Aí está a primeira grande clássica belga, a Omloop Nieuwsblad! O empedrado está de regresso e, com ele, grandes figuras começam a sua temporada. Mathieu van der Poel faz a sua estreia em 2026, começará já a vencer?
Percurso
O percurso da clássica belga mantém-se fiel à sua base, sofrendo apenas pequenas alterações, com destaque para um final ainda mais duro que noutras edições. A corrida terá um total de 207 kms, 12 subidas e 12 setores de empedrado, por isso é de esperar uma prova bastante atacada e semelhante a edições anteriores.
Apesar dos 5 setores de empedrado e 3 subidas na primeira metade da corrida, a mesma só deve começar a animar a cerca de 65 quilómetros do fim. É aí que surge o Eikenberg (1200 metros a 5%), uma subida toda ela feita em empedrado. Numa rápida sequência de 15 kms segue-se o setor de Holleweg (600 metros), a subida de Wolvenberg (600 metros a 7%), mais dois setores de empedrado planos, Kerkgate (1400 metros) e Jagerij (800 metros) e o Molenberg (500 metros a 6,6% e em paralelo).
Pequena pausa até à combinação de Haaghoek (1900 metros) e Leberg (900 metros a 3,7%), seguindo-se Berendries (900 metros a 6,7%). 8 kms de “pausa” até nova combinação, desta vez Tenbosse(500 metros a 6%) e Parikeberg (800 metros a 4,9%) antes da combinação decisiva. Para finalizar as dificuldades do percurso temos o mítico Kapelmuur (1200 metros a 7,2%) e o Bosberg (800 metros a 6,5%), que fica a 12 kms da meta. Um factor que pode ser importante e até mesmo decisivo é o espaço entre a 2ª e 3ª sequência, feita maioritariamente em estradas estreitas e sinuosas, o que pode dificultar perseguições organizadas.
Tácticas
Sendo a primeira grande clássica do ano poderá existir surpresas, acontece quase sempre. Apesar de tudo esperamos ver uma corrida muito atacada pelos grandes candidatos, principalmente na sequência Eikenberg-Wolvenberg-Molenberg, são 3 subidas muito importantes e situadas numa fase decisiva da corrida. A juntar a isto, o vento estará favorável aos ataques.
A presença de Mathieu van der Poel no bloco de Alpecin-Premier Tech vem mudar o cenário de corrida. A equipa neerlandesa não tem o bloco ideal para selecionar a corrida mas tem o ciclista capaz de a destruir por completo. Olhando para os blocos, Visma (mesmo sem o doente Wout van Aert) e UAE Team Emirates são os que têm mais opções e querem uma corrida dura. Depois Soudal Quick-Step e NSN têm 2 dos principais sprinters mas será difícil controlar a corrida, basta ver que nos últimos anos apenas em 2025 a decisão foi num grupo mais numeroso.
Com isto, esperamos uma corrida bastante atacada a partir da sequência de subidas que referimos, com os principais classicómanos a conseguirem destacarem-se. Depois caberá aos sprinters mais completos tentarem aguentar em pequenos grupos e esperar por junção, algo que duvidamos seriamente.
Favoritos
Mathieu van der Poel – venha a estreia na temporada! Depois de muito suspense, o neerlandês vai começar a temporada mais cedo que o habitual, estreando nesta competição, o que acaba por ser surpreendente. Mais motivação que adicionar uma nova prova ao palmarés não há e, para além disso, tem um percurso ainda mais duro, perfeito para si. É um ciclista de grandes vitórias! Contra si tem o facto de não ter uma equipa capaz de endurecer muito a corrida mas sozinho pode conseguir destruir tudo.
Tim Wellens – numa corrida bastante endurecida, o campeão belga acaba por sair favorecido. Wellens começa sempre bem as temporadas, tem de aproveitar as oportunidades e numa UAE Team Emirates com várias cartas, a superioridade numérica pode ser fundamental. Não podem dar muitos metros a Wellens, raramente desperdiça a oportunidade.
Outsiders
Christophe Laporte – que bom ver o francês livre de lesões e de regresso às boas exibições. Continua a ser um ciclista muito perigoso e que preenche todos os requisitos, passa bem estas subidas e tem uma excelente ponta final. As várias opções na Visma também jogam a seu favor. Esteve muito bem na Andaluzia até cair e abandonar mas, se está aqui presente é porque não foi nada demais.
