Análise final das equipas presentes no Giro 2019

AG2R La Mondiale – 14

O inesperado Nans Peters salvou a honra do convento, aproveitou uma fuga para andar de camisola branca e aproveitou outra fuga para triunfar na etapa 17. A altura não podia ter sido melhor, mesmo quando Tony Gallopin se encaminhou para casa depois de um Giro algo discreto e quando Alexis Vuillermoz teve alguns problemas, nomeadamente um ataque de asma que lhe provocou uma aparatosa queda.

Globalmente foi então um Giro discreto que foi apimentando pelo jovem Nans Peters, Nico Denz chegou a estar perto de novo triunfo, enquanto Hubert Dupont, Bem Gastauer e Larry Warbasse nem se viram.

 

 

Androni Giocattoli-Sidermec – 16

De longe o melhor Giro dos últimos anos para os comandados de Gianni Savio. Não foi só a vitória de Fausto Masnada na etapa 6, o jovem italiano esteve próximo de mais 2 triunfos, enquanto que Andrea Vendrame e Mattia Cattaneo conseguiram também estar no pódio e muito próximos da glória. Estiveram sempre lá nos momentos importante, em todas as fugas que resultaram e Masnada ainda acabou em 2º na montanha e 4º nos pontos, ficando com o Cima Coppi.

Marco Frapporti apareceu quase sempre na escapada em dias planos, mesmo quando poucos queriam ser perseguidos pelas equipas dos sprinters. Manuel Belletti fechou por 5 ocasiões no top 10 e a única nota negativa vai para Francesco Gavazzi que quase nunca apareceu.

 

Astana Pro Team – 17

Mais uma vez Miguel Angel Lopez termina uma Grande Volta a perguntar a si mesmo o que poderia ter acontecido sem todos os azares. Basicamente o colombiano teve problemas em 3 das etapas que mais diferenças fizeram entre os favoritos, furou no contra-relógio mais longo, teve um problema mecânico na etapa de montanha que mais diferenças provocou e no penúltimo dia caiu graças a um espectador, na jornada com mais acumulado do Giro.

Lopez acabou com a camisola branca e a Astana com 3 triunfos graças a Pello Bilbao (2) e Dario Cataldo (1), numa prestação que volta a ser altamente positiva como um todo. A equipa cazaque esteve sempre ao ataque, sempre em fugas, sempre à procura de mais e melhor e mesmo aqueles que não festejaram como Jan Hirt muito fizeram em prol do seu líder.

 

Bahrain-Merida – 15

Colectivamente uma excelente imagem, mas a realidade é que se não fosse o 2º posto de Vincenzo Nibali a Bahrain-Merida sairia de mãos a abanar. Aos 34 anos o Tubarão de Messina provou que ainda está para as curvas, foi um ciclista incrivelmente consistente e só mesmo um genial Carapaz e uma fantástica Movistar o derrotaram.

A ele e à Bahrain-Merida, que teve em Damiano Caruso e Domenico Pozzovivo 2 figuras cruciais, fundamentais e diríamos mesmo que por tudo o que trabalhou Caruso é uma das grandes figuras deste Giro, assentar-lhe-ia bem o triunfo em Pinerolo, que ficou para Benedetti.

 




 

Bardiani-CSF – 10

Fizeram o possível com a fraca equipa que tinham, sem um grande líder, sem uma estrela. A grande figura e o único ciclista que realmente apareceu neste Giro foi Giovanni Carboni, 5º na etapa 6 e 4º na etapa 19 ainda cheirou o triunfo e chegou a andar de camisola branca.

De resto muitas presenças em fugas, especialmente de Mirco Maestri e nem nos sprints se viu propriamente Paolo Simion. Tendo em conta aquilo que eles já mostraram esperávamos mais de Enrico Barbin e Manuel Senni.

 

 

Bora-Hansgrohe – 19

Que grande Giro fez a Bora-Hansgrohe! Sai de Itália com 3 triunfos (2 de Pascal Ackermann e 1 de Cesare Benedetti), com a classificação por pontos e ainda com o 6º posto de Rafal Majka (só faltou Davide Formolo fazer top 10 também). Pascal Ackermann foi para nós o melhor sprinter da competição, o mais polivalente, o mais consistente, o mais resistente e portanto a classificação por pontos fica muito bem entregue, ainda para mais numa equipa que sempre trabalhou para ela. Muita gente considerava um erro levar Ackermann ao Giro, mas o campeão germânico provou o contrário.

