Antevisão da 5ª etapa da Volta a Portugal 2022

Com energias recarregadas, o pelotão regressa à estrada e logo com uma chegada em alto, esta inédita na Volta a Portugal!

 

Percurso

Após o dia de descanso, o pelotão enfrenta uma etapa como os espanhóis gostam de chamar de “unipuerto”. Dia muito tranquilo até ao sopé da subida final, em Miranda do Corvo, para o alto do Observatório de Vila Nova.



9,9 quilómetros a 8,2%, uma das subidas mais duras desta edição da Volta a Portugal e que é difícil do início ao fim, principalmente a sua segunda metade, onde aparecem 2 quilómetros a 10,1% e 12,7% de média. Os derradeiros 1700 metros são a 12,8%!

 

Táticas

O descanso já lá vai, está na hora de voltar à estrada e lutar pela Volta a Portugal! Com uma etapa sem dificuldades até à subida final podemos ver dois cenários distintos. Primeiro, uma luta muito feroz pela presença na fuga do dia que, depois de se saber que não tem homens perigosos na luta pelos primeiros lugares, ganha muitos minutos e discute entre si a vitória no Observatório de Vila Nova. Segundo, o pelotão está disposto a perseguir, o terreno favorece o grande grupo e os favoritos à vitória final na Volta a Portugal discutem a vitória.

Ora, neste segundo cenário, e após o que vimos na Serra da Estrela e até agora na competição, só a Glassdrive/Q8/Anicolor deverá ter intenção de assumir a perseguição. Já com duas vitórias no bolso, com a amarela no corpo de Mauricio Moreira, e sem bonificações na chegada, a escapada tem grandes hipóteses de vingar. No entanto, Ruben Pereira pode querer mais vitórias e colocar os seus ciclistas na frente do grupo.

 

Favoritos

Mauricio Moreira mostrou na etapa da Serra da Estrela que está de regresso ao seu melhor, não só vencendo mas também mostrando grande disponibilidade física. Vencer de amarelo tem outro sabor e o uruguaio já demonstrou que se adapta muito bem a este tipo de subidas bastante ingrimes, ganhou no ano passado na Senhora da Graça.



Depois de um dia menos bom, Joaquim Silva decidiu mostrar-se em fuga e tentou dar uma vitória à Efapel Cycling, para além de somar pontos para a montanha. A boa forma física está lá, o trepador de 30 anos é muito regular neste tipo de chegadas e um sério candidato a estar na fuga, a chegada é de 1ª categoria e dá muitos pontos para a camisola das bolinhas.

 

Outsiders

Frederico Figueiredo atacou de muito longe na Serra da Estrela e apenas dois ciclistas conseguiram chegar até si, o que revela a forma em que está. O ciclista português poderá voltar a ter a mesma estratégia amanhã, é certo que já não vai apanhar as outras equipas de surpresa, mas as pernas contam muito e essas estão fortes.

Bruno Silva também esteve na fuga de ontem e deu luta a Joaquim Silva na montanha, pelo que amanhã pode ser um dia importante. O experiente português não é ciclista de ir a choque, prefere o seu ritmo e, depois de um dia menos bom na Torre, quererá manter o grande momento da Tavfer/Mortágua/Ovos Matinados.



Na Volta a Portugal do ano passado, Adrià Moreno mostrou que consegue integrar fugas na segunda parte da competição, principalmente nos dias mais complicados. Até agora, tem sido uma prova discreta por parte da Burgos-BH, o trepador espanhol é um dos que pode salvar a honra do convento. Pode aproveitar a marcação entre as equipas nacionais.

 

Possíveis surpresas

Luís Fernandes foi quem mais perto esteve de derrotar a Glassdrive/Q8/Anicolor no Alto da Torre. O ciclista da Rádio Popular-Paredes-Boavista fez a sua melhor exibição a subir mas sabe que tem que continuar a este nível. Não será fácil derrotar a equipa de Ruben Pereira, terá que ser um plano bem armadilhado. André Cardoso está a subir o seu nível, já tinha estado bem no mês passado e na Serra da Estrela mostrou-se como antigamente. Com alguma liberdade, pode dar uma importante vitória a ABTF-Feirense. A Atum General/Tavira foi o segundo bloco mais forte na etapa 3, com Emanuel Duarte, Delio Fernandez e Alejandro Marque. O português subiu a um nível muito alto, sabe que para vencer terá que atacar de longe, tal como os galegos, tudo depende se terão liberdade para tal. Olhando para a fuga, a Caja Rural deve focar-se nesta vertente e tem nos jovens trepadores Yesid Pira e Jhojan Garcia dois talentos com liberdade para poderem estar na frente. Também a Human Powered Health não deve falhar a escapada, com Kyle Murphy a já ter demonstrado que sabe vencer uma chegada em alto a partir da fuga (Serra do Larouco 2021) e Keegan Swirbul. Nas equipas portuguesas, atenção a Hugo Nunes, Márcio Barbosa e André Ramalho.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Tiago Machado e Txomin Juaristi.




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