Tom Pidcock – começou bastante bem a temporada e tem aqui os primeiros objetivos. Numa Pinarello-Q36.5 totalmente focada em si, o britânico tem de corresponder e o facto do percurso estar mais duro só o favorece. Apesar de tudo, tem de estar totalmente concentrado, o próprio admitiu que foi assim que falhou momentos importantes nas clássicas espanholas. Na Bélgica, um piscar de olhos mal feito pode estragar a corrida.
Paul Magnier – o final mais duro não são boas notícias mas o francês está um ciclista cada vez mais completo. A forma como ganhou duas etapas na Volta ao Algarve foram impressionantes, ninguém o vai querer levar para o sprint, vai correr contra todos. A Soudal Quick-Step tem um bloco muito experiente para apoiar e resguardar Magnier nos momentos mais importantes.
Possíveis surpresas
Florian Vermeersch – outra alternativa dentro da UAE Team Emirates. O belga preferiria um percurso menos duro mas sabe que também tem de aproveitar as poucas oportunidades que tem. Estará motivado para tal, sem Pogacar pode procurar um grande resultado que já merece.
Dylan van Baarle – uma das raposas velhas do pelotão que, agora na Soudal Quick-Step, pode voltar às suas raízes. É daqueles ciclistas que tem de atacar de longe senão tem a corrida perdida, combatividade para tal não lhe falta. Vem de ser 10º no Alto do Malhão, um resultado bem acima das expectativas, está em forma.
Mathias Vacek – sem Mads Pedersen, o campeão checo é o líder da Lidl-Trek. Muitas vezes relegado para gregário, Vacek tem qualidade para dar e vender e este percurso assenta-lhe que nem uma luva. Tem a seu favor o facto de ser rápido em grupos restritos, poucos o conseguem superar.
Arnaud de Lie – tem as características ideais para esta prova, agora com os quilómetros da Volta ao Algarve nas pernas deverá estar pronto. Apesar de ser um dos mais rápidos do pelotão, não esperem uma corrida defensiva, o Touro gosta de atacar e selecionar a corrida. A correr em casa, quererá melhorar o 2º lugar de 2023.
Matteo Trentin – sabe muito de ciclismo e quando menos se espera saca um coelho da cartola e um grande resultado. O antigo campeão da Europa continua a ser um perigo neste tipo de clássicas, já não tem a ponta final de outros tempos mas continua a ser rápido, e se tiver de mexer na corrida também o vai fazer.
Matthew Brenann – deverá ser a peça mais resguardada da Visma, o que não significa que espere pelo sprint final. O britânico é muito mais que um sprinter, já tem de estar melhor que na Austrália, este é um primeiro grande teste à sua capacidade física. A qualidade está lá, veremos se consegue corresponder.
Jasper Philipsen – a velocidade está longe do seu melhor mas o belga sempre disse que apontou às clássicas nesta fase da temporada e focou-se no endurance. Com Van der Poel a correr na ofensiva, Philipsen ficará encarregue de seguir os rivais e esperar pelo sprint, será um teste importante ao seu estado de forma neste tipo de provas.
Biniam Girmay – a mudança de equipa fez-lhe muito bem e está com a confiança em alta! Esta está longe de ser uma prova perfeita para si, um pouco dura demais, mas com a forma que mostrou em Valência é um dos nomes a considerar caso um grupo mais numeroso discuta a vitória.
Ben Turner – por falar em Valência, vimos o britânico a subir melhor que nunca e sem perder a sua ponta final muito rápida. Este tem tudo para ser um grande ano nas clássicas para Turner, o momento de afirmação começa aqui. Falhou a Algarvia por doença, poderá estar um pouco afetado.
Laurance Pithie – um pequeno tiro no escuro mas que nas provas australianas voltou a mostrar a sua qualidade. Depois de um 2025 para esquecer, Pithie quererá mostrar o porquê de ter sido contratado pela Red Bull-BORA e uma das revelações das clássicas de 2024. Tem tudo o que é preciso, desde subir bem e boa ponta final.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Albert Philipsen e Jonas Abrahamsen.
