Antevisão da Il Lombardia

Tempo para o segundo Monumento da temporada! Deslocado do mês de Outubro, a “Clássica das Folhas Caídas” junta-se às restantes clássicas italianas para perfazer uma quinzena cheia de ciclismo em solo italiano.

 

Percurso

230 quilómetros ligam Bergamo a Como para o segundo Monumento da temporada. A primeira dificuldade do dia surge ao km 48,3, com o Colle Gallo (6 kms a 6.7%). Seguem-se praticamente 100 kms planos, com exceção do Colle Brianza (10.3 kms a 3.7%), que fica a meio desta fase da corrida.



A prova começa a ser seriamente dura quando faltarem 73 kms para o fim. A Madonna del Ghisallo (8.5 kms a 6.2%, com rampas a 14%) é uma subida muito dura e quem sentir dificuldades aqui estará fora da luta. Pouco depois, o Muro di Sormano (7,2 kms a 8.4%, com rampas a 27% e um quilómetro final a mais de 15%) será mais uma difícil subida. Passada a primeira grande sequência de colinas, restam 50 kms para a chegada.

Uma longa descida/fase de plano antecede as duas dificuldades finais. A subida a Civiglio (4,1 kms a 10%) é o que se segue, terminando a 16 kms do fim. As diferenças finais têm que ser feitas em San Fermo della Battaglia (2,9 kms a 6.7%), que tem o seu fim a apenas 5000 metros do fim. 3500 metros de descida também podem fazer diferenças, antes dos 2 kms finais planos. A última viragem está a 600 metros do fim.

 

Favoritos

O Giro di Lombardia será diferente em quase tudo, em anos anteriores os favoritos eram aqueles que ainda tinham alguma energia no tanque depois de uma longa temporada, esta época resume-se a quem já está em boa forma depois da longa paragem. Com um claro favorito (Remco Evenepoel) outras equipas terão de pensar em tácticas alternativas.

Depois do que fez na Vuelta a Burgos e, principalmente, na Volta a Polónia, Remco Evenepoel é encarado como o grande candidato à vitória. Aos 20 anos pode-se pensar que a distância é um problema para ele, mas o belga já ganhou a clássica San Sebastian (quase 230 kms) no ano passado. Tem de regresso ao seu lado João Almeida, que tem tudo para ser uma grande ajuda e ainda conta com Mattia Cattaneo e Dries Devenyns.



Quando falámos em tácticas alternativas pensamos em atacar de longe, tentando partir a corrida e isolar Remco Evenepoel desde muito cedo. Uma das equipas capaz de fazer isso é a Astana, aliás, a Astana precisa de fazer isso até porque Jakob Fuglsang está muito bem. Foi quem mais se aproximou de Remco Evenepoel na Polónia e um ataque desmedido na Strade Bianche custou-lhe o pódio.

 

Outsiders

Outra equipa com várias alternativas e que se pode aliar à Astana é a da Trek-Segafredo. Bauke Mollema costuma andar sempre bem na clássica San Sebastian, que é mais ou menos por esta altura. O holandês mostrou estar numa boa condição física nas provas francesas e a faltar 2 semanas para o Tour esta é uma altura perfeita para um grande resultado.

Tentando aproveitar uma possível superioridade numérica a Trek-Segafredo pode pensar em lançar Vincenzo Nibali ao ataque e quando isso acontece tudo é possível. O “Tubarão de Messina” não está nada mal, acabou no grupo da frente na Gran Trittico e na Milano-SanRemo e tem estado a ganhar ritmo, todos sabemos que de um momento para o outro Nibali é capaz de uma enorme exibição.



No momento de forma em que estão os ciclistas da Jumbo-Visma é obrigatório incluir 1 deles nos candidatos. George Bennett tem aqui outra oportunidade de liderar a equipa holandesa e é preciso recordar que o neozelandês vem de uma grande vitória no Gran Piemonte e foi quem mais de perto conseguiu acompanhar Evenepoel na 1ª chegada em alto na Vuelta a Burgos. A confiança está no máximo na Jumbo-Visma e quando isso acontece tudo é possível.

 

Possíveis surpresas

A Bora-Hansgrohe é outra equipa que pode mexer na corrida, a Volta a Polónia viu um Rafal Majka bem melhor e aliado com Maximilian Schachmann, podem fazer um bom resultado, mas um deles terá de se sacrificar ao atacar de longe. Na Astana Jakob Fuglsang não é a única opção, Aleksandr Vlasov está a voar baixinho neste momento (apesar de ser inexperiente em Monumentos) e Ion Izagirre é sempre uma opção. Simon Geschke está a andar muito bem e é um ciclista que gosta de corridas bem duras, terá liberdade dentro da CCC. A EF Pro Cycling é uma incógnita, os seus ciclistas têm menos ritmo competitivo, portanto não sabemos como se vão apresentar Michael Woods, Simon Clarke e Ruben Guerreiro. A INEOS tem voltistas sem grandes resultados em clássicas e com Gianni Moscon longe do seu melhor, o versátil Richard Carapaz será a melhor carta a jogar. Tim Wellens é sempre um nome a ter em conta, principalmente se estiver a chover e na Volta a Polónia vimos um Wilco Kelderman mais próximo do seu melhor. Por fim, olho em Diego Ulissi, o veterano italiano estará à espera de uma corrida defensiva para poder aplicar a sua boa ponta final.



 

Super-Jokers

Os nossos super-jokers são Ben Hermans e Mikel Nieve.

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