Benedetti teve aqui uma espécie de prémio de carreira que nem ele esperava, numa escapada com grandes nomes saiu por cima. Rafal Majka foi competente sem ser brilhante, quase nunca atacou, quase nunca arriscou e quase nunca aproveitou uma guerra entre os grandes candidatos. Ainda ameaçou uma quebra na 3ª semana, mas recuperou a tempo de somar o 5º top 10 em Grandes Voltas nos últimos 7 anos. Formolo voltou a mostrar que tem qualidade, mais como classicómano e provas de 1 semana, volta a falhar em dias cruciais das Grandes Voltas. Nota ainda para Rudiger Selig e Michael Schwartzmann pelos tremendos lançamentos que fizeram para Ackermann.

 

CCC Team – 9

Partiam sem grandes expectativas e saíram sem grandes resultados. Para primeira experiência em Grandes Voltas e com uma preparação condicionada Amaro Antunes não esteve nada mal, esteve em 2 fugas vitoriosas que lhe valeram um 10º e um 3º lugar e certamente as bases que este Giro lhe deu podem ser preciosas para o resta da temporada depois de um merecido descanso.

Victor de la Parte foi activo, consistente e termina às portas do top 20, o irregular Jakub Mareczko só esteve por 2 vezes no top 10 e Josef Cerny sacou um bom 6º lugar na última etapa.

 

 

Deceuninck-QuickStep – 8

Não é muitas vezes que dizemos, mas esta prova foi bem negativa em termos de resultado final para a formação belga. Bob Jungels partia com o top 10 como objectivo e teve uma competição péssima, nunca mostrou capacidade para andar entre os melhores, James Knox era a figura secundária para a montanha e abandonou bem cedo.

Elia Viviani até cruzou a meta em primeiro numa etapa mas foi relegado por sprint irregular, a partir daí o campeão italiano nunca mais se conseguiu encontrar e levantar psicologicamente desse rude golpe. A partir daí Florian Senechal, Pieter Serry e Eros Capecchi procuraram ganhar etapas, até estiveram relativamente perto, só que não tiveram sucesso. Os olhos estão agora postos em Julian Alaphilippe para o Tour.




 

EF Education First – 13

Os comandados de Jonathan Vaughters voltaram a provar que 2019 significou um salto na performance. Hugh Carthy foi o melhor colocado na geral, em 11º e o facto de ter ficado fora do top 10 deve-se ao dia mau no Lago Serrú, que o levou a perder 7 minutos para os seus rivais. Joe Dombrowski voltou a mostrar talento, terminou em 12º num Giro que trabalhou para Kangert e Carthy a um determinado momento.

A EF Education First parecia apostada no top 10 de Kangert, quando o ciclista da Estónia quebrou e passou a lutar por etapas o foco passou para Hugh Carthy e pode ter sido um pouco tarde demais. Ainda assim Kangert revelou-se uma aposta acertada. A grande desilusão foi Sacha Modolo, que precisa urgentemente de revitalizar a sua carreira, talvez um regresso a uma equipa italiana esteja nas cartas. Deixou o Giro depois de 1 semana e só com 1 top 10. A partir daí foi Sean Bennett a sprintar.

 

Groupama-FDJ – 14

Fica um enorme amargo de boca apesar da etapa conquistada por Arnaud Demare, a equipa principalmente a partir de meio do Giro trabalhou imenso para que o seu sprinter conquistasse a classificação por pontos, ambição que ficou por terra na última etapa plana. Pena porque o comboio de Sinkeldam e Guarnieri voltou a funcionar.

Valentin Madouas é o outro motivo do amargo de boca, às portas do top 15 e próximo de ganhar 1 etapa ficou o jovem francês, uma das confirmações da competição. O que fez foi ainda mais impressionante pois não contou com nenhuma ajuda na montanha, Madouas pode ser um caso sério nas provas de 1 semana em 2020.

 

Israel Cycling Academy – 11

A equipa bem apostou em sprinters para a temporada e voltou a fazer essa aposta no Giro, com Davide Cimolai. Há que dizer, a aposta falhou, Cimolai nunca conseguiu realmente subir o nível e estar junto dos melhores, não logrou nenhum pódio e top 5 foi somente 1. A equipa trabalhou bem em volta de Cimolai, Sbaragli e Boivin foram 2 bons lançadores.

Ruben Plaza apareceu pouco, a fuga na etapa 6 onde fez 4º foi a excepção, a idade já pesa no veterano espanhol que já passou por Portugal. Krists Neilands tentou, maioritariamente na última semana e ainda foi 5º na tirada 17, o letão teima em ter resultados que confirmem o seu potencial. O resto da equipa foi discreta, muito discreta.

