Chegou o momento das decisões! Primeira de duas etapas de montanha e chegadas em alto consecutivas na La Vuelta. Consuguirá Enric Mas aguentar as ofensivas dos rivais? Teremos João Almeida na luta pela vitória?
Percurso
Longa maratona de 210 quilómetros com 4000 metros de desnível acumulado positivo. Os primeiros 75 kms são os mais simples, relativamente planos até ao início das dificuldades, com a primeira a ser o Puerto de las Abejas (14,6 kms a 4,3%). Curta descida e os ciclistas iniciam logo a ascensão ao Puerto del Viento (13,2 kms a 3,7% mas com 7,1 kms a 5,8% a começar e 3,4 kms a 5% a terminar). 15 kms depois há uma subida não categorizada com 3800 metros a 5,4% e depois de uma fase de plano os ciclistas têm uma longa descida com cerca de 15 kms.
Um vale com pouco mais de 20 kms leva ao início da subida final para Peñas Blancas. 18 800 metros a 6,5% para terminar a etapa, uma das subidas mais longas desta Vuelta, uma subida muito regular, quase sempre a rondar a inclinação média. A zona mais difícil até está no final com os derradeiros 2800 metros a 7,6%.
Táticas
Desde que Enric Mas é líder da Vuelta, duas das três etapas de alta montanha da prova sorriram à fuga. A Movistar não irá perseguir a fuga, vai tentar controlar à distância, impedindo algum nome importante na frente, depois vai caber as restantes equipas perseguirem. A Red Bull-BORA-hangrohe até poderia forçar o ritmo mas não tem equipa para a montanha, só a Decathlon tem mostrado disponibilidade para tal, no entanto já perdeu dois elementos muito importantes e, como tal, podem resguardar-se para a fase final da etapa.
Com isto, a fuga ganha muitas mais possibilidades de vingar. No entanto, os primeiros 75 kms são traiçoeiros, serão corridos muito rápido e, se ainda não houver uma escapada formada nessa altura, pode dar ideias a alguma equipa. Apesar de tudo, damos 65% vs 35% entre a fuga e o pelotão.
Favoritos
Santiago Buitrago – dia muito importante para o colombiano, que anda a poupar-se desde sábado a pensar nestas etapas. Vencer amanhã seria, praticamente, o carimbar da camisola da montanha. Depois de ser 3º e 2º, só lhe falta mesmo o triunfo, algo que também já seria merecido.
Sepp Kuss – saiu fora do top-10 hoje, não deve ser mais importante para si. Quer vencer uma etapa, já o admitiu e apenas tem mais duas oportunidades. É um homem de terceiras semanas, basta ver como andou no mais recente Tour de France. A subida final é perfeita para o antigo vencedor da Vuelta.
Outsiders
João Almeida – excelente exibição no contra-relógio de hoje que deixa água na boca para as etapas de faltam. Teremo o português a botar lume na montanha espanhola? Esta é uma jornada ideal para Almeida, subida longas e constantes, perfeitas para o motor do português, veremos é se está mais forte que na Sierra de la Pandera onde foi 10º, algo que parece verdadeiro.
Enric Mas – só tem que controlar os rivais mais diretos mas se sentir a oportunidade e ver que pode ganhar a etapa não vai desperdiçar. Até agora, tem sido dono e senhor da Vuelta, ninguém o consegue colocar em dificuldades e tem ganho tempo a todos nas etapas de montanha. Voltar a vencer de vermelho seria um sonho.
Felix Gall – se ainda quer o 2º lugar tem de começar a arrepiar caminho e vai ter de ser um ciclista ofensivo. Subidas deste género são o estilo de Gall, longas e constantes onde consegue ir desgastando os seus rivais, visto não ser um ciclista explosivo. Cada vez mais longe de Mas, até pode vir a ter alguma liberdade.
Possíveis surpresas
Valentin Paret-Peintre – tem subido de rendimento com o passar da Vuelta, são boas indicações para o que resta. É daqueles ciclistas que vai tentar nas etapas que faltam, prefere quebrar a tentar do que sem o fazer.
Jarno Widar – discreto nos últimos dias, acreditamos a pensar nestas últimas jornadas. Não é um puro trepador mas até se adapta bastante bem a este tipo de subidas. Se estiver num dia “sim”, é um corredor perigoso.
Ivan Ramiro Sosa – o início de etapa não é o ideal para o pequeno colombiano mas estando na fuga passa a ser um enorme perigo. É mais um ciclista que está a melhorar com o passar dos dias, gosta muito das terceiras semanas.
Urko Berrade – outra opção dentro da Kern Pharma, esta mais fiável, pela regularidade que o espanhol é capaz de apresentar. É daqueles que não tem medo de atacar se sentir a oportunidade, não espera pelo final.
Léo Bisiaux – tem sido o homem da Decathlon apontado às fugas, voltará a ter liberdade? O francês é um talento enorme na montanha, já leva 3 top-10 na Vuelta, na fuga certa pode ter sucesso.
Matthew Riccitello – uma alternativa na Decathlon, um ciclista que gosta da terceira semana, esteve em destaque no Tour passado. Muito frazino, a alta montanha é onde sempre se destaque, veremos é se, tal como Bisiaux, terá liberdade.
Jan Hirt – se há ciclista que rende muito mais nas terceiras semanas é o gigante checo. Nos seus tempos áureos era um perigo neste tipo de etapas, a sua forma peculiar em cima da bicicleta é inconfundível. Terá reservado a sua melhor versão da Vuelta para este final?
Tobias Halland Johannessen – as pilhas já parecerem ter acabado para o norueguês, o Tour e a Vuelta estão a fazer-se longos. No entanto, pode ter aproveitado os últimos dias para gerir as forças e atacar com tudo os últimos dias, são etapas perfeitas para si.
Primoz Roglic – dificilmente vai vencer a Vuelta mas tem de tentar mas também não pode ir ao limite para perder o 2º lugar. Acreditamos que tente numa fase inicial e depois se vir que não dá vai ser um corredor mais defensivo.
Richard Carapaz – se há ciclista entre os favoritos que vai atacar é o equatoriano, está no seu ADN. Sem nada a perder, Carapaz pode tentar o tudo ou nada pelo pódio, pois ainda tem uma margem interessante para o 5º lugar.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Pello Bilbao e Eddie Dunbar.