Último dia para as provas de estrada nos Campeonatos da Europa, com os elites masculinos a discutirem o mais cobiçado dos títulos. Quem irá suceder a Tadej Pogacar? Teremos Remco Evenepoel a redimir-se do Mundial?

 

Percurso

Quando comparado com os Mundiais, os Campeonatos da Europa tem “apenas” 196 kms. Partida da capital Ljubljana para 86 kms totalmente planos em direção ao circuito final em torno de Šenčur, um circuito a ser feito por 5 vezes. 22,2 kms de extensão com uma grande dificuldade, muito resumidamente o circuito é assim explicado.



Mais ao detalhe, os primeiros 6 kms são planos, apenas com uma pequena colina de 400 metros a 6,7%, antes da subida de Mozjanca, situada ao km 8. No total, 2100 metros a 10,3% com o primeiro quilómetro a ser a 11,5% de média, uma brutalidade! O topo fica a 14 kms do fim, seguem-se 4 kms num pequeno planalto que termina com 700 metros a 4,2% antes de uma descida com cerca de 6 kms antes dos últimos 5 kms planos. A reta da meta tem apenas 300 metros.

 

Táticas

Bélgica, França e Itália são os blocos mais fortes e 3 das 6 equipas com 8 ciclistas possíveis. Muito da corrida vai passar pelo que as 3 seleções quiserem fazer, principalmente França e Itália pois sabemos que a Bélgica vai apostar tudo em Remco Evenepoel. As duas equipas já referidas têm, pelo menos, 3 opções de enorme valor, pelo que podem usar a superioridade numérica e atacar de longe, só assim podem derrotar a Bélgica.

Acreditamos que a corrida comece a ter mexidas na terceira volta, a cerca de 60 kms do fim, antes disso é muita distância até ao final e qualquer movimentação é difícil de ter sucesso. Depois vai caber à Bélgica perseguir e manter o bloco coeso em torno de Evenepoel que, se for necessário, vai atacar na penúltima volta, mas o ideal será guardar para a volta final, pois existem muitos quilómetros até à meta.

 

Favoritos

Remco Evenepoel – é o alvo a abater! Depois da desilusão do passado domingo, o belga quer dar uma resposta positiva e conquistar o grande título que lhe falta na carreira. Para além dos rivais serem menos, este é um percurso perfeito para Evenepoel, subidas a fazer lembrar as clássicas das Ardenas. O bloco belga não é dos mais fortes mas com Debruyne, Van Wilder, Vervaeke e Van Gils deverá ser lançado na perfeição.

Giulio Ciccone – um dos mais inconformados dos Mundiais, acabou pro ser “apenas” 9º. Chega em excelente forma e motivado para mais um bom resultado, num percurso que lhe assenta que nem uma luta. Ciccone é um ciclista deste tipo de terreno e daqueles que não tem medo de atacar e dinamitar a corrida, ainda para mais com o forte bloco italiano.



Outsiders

Primoz Roglic – os Mundiais fizeram-se longos demais, mas com menos 75 kms, amanhã a música pode ser outra. A correr em casa, a motivação será máxima para conquistar uma das grandes vitórias da carreira. Sabemos que já não tem a explosão de outros tempos, vimos isso na Vuelta, mas estando em forma é um ciclista perigoso e, estando no grupo certo, pode vencer.

Giulio Pellizzari – a segunda opção italiana, mais um ciclista que andou bem nas últimas semanas e esteve ao serviço do coletivo em Montreal. Será que vai acusar o cansaço? Pellizzari sempre se deu bem neste tipo de terrenos e subidas e se estiver na frente com Ciccone poderão fazer uma dupla perigosa, é outro ciclista muito combativo.

Juan Ayuso – esteve ao ataque nos Mundiais mas acabou por não corresponder. O espanhol nem sempre corresponde nos grandes momentos, está na altura de conseguir um grande resultado na sua carreira e para a sua nação. Numa equipa mais curta, Ayuso terá de jogar as suas cartas de forma mais certeiras mas, se tiver pernas, é daqueles que vai atacar na subida.

 

Possíveis surpresas

Kevin Vauquelin – focado nos Europeus, o francês quer terminar a temporada de uma melhor forma que o restante 2026. Vem de vencer o Giro d’Abruzzo, um excelente boost de confiança. Numa França com várias alternativas, Vauquelin é a mais fiável, não só pelo terreno mas por possuir uma excelente ponta final.

Romain Gregoire – uma segunda alternativa na forte equipa francesa. Tal como Vauquelin, totalmente focado nos Europeus, Gregoire tem um percurso bom para as suas características, preferencialmente até gostava de subidas menos longas, porque é um ciclista explosivo para estas inclinações. Em grupos restritos é um perigo, é muito rápido.



Christian Scaroni – mais uma carta transalpina, ele que foi 4º no ano passado, numa percurso também muito duro. As últimas clássicas não correram de feição, mas é neste tipo de provas que Scaroni consegue brilhar. Terá de antecipar os principais ataques, veremos é se não acaba a trabalhar para o coletivo.

Mikkel Honoré – está a fazer uma excelente parte final de temporada, há muito que não víamos o dinamarquês a andar assim. é um perigo neste terreno estilo clássicas e é daqueles ciclistas que não tem receio de atacar de longe, de forma a antecipar os ataques dos favoritos.

Mads Pedersen – o que dizer do viking dinamarquês? Em teoria é um percurso muito duro para Pedersen, mas o mesmo poderíamos dizer dos Mundiais e, sem contar, lá estava o escandinavo na luta pelas medalhas. Sabe os seus limites e gerir o esforço como poucos, se o deixam respirar arriscam-se a perder ao sprint.

Jakob Omrzel – a nova estrela do ciclismo esloveno. Não corre desde a brilhante Vuelta, veremos se ainda tem pilhas para mais uma grande exibição. Gostaria de subidas mais longas mas a dureza está lá e, a correr em casa, motivação não falta.

Jan Christen – totalmente desaparecido nas últimas semanas, mas se há ciclista capaz de sacar um coelho da cartola quando menos se espera é o helvético. Percurso bom para as características do combativo ciclista, tem por hábito atacar demasiado cedo.

Portugal – com 4 elementos, acreditamos que Tiago Antunes possa ser a melhor hipótese para um bom resultado. O português tem estado a comptir mais regularmente, ainda agora fez os Mundiais e uma convocatória para representar as cores nacionais é sempre uma motivação.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Alex Baudin e Anthon Charmig.



By admin