As clássicas das Ardenas mudam-se para Bélgica, sendo a hora dos reais especialistas em subidas curtas e inclinadas ocuparem os primeiros lugares. Quem irá conquistar o famoso Mur de Huy?
Percurso
Das 3 clássicas da semana, esta é, para além da mais “acessível” a mais fácil de explicar. 205 quilómetros, com os primeiros 100 a terem duas pequenas ascensões, antes da entrada no circuito final. Analisando o circuito, este é constituído por 3 subidas: Cote d’Ereffe, Cote de Cherave e Mur de Huy. Analisando o circuito, este tem 37,5 kms e um total de 3 colinas, começando com o Cote d’Ereffe (2100 metros a 5,6%), seguindo-se o Cote de Cherave (1300 metros a 7,6%), para depois se dirigirem para Mur de Huy. Na derradeira volta, o Cote d’Ereffe fica a 18,5 kms da meta e o Cote de Cherave a apenas 5,5 kms do final, que deverá ser palco de muitos ataques. À entrada do Mur de Huy a luta por posicionamento será intensa, a subida tem apenas 1300 metros mas 9,7% de inclinação média. É no miolo que se decide tudo, com o final a ser num falso plano.

Táticas
De todas as clássicas das Ardenas, tipicamente esta é aquela propensa a surpresas visto que a decisão normalmente está concentrada num esforço de 4 minutos no Mur de Huy, onde tudo pode acontecer e onde facilmente se cometem erros de julgamento. Há sempre aquela esperança de que finalmente a corrida não se decida na última subida, nomeadamente com um ataque no Cote de Cherave
Um ataque aí iria baralhar as contas porque vai destruir os blocos de perseguição e vai colocar no vermelho muitos ciclistas que estavam à espera do derradeiro esforço. Numa estatística curiosa, 6 dos 10 ciclistas que terminaram no top-10 do ano passado não estão presentes, o que abre muitas possibilidades e deixa muitos ciclistas a pensar que este pode ser o ano de conquistarem a clássica belga.
Favoritos
Paul Seixas – é muito raro ver um ciclista ganhar esta prova na sua estreia mas se há alguém capaz de o fazer é o prodígio francês. Apenas com 19 anos mas já a afirmar-se como um dos melhores do Mundo, a dureza das rampas de Huy não o vão assustar. A Decathlon está com a confiança em alta e com Paul Lapeira e Leo Bisiaux para o guiar no final, a vitória estará mais perto.
Lenny Martinez – 4º no ano passado, um dos poucos que esteve na luta e está presença. O pequeno francês adora este tipo de rampas, a sua fisionomia é ideal para estas chegadas mais explosivas e ele já conseguiu diversas vitórias em situações destas, nomeadamente em clássicas francesas. Numa Bahrain-Victorious a necessitar de uma grande vitória, está aqui uma grande oportunidade.
Outsiders
Mattias Skjelmose – relação de amor-ódio com a corrida, 2º em 2023 e abandono nas últimas duas temporadas. Chega em excelente forma, 2º na Amstel Gold Race, as pernas estão no ponto para conseguir a vitória que tanto procura. Adapta-se muito bem a rampas muito duras, é um ciclista muito explosivo.
Romain Gregoire – as pilhas não acabam para o francês! 4º na Amstel Gold Race depois de ter descolado da frente é um excelente resultado, mostra que Gregoire está em excelente forma. Muito mais puncheur que trepador, é aqui que tem de apostar todas as suas fichas para uma vitória. Triunfar numa das clássicas das Ardenas é um dos seus grandes objetivos. Foi 7º nas suas duas presenças.
Kevin Vauquelin – mais um ciclista francês, até parece coincidência! Muito azar no passado domingo quando caiu num momento decisivo mas também muita sorte já que saiu sem grandes consequências. Anda a bater na trave no Mur de Huy, foi 2º nas últimas duas edições, sem os ciclistas que o derrotaram presentes, estará confiante que é desta que ganha.
Possíveis surpresas
Benoit Cosnefroy – 5º francês da lista! 3º na recente Amstel, Cosnefroy está a aproveitar da melhor maneira possível a oportunidade de liderar a UAE Team Emirates e tem aqui uma última chance. 2º em 2020 e 4º em 2024, tem o perfil ideal para este tipo de chegada.
Tobias Halland Johannessen – o norueugês está a realizar uma temporada excelente, top-10 em todas as provas World Tour que fez. Já foi 6º nesta corrida, uma chegada muito explosiva que é perfeita para as suas características. Sabe que tem de entrar bem posicionado.
Lennert van Eetvelt – nunca sabemos qual versão esperar … Já esteve lesionado esta temporada, algo muito recorrente, mas já conseguiu bons resultados depois disso. As Ardenas são sempre um foco para o belga que, apesar de tudo, nunca conseguiu bons resultados aqui.
Alex Baudin – 9º no Paris-Nice e País Basco, 11º na Amstel Gold Race, o francês está numa das melhores fases da carreira. Não é um corredor tão explosivo como outros nomes já mencionados mas a condição física conta muito neste tipo de esforços, um top-5 é possível.
Christian Scaroni – um pouco discreto no País Basco, terá guardado as suas energias para aqui? O italiano é daqueles ciclistas capazes de sacar um coelho da cartola quando menos se espera. A XDS Astana está a fazer uma excelente temporada, vencer nas Ardenas seria incrível.
Valentin Paret-Peintre – sem um grande líder, o franzino trepador acaba por ser a aposta da Soudal QuickStep, ele que é muito explosivo apesar da sua pequena envergadura, muito ao estilo de Lenny Martinez.
Jorgen Nordhagen – 2º no no recente O Gran Camiño, tem uma oportunidade de liderança depois das muitas lesões dentro da Visma. Não se pode pedir que lute pela vitória, o top-10 já seria um excelente resultado para o norueguês.
Daniel Martinez – numa Red Bull-BORA-hansgrohe sem Evenepoel, acredito que o colombiano seja a melhor carta a jogar. Não corre desde o Paris-Nice mas todos sabemos que Martinez é um ciclista que se prepara bem para os principais objetivos. Já foi 5º em 2022.
Julian Alaphilippe/Marc Hirschi – um duo de antigos vencedores, será que a Tudor consegue fazer renascer? Vão ser mencionados mais pelo estatuto que por outro ponto, não estão em grande forma e a concorrência é muito alta mas devido ao historial nunca se sabe se não consegue voltar a brilhar onde já foram felizes.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Mauri Vansevenant e Clement Champoussin.