Está na hora do último Monumento da temporada! A “Clássica das Folhas Mortas” marca a última grande batalha entre os grandes ciclistas do pelotão internacional. Quem irá suceder a Tadej Pogacar?
Percurso
A RCS Sport mantém a tradição e volta a trocar partida e chegada. Il Lombardia parte de Bergamo para terminar em Como, um dia com 240 quilómetros e mais de 4800 metros de desnível acumulado positivo.
Os primeiros 86 quilómetros são bastante complicados e marcam a primeira fase dura da prova. Os ciclistas começam logo com Selvino (10,5 kms a 5,6%), seguindo-se Colle di Berbenno (4,5 kms a 6,3%) e Valpiana (10,4 kms a 6,1%) e Giovezana (3,6 kms a 9,1%). Seguem-se 90 quilómetros mais acessíveis, onde a meio surge a subida de Giovezana (3,6 kms a 9,1%), antes da entrada na sempre temível Madonna del Ghisallo (8,7 kms a 5,4% mas com rampas a 14%).
Com o topo a cerca de 60 quilómetros do fim, os ciclistas pedalam rapidamente para os derradeiros 30 quilómetros, onde ainda terão 3 subidas pela frente. A subida a San Fermo della Battaglia (2,8 kms a 6,9%) sucede a entrada num pequeno circuito final já em torno de Como. Civiglio (4,2 kms a 9%) promete fazer diferenças, termina a somente 16 quilómetros do fim e, logo de seguida, surge nova passagem por San Fermo della Battaglia. O seu fim é a apenas 5000 metros do fim, restando 3500 metros de descida e 1500 metros planos.

Táticas
A UAE Team Emirates parte como grande favorita. Venceu nas últimas 5 edições com Tadej Pogacar e quer manter o trono, desta vez com Isaac del Toro. Com um bloco muito forte e experiente (Brandon McNulty, Jan Christen, Felix Grosschartner, Adam Yates e Pavel Sivakov), deverá controlar a corrida desde o início e endurecer ao máximo, pois sabem que o campeão mexicano gosta de uma corrida dura. A Decathlon de Paul Seixas também pode dar uma ajuda, o francês é um ciclista que não tem medo de meter a equipa ao trabalho e também vai beneficiar de uma corrida dura. Apesar de tudo, esperamos uma Red Bull-BORA a colaborar, tem várias opções, mas nem sempre uma corrida dura é do agrado de Evenepoel.
O momento decisivo deverá surgir na primeira subiad de Civiglio, é aqui que podem surgir os primeiros ataques e que a corrida pode partir. Ao estilo de Pogacar, Del Toro deve tentar arrancar, veremos se Seixas e Evenepoel conseguem acompanhá-lo, tudo vai depender do endurecimento da corrida. Caso um grupo reduzido chegue junto à fase final, a subida de San Fermo della Battaglia poderá oferecer uma última oportunidade de ataque.
Favoritos
Isaac del Toro – parte com a pressão de ser o líder da UAE Team Emirates mas também sabe que tem uma oportunidade de ouro de vencer um Monumento. Esteve forte no Canadá mas o 5º lugar no Mundial sabe a pouco, quer mais! Testou as pernas ontem no Gran Piemonte e, apesar de dizer que tem tido desconforto no joelho, nada parece a apontar. Numa corrida dura, será muito complicado de seguir quando disparar.
Paul Seixas – quebrou no Mundial e foi muito autocrítico de si mesmo. Abdicou dos Europeus para preparar a Lombardia ao detalhe, sabe da oportunidade que tem pela frente. Apesar de só ter 20 anos, está cada vez mais experiente e conta com uma Decathlon motivada, com Tiesj Benoot e Nicolas Prodhomme como braços direitos. É dos poucos que pode seguir Del Toro e contra-atacar o mexicano.
Outsiders
Remco Evenepoel – novo campeão da Europa mas desilusão nos Mundiais e no GP Montreal onde esteve frente-a-frente contra esta concorrência. Se há ciclista que não precisa de motivação é o belga, é uma máquina de competir e quer provar que consegue vencer este tipo de provas. Não vai ser fácil seguir um ataque de Del Toro e Seixas em rampas tão inclinadas e se quiser recuperar não vai ter fases planas. Tem de estar num dia de inspiração, mas com Evenepoel é possível.
