del Grosso começou a ganhar outro estatuto, somou algumas vitórias e destacou-se em semi-clássicas.
O menos
A Alpecin-Deceuninck é uma equipa de 2 grandes figuras, as grandes expectativas estão nesses nomes, os restantes são principalmente gregários e não há espaço para haver grandes desilusões. Mesmo assim, se tivéssemos de apontar um nome é Gianni Vermeersch, não pelo seu papel de gregário, assim sempre cumpriu, mas pelo que não aproveitou quando teve as suas oportunidades, baixou muito o nível em relação a 2024. Com Jasper Philipsen e Kaden Groves, as oportunidades de outros nomes aparecerem são menores, mesmo assim Henri Uhlig e Jensen Plowright têm qualidade para mais, raramente aproveitaram as suas chances, que ainda foram algumas.
O mercado
| Entradas | Saídas | |||
| Ciclista | Equipa de origem | Ciclista | Equipa de destino | |
| Maurice Ballerstedt | – | Lars Boven | Reforma | |
| Lennert Belmans | Alpecin-Deceuninck Development Team | Jimmy Janssens | Reforma | |
| Aaron Dockx | Alpecin-Deceuninck Development Team | Samuel Gaze | ? | |
| Senna Remijn | Alpecin-Deceuninck Development Team | Juri Hollmann | ? | |
| Sente Sentjens | Alpecin-Deceuninck Development Team | Robbe Ghys | Decathlon CMA CGM Team | |
| Francesco Busatto | Intermarché – Wanty | Quinten Hermans | Pinarello – Q36.5 Pro Cycling Team | |
| Gerben Thijssen | Intermarché – Wanty | Timo Kielich | Team Visma | Lease a Bike | |
| Lindsay de Vylder | Team Flanders – Baloise | Xandro Meurisse | Pinarello – Q36.5 Pro Cycling Team | |
| Jonas Geens | Team Flanders – Baloise | Fabio van den Bossche | Soudal Quick-Step | |
| Hugo Houle | Israel – Premier Tech | Stan van Stricht | Soudal Quick-Step Devo Team | |
| Tim Marsman | VolkerWessels Cycling Team | Gianni Vermeersch | Red Bull – BORA – hansgrohe | |
| Florian Senechal | Arkéa – B&B Hotels | |||
Mercado de revolução total, 11 saídas e 12 entradas! Olhando para as saídas, há nomes a destacar, o bloco de clássicas vai sentir as perdas de Gianni Vermeersch, Quinten Hermans e Timo Kielich, todos ciclistas de grande valia também para a preparação de sprint e que partem à procura de mais oportunidades. A saída do experiente Xandro Meurisse pode vir a sentir-se, o belga era um dos poucos “trepadores” e que transmitia muita sabedoria.
As entradas são todos nomes poucos sonantes, reforçou importantes para completar o elenco e, quem sabe, ter oportunidades em provas menores. A equipa de desenvolvimento continua a servir e muito, foram promovidos 4 jovens talentos, sendo que destacamos Sente Sentjens (jovem sprinter) e Senna Remijn (mais talhado para as clássicas). Gerben Thijssen vem tentar relançar a carreira, um sprinter que tem estado muito apagado, e da mesma equipa chega Francesco Busatto, jovem talento para as clássicas acidentadas. Por fim, destacamos Lindsay de Vylder, excelente pistard que pode ser uma importante adição ao comboio da equipa, e veremos se Florian Senechal consegue relançar a carreira e ser útil no bloco de clássicas/sprint.
O que esperar em 2026?
Pouco muda apesar das muitas mexidas no plantel. A Deceuninck dá lugar à Premier Tech, permite outra estabilidade e garantir que as grandes figuras e líderes confiam no projeto e permanecem de corpo e alma no mesmo. Como já referimos, Mathieu van der Poel é um ciclista de grandes momentos, na Primavera vai conquistar, com toda a certeza, pelo menos 1 Monumento e brilhar nos restantes. Jasper Philipsen também se vai focar neste departamento, antes de voltar a apontar ao Tour, terá um calendário longo mas é alguém que não se importa de assumir a responsabilidade. Sem azares, consegue ultrapassar as 10 vitórias na temporada.
Tibor del Grosso vai continuar a ganhar espaço, é uma grande aposta de futuro da equipa, tem de aproveitar as oportunidades dadas nas clássicas. Kaden Groves é alguém que costuma escolher o calendário de forma exemplar, maximiza ao máximo os resultados, esperamos mais do mesmo. Olhando para segundas linhas, será importante ver a evolução de Jensen Plowright, ver se Gerben Thijssen consegue “renascer” em provas menores (como o próprio já admitiu) e ver se os trepadores como Luca Vergallito e Ramses Debruyne conseguem algum destaque, numa equipa onde os ciclistas deste tipo não abundam. No final de tudo, esperamos mais uma temporada dentro do top-10 e, quem sabe, sem azares, deverão melhorar o registo deste ano.