O Tour de France regressa após um merecido dia de descanso com uma etapa de média montanha mas muito dura! Num local de má memória para Tadej Pogacar, teremos o esloveno a querer vingança?
Percurso
Aurillac recebe a partida da 10ª etapa do Tour, um dia que começa com 62,5 kms mais acessíveis, que leva ao Côte de Pailherols (3,1 kms a 6,8%). 25 kms volvidos, surgem duas subidas de forma consecutiva, primeiro Col de la Griffoul (6 kms a 6,7%), seguido do Col de Prat de Bouc (3,1 kms a 6%). Lá no alto, os ciclistas estão a meio da etapa e segue-se uma rápida descida até ao Côte de Murat (5,2 kms a 5%).
Tudo isto leva à grande subida do dia, a ascensão de Puy Mary – Pas de Peyrol (7,7 kms a 5,9% com os derradeiros 2,2 kms a 8,8%) que promete animar muito a corrida. Descida de 12 kms até ao sopé do Col du Pertus (4,5 kms a 8,3%), mais 5 kms de descida e subida final para o Col de Font de Cère (3,5 kms a 5,5%). O topo da subida fica a 3 kms da chegada, um final completamente plano até Le Lorian.
Táticas
Em teoria, este é um bom perfil para uma fuga ter o seu sucesso mas olhando para os perfis dos dias seguintes serão praticamente descanso ativo para os homens da geral e os ciclistas a pensar em fugas. Com tudo isto, esperamos um dia muito rápido, bem parecido com o que aconteceu na etapa 9 e, tal como nesse dia, esperamos uma etapa ofensiva da UAE Team Emirates. A chegada a Le Lorian e Tadej Pogacar têm contas a ajustar, o esloveno perdeu nesse local para Jonas Vingegaard em 2024 e, conhecendo o campeão do Mundo, vai querer vingança.
A equipa árabe tem um bloco muito forte, se quiser consegue controlar a corrida, apesar de toda a dureza ao longo do dia. Mesmo assim, não será tarefa fácil, só que já vimos que após dias de descanso há sempre algum ciclista que tem um dia mau e, aí, mais equipas da geral podem juntar-se à festa e assumir as despesas de corrida. Díriamos 60 vs 40 na luta entre pelotão vs fuga.
Favoritos
Tadej Pogacar – um homem com uma missão! A já referida derrota em 2024 ainda deverá estar marcada na memória do esloveno, por isso deverá querer vingança. Qualquer terreno é o terreno de Pogacar, mas este rompe pernas faz lembrar as clássicas onde tem sido um dos claros dominadores. A vencer vai querer chegar sozinho, evitando surpresas.
Richard Carapaz – começamos a entrar no terreno do ex-campeão olímpico, a partir da segunda semana começa a render muito mais. Apesar de ser um trepador de luxo, este terreno de sobe e desce constante e duro é perfeito para o estilo de corrida do equatoriano. Numa fuga, Carapaz é um osso duro de roer, vale mais quebrar do que não tentar.
Outsiders
Isaac del Toro – já com uma vitória no Tour, o mexicano será, fundamentalmente, o braço direito de Pogacar mas se sentir a oportunidade e tiver a chance para brilhar não vai desperdiçar. Em Barcelona, vimos que tem uma grande ponta final, capaz de superar tudo e todos, seja num duelo direto ou mesmo antecipando o sprint final.
Paul Seixas – na alta montanha pode ainda não estar ao nível dos melhores, mas neste terreno estilo clássicas, o jovem francês é um enorme perigo. Corredor muito explosivo em subidas curtas e inclinadas e muito rápido em grupos restritos, Seixas tem aqui uma oportunidade de ouro … ainda para mais em Dia da Bastilha! Um francês a vencer no dia nacional seria o sonho!
Tobias Halland Johannessen – pode já estar afastado da geral, mas nada apaga a temporada incrível que está a fazer. 2º ontem, mostrou que está em excelente forma e que teve apenas um dia mau. Este é o terreno onde o norueguês consegue brilhar e, numa Uno-X com a confiança em alta, tudo pode fluir melhor.
Possíveis surpresas
Jonas Vingegaard – local de boas recordações para o dinamarquês, estará confiante. O Tourmalet mostrou que está um nível abaixo de Pogacar mas Vingegaard é daqueles ciclistas que costuma melhor com o passar dos dias. Será que o raio vai cair duas vezes no mesmo sítio?
Remco Evenepoel – terreno perfeito para o ciclista belga, rompe-pernas onde o descanso é praticamente impossível, logo alguma das ofensivas tem de funcionar. Sabendo que na alta montanha é mais complicada, Evenepoel tem de tentar nestes dias.
Florian Lipowitz – mostrou no Tourmalet que é dos melhores a subir, mas a alta montanha e este tipo de terreno é completamente diferente. Apesar de tudo, num dia mais duro terá vantagem, pode formar uma dupla perigosa com Evenepoel.
Tom Pidcock – afastado da geral, o britânico já começou a virar o foco para as etapas, ainda ontem foi 3º, num terreno muito idêntico a este. Mais uma oportunidade de ouro para o britânico, um ciclista que também é rápido em grupos restritos.
Alex Baudin – desde a vitória no Dauphiné que está a andar muito bem, o que a confiança faz a um ciclista. Ainda não atingiu o nível de outros nomes já referidos, mas se estiver na fuga certa, é daqueles ciclistas que já merece a vitória.
Maxim van Gils – a alternativa da Red Bull-BORA para a fuga, um ciclista de grande nível para este tipo de terreno. É daqueles que não precisa de muitas oportunidades para brilhar, é de grandes momentos.
Lennert van Eetvelt – uma das grandes incógnitas, nunca sabemos o que esperar do belga, alguém capaz de fazer exibições de grande nível como chegar no grupetto. É neste terreno estilo clásicas, que o puncheur francês tem de aparecer.
Pablo Castrillo – em nossa opinião, é a grande esperança da Movistar para vencer uma etapa, já esteve em várias fugas neste Tour. Se na alta montanha não tem o nível, é aqui que tem de aparecer.
Valentin Paret-Peintre – mais uma das esperanças francesas para amanhã. O franzino ciclista da Soudal Quick-Step prefere a alta montanha no entanto numa corrida mais endurecida, a capacidade como trepador também conta … e muito.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Jordan Jegat e Marco Frigo.