 

Lotto Soudal – 15

Caleb Ewan superou as expectativas e levou de vencidas duas etapas, algo que foi alicerçado com um bom comboio, algo que ainda não se tinha visto este ano. Roger Kluge, Tosh van der Sande e Jasper de Buyst fizeram um trabalho exemplar em prol do seu líder até este abandonar, como já estava previsto desde o início.

A fazer a primeira das três Grandes Voltas, Thomas de Gendt foi uma pequena desilusão, entrou em várias fugas mas nunca esteve em destaque, sendo que o seu melhor resultado foi no dia de ontem, no contra-relógio ao ser 3º. Contra-relógios foi onde se destacou Victor Campenaerts, que por duas vezes bateu na trave, ao ser 2º. Adam Hansen e Jelle Vanendert não se viram ao longo das 3 semanas.




Mitchelton Scott – 12

Comparando com as últimas Grandes Voltas realizadas, o Giro foi uma desilusão para a formação de Matthew White. Simon Yates partia com grandes expectativas mas nunca conseguiu acompanhar os melhores, acabando num modesto 8º lugar. A espaços, pareceu melhorar mas eram apenas pequenos laivos daquilo que o britânico vale.

A honra do convento foi salva por Esteban Chaves que, ao 19º dia, deu uma vitória em etapa à equipa australiana, um triunfo que o colombiano muito procurou. Mikel Nieve não andou mal mas já o vimos a fazer bastante melhor. Quem surpreendeu pela positiva foi Lucas Hamilton, que na sua estreia em Grandes Voltas se mostrou bastante ofensivo e ainda conseguiu trabalhar para Yates. Chris Juul Jensen foi combativo. Esperávamos mais de Brent Bookwalter e Luke Durbridge.

 

Movistar Team – 20

Onde andava esta Movistar? Mikel Landa era o líder à partida mas após os dois primeiros contra-relógios já estava com 5 minutos de atraso, o que abriu as portas para Richard Carapaz assumir a liderança. Duas vitórias em etapa para o equatoriano que foi o mais forte durante as 3 semanas, conquistando de forma convincente o Giro. Merecido para o ciclista que mais atacou!

Mikel Landa voltou ao seu nível, tendo sido 4º e estando perto de ganhar etapas. Na primeira semana, os protagonistas foram Andrey Amador e José Joaquin Rojas que integraram várias fugas e chegaram a estar no top 10, sendo que o mais veterano chegou a lutar pela camisola rosa. Hector Carretero e Antonio Pedrero revelaram-se dois super-gregários na montanha, andando a um nível ainda não evidenciado. Jasha Sutterlin e Lluis Mas foram, também, importantes.

 

Nippo-Vini Fantini – 13

Reduzidos a sete elementos após a etapa inicial, a equipa italiana não partia com muitas expectativas. Fugas atrás de fugas, como tínhamos previsto, teve em Damiano Cima o expoente máximo, não fosse o italiano o ciclista que mais quilómetros em fuga andou neste Giro. Tudo isto coroado com o triunfo inesperado na 19ª etapa.

Giovanni Lonardi confirmou a sua boa temporada, conseguindo alguns top 10 em etapas ao sprint. Marco Canola foi combativo mas esperávamos um pouco mais nas chegadas mais duras, tal como com Juan José Lobato e Nicola Bagioli. A idade já começa a pesar em Ivan Santaromita, não apresentando resultados de relevo. Sho Hatsuyama foi falado por ter sido o “lanterna-vermelha”.

 

Team Dimension Data – 8

O Giro da equipa sul-africana foi um espelho do que tinha sido a sua época até agora: uma fracasso. Giacomo Nizzolo nunca esteve perto de discutir as etapas ao sprint, tal como aconteceu com Ryan Gibbons. Nem com a presença de Mark Renshaw e Danilo Wyss no comboio tal foi possível.

Bem O’Connor foi uma nulidade na montanha, ao contrário do que tinha acontecido na temporada passada, mas nada que nos surpreenda, tendo em conta a sua temporada. Enrico Gasparotto também esteve longe do seu melhor. Scott Davies e Amanuel Ghebreigzabhier foram combativos, mostrando a camisola da equipa em fugas.

 




 

Team Jumbo-Visma – 17

A equipa de um homem só. Quase parece que Primoz Roglic fez esse Giro sozinho, já que quando necessitou de apoio não o teve. O esloveno partiu como o grande favorito e acabou em 3º da geral, ganhando os dois primeiros contra-relógios deste Giro. A ausência de Laurens de Plus notou-se e muito.