Tom Pidcock – 2º no Giro dell’Emilia e na Tre Valli Varesine, o britânico está muito forte mas está sempre a bater na trave, veremos se não começa a duvidar das suas capacidades. Nunca venceu um Monumento, foi 6º no ano passado, sabe que tem uma oportunidade única para o conseguir. A forma física é boa, se conseguir estar perto do nível de Montreal é um perigo.
Giulo Ciccone – tal como Evenepoel, foi o único a fazer Europeus e Mundiais e esteve sempre em destaque, veremos se não acusa o cansaço. Mesmo assim, o italiano é talhado para estas corridas, é um ciclista que se adapta como poucos às clássicas mais duras e, depois do final do passado domingo, vai querer dar uma resposta afirmativa. Se tiver de atacar cedo vai fazê-lo e é daqueles que prefere quebrar a responder aos grandes ataques do que não tentar.
Possíveis surpresas
Oscar Onley – dos mais ofensivos no Mundial e 3º no Giro dell’Emilia. Saiu bem da Vuelta, o que é excelente para este tipo de provas. É um ciclista que corre um pouco por fora, pode ser positivo, pois não será tão marcado pelos rivais.
Matteo Jorgenson – tem sido dos grandes destaques do final da temporada, sempre em prol do coletivo. Na Tre Valli Varesine teve a sua oportunidade e foi 3º. Numa prova tão dura e longa, é uma carta séria a jogar pela Visma, na forma em que está é alguém a ter em atenção para antecipar os principais ataques.
Davide Piganzoli – venceu o Giro dell’Emilia e está a fazer um excelente final de época, que estreia pela Visma. A correr em casa, a motivação estará no máximo para um último objetivo. Deverá ser mais resguardado que Jorgenson, tem uma melhor ponta final e é um ciclista mais explosivo.
Jarno Widar – que bela forma de estrear o seu palmarés! Todos sabemos da qualidade do belga, no entanto nem sempre consegue corresponder às expectativas. É daqueles que é capaz de um grande resultado ou uma péssima exibição, veremos qual dos cenários acontece amanhã.
Ben Healy – um dos mais inconformados do pelotão. Vemos o final como duro demais para as suas características, por isso terá de antecipar os ataques e se há ciclista que não tem receio de atacar de longe é o irlandês, tem um motor capaz de aguentar muitos quilómetros a alta rodagem.
Quinn Simmons – mais um que está a fazer um excelente final de época, 4º nos Mundiais e na Tre Valli Varesine. Tal como Healy, em confronto direto, o final é duro demais, mas como vimos no ano passado quando foi 4º antecipou os principais ataques indo para a fuga do dia. Simmons é um ciclista de grandes momentos.
Enric Mas – longe de ser um especialista de clássicas mas tem boas recordações deste traçado. Em 2022 foi batido por Pogacar mas apenas no sprint final. Desde a Vuelta que não apresentou o mesmo nível da Grande Volta mas pode ter guardado as últimas forças para aqui.
Christian Scaroni – em teoria, um percurso duro demais para as suas características. Chega em boa forma mas sabe que tem de atacar relativamente longe para ter alguma margem quando os principais candidatos decidirem mexer.
Brandon McNulty – o campeão do Mundo continua em excelente forma. Desde que venceu em Montreal tem estado muito ativo nas provas que tem feito e, apesar de o vermos a “lançar” Del Toro, é uma segunda carta muito forte na UAE. Caso o mexicano seja apanhado é o ciclista ideal para contra-atacar os rivais.
Primoz Roglic – que final de época do esloveno! 2º na Vuelta, excelente Mundial e campeão europeu de contra-relógio. Aos 36 anos, Roglic ainda está para as curvas e volta a uma corrida onde já fez pódio. Com Evenepoel a partir como líder, será que vai trabalhar para o belga ou terá alguma liberdade na última prova pela Red Bull-BORA?
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Mathys Rondel e Lennert van Eetvelt.