Sepp Kuss, Antwan Tolhoek e Koen Bouwman não são maus trepadores no entanto o seu nível não era o ideal para apoiar Roglic quando a estrada inclinava. Tom Leezer e Paul Martens tentaram ajudar enquanto podiam, acontecendo o mesmo com Jos van Emden que, nos contra-relógios não se conseguiu destacar, algo que compreendemos dado a orografia dos mesmos.

 

 

Team INEOS – 13

Orfã de Egan Bernal, a “nova” equipa britânica acabou por realizar um Giro muito positivo. Pavel Sivakov foi a grande figura, ele que na sua estreia em Grandes Voltas terminou num muito positivo 9º lugar. Muito lutou pela juventude, nunca entrou em pânico quando ficava para trás. Um talento nato!

Tao Geoghegan Hart era o líder à partida mas a fratura de clavícula à 13ª etapa acabou com o Giro do britânico. Eddie Dunbar vinha em grande forma e esteve, por várias vezes, em fuga e perto de vencer. Ivan Ramiro Sosa passou um pouco ao lado da prova, um ciclista de quem aguardávamos melhores resultados. Sebastian Henao foi, mais uma vez, um poço de regularidade, andando bem e ajudando o seu líder. Christian Knees, Jhonatan Narvaez e Salvatore Puccio pouco ou nada se ouviram falar.

 

Team Katusha-Alpecin – 13

Um Giro melhor do que aquilo que estávamos à espera! A equipa de José Azevedo partia com o objetivo que colocar Ilnur Zakarin entre os dez primeiros e isso foi conseguido mesmo à justa. A juntar a isso, o russo venceu, de forma categórica, uma das etapas mais espetaculares da edição deste ano.

O resto da equipa pouco ou nada se viu. Enrico Battaglin teve quedas atrás de quedas, acontecendo o mesmo com Marco Haller e Daniel Navarro, que foi forçado a abandonar logo na 4ª etapa. Jenthe Biermans e Viacheslav Kuznetzov mostraram-se nas chegadas ao sprint. Reto Hollenstein e Dmitry Strakhov foram elementos fantasma.

 

Team Sunweb – 12

Uma queda na quarta etapa estragou a planificação da Team Sunweb para este Giro. Tom Dumoulin foi forçado a abandonar e a equipa teve que definir novos objetivos. Sam Oomen podia ser um ciclista a poder terminar no top 10, mas também caiu e veio para casa mais cedo, numa equipa que cedo ficou reduzida a 4 elementos.

Os jovens Chris Hamilton e Jai Hindley apareceram em algumas fugas das etapas de montanha, aparecendo mais que Jan Bakelants. O experiente belga esboçou alguns ataques no entanto podemos dizer que passou ao lado do Giro. Se estava a ser um desastre, tudo mudou no dia de ontem! Chad Haga fez um contra-relógio de sonho e deu uma vitória que salvou a prova à formação alemã.




 

Trek-Segafredo – 18

A Trek-Segafredo acordou!  Há quanto tempo não víamos uma performance destas da equipa norte-americana? Bauke Mollema fez a sua melhor Grande Volta desde a Vuelta 2011, terminando num fabuloso 5º lugar, isto depois de evitar aquelas grandes quebras que tanto o caraterizaram nas últimas temporadas.

Mesmo assim, o grande destaque na Trek-Segafredo tem que ser Giulio Ciccone. Vencedor indiscutível da classificação da montanha – com mais do dobro dos pontos do segundo – e vencedor de uma das etapas mais duras, o trepador italiano foi um dos mais combativos deste Giro. Gianluca Brambilla continua longe do seu melhor, apesar de ter aparecido a espaços. Nicola Conci esteve ao seu nível, acontecendo o mesmo com Will Clarke, Michael Gogl e Markel Irizar, todos gregários para a primeira parte da prova. Por fim, Matteo Moschetti mostrou ter uma forte ponta final até ter sido obrigado a abandonar.

 

UAE Team Emirates – 15

Giro positivo para uma equipa onde não foram as grandes figuras os principais destaques. É verdade que Fernando Gaviria ganhou uma etapa no entanto o colombiano nunca esteve no seu melhor. Diego Ulissi esteve perto por várias vezes mas também não conseguiu a desejada vitória.

Valerio Conti, primeiro, e Jan Polanc, depois, deram à UAE Team Emirates a camisola rosa durante 8 etapas, algo que não era esperado no início do Giro e que a equipa árabe tento defender enquanto pôde. Simone Consonni fez o que estava ao seu alcance para suprimir a ausência de Gaviria nas chegadas ao sprint. Juan Sebastian Molano só esteve 3 dias, já que foi obrigado a abandonar por parte da equipa. Tom Bohli e Marco Marcato fora ciclistas que pouco se viram.




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