Chegou o Inferno do Norte! Após semanas e semanas a correr em estradas belgas, o ponto alto e o culminar da fase das Clássicas do Norte ocorre em França, com o icónico final no velódromo de Roubaix! Teremos Mathieu van der Poel a vencer pela 4ª vez consecutiva?

 

Percurso

Um verdadeiro mar de empedrado, que começa após quase 100 kms de asfalto plano, onde se vai definir a fuga do dia, um momento muitas vezes mais importante do que parece. Os primeiros sectores serão de muito nervosismo, uma batalha de posicionamento onde o importante é evitar problemas e a primeira grande selecção deverá fazer-se na Floresta de Arenberg, este ano antecedida de uma polémica chicane. Esse selecção tem mais 2 pontos fundamentais, Mons-en-Pevele e Carrefour de L’Arbre, pelo posicionamento no traçado e pelo grau de dificuldade dos mesmos. Aqui fica a lista dos 30 sectores de empedrado, os quilómetros e o grau de dificuldade correspondente, onde 1 estrela é o mais acessível e 5 estrelas o mais complicado.



Táticas

Esta é uma das antevisões mais difíceis do ano, tentar prever como vai ser um Paris-Roubaix é sempre uma roleta russa. Primeiro há alguns factos a referir, nomeadamente o clima. Está previsto um dia de sol e, portanto, não teremos uma Paris-Roubaix épica com lama, mas sim cheia de pó. O vento estará maioritariamente de cotas/lateral, se por norma já vemos corridas rápidas, esta ainda mais rápida pode ser.

De todos os Monumentos, esta é a corrida em que o factor sorte ou azar, como queiramos chamar, está mais presente, é preciso não furar na altura errada, estar sempre no sítio certo à hora certa. Também é uma prova em que não é tão fácil fazer a diferença e a equipa tem mais influência do que no Tour de Flandres, não há subidas para Pogacar puxar os seus watts monstruosos, o movimento vencedor por vezes sai mesmo fora do empedrado.

Ao contrário do Oude Kwaremont ou do Paterberg, aqui é mais fácil aproveitar uma possível superioridade numérica perante Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel, não é tão fácil fechar espaços, colocar adversários no vermelho e alguém na roda poupa muito mais energia. É isso que Lidl-Trek, Visma e Red Bull-BORA vão tentar explorar. Em condições normais a Floresta de Arenberg vai abrir muito a corrida e restringir o lote de possíveis vencedores, aqui acho que mesmo antes a prova pode já estar muito partida e vai ser crucial colocar ciclistas em todos os movimentos perigosos.

 

Favoritos

Tadej Pogacar – vencedor dos últimos 4 Monumentos, conseguirá conquisar o que lhe falta? No ano passado, uma queda num dos últimos setores retirou-o da luta, este ano com mais experiência já sabe com o que contar. Como já referimos, Roubaix é diferente de Flandres mas se há ciclista capaz de fazer parecer tudo fácil é o esloveno. Com Vermeersch e Politt e, até mesmo Bjerg e Oliveira, Pogacar tem um bloco sólido para este tipo de terreno, ciclistas já com experiência. Vai querer chegar isolado ao velódromo para não arriscar dissabores e fazer história!

Wout van Aert – vamos arriscar com o belga! Mais um 4º lugar no Tour de Flandres, esteve muito perto do sol (Pogacar) e acabou por quebrar mas, em minha opinião, esta é uma prova muito melhor para si, não só por não teres subidas explosivas mas sempre se adaptou melhor a este empedrado. Um dos grandes azarados do pelotão, basta lembrar que em 2023 seguia com Van der Poel e furou no Carrefour de L’Arbre, no ano passado voltou a ter azares e ainda 2024 não participou devido à COVID. Das últimas épocas, esta é a melhor versão de Van Aert, o belga e a Visma sabem que têm uma oportunidade de ouro. Têm de jogar como uma equipa.



Outsiders

Mathieu van der Poel – Campeão nas últimas 3 edições, o neerlandês sabe que tem de “salvar” a sua temporada de clássicas aqui. Neste terreno será muito mais difícil ceder perante os ataques violentos de Pogacar, como se viu no ano passado, no entanto terá de ser mais calculista e se tiver de trabalhar menos também tem de o fazer. Para esta prova conta com o trunfo Jasper Philipsen, pode ser fundamental para a manobra da equipa. Van der Poel tem o histórico a seu favor mas sabe que tem de subir o nível em relação às últimas provas.

Mads Pedersen – o que o dinamarquês está a fazer pós-lesão é impressionante! Já com grandes vitórias no seu currículo, esta é o grande objetivo da carreira, ele que já foi 4º em 2023, 3º em 2024 e 2025, sendo que no ano passado furou numa altura decisiva (a sorte como sempre referimos!). A Lidl-Trek traz um bloco fortíssimo com roladores possantes como Walscheid, Soderqvist, Kragh Andersen, Norsgaard e, ainda, Milan e Vacek que noutras equipas seriam líderes. Pedersen continua a ter dos melhores sprints do Mundo depois de uma corrida dura e longa, pode vir a ser importante.

Jasper Philipsen – Já fez grandes exibições nesta corrida, por duas vezes já foi 2º, e tem aqui o seu grande objetivo de início de temporada. Consideramos normal não estar tão forte ao sprint, com o foco no endurance, veremos se o trabalho resultou pois sempre que esteve na luta, acabava por parte o motor na parte decisiva. Numa corrida tática pode vir a ser uma arma importante por parte da Alpecin pois ninguém quer chegar consigo ao velódromo.

 

Possíveis surpresas

Filippo Ganna – A forma como ganhou a Dwars door Vlaanderen foi de loucos e, a partir daí, poupou energias para este dia! Muito possante, é o terreno ideal para o italiano “voar” e conseguir um grande resultado. De relembrar que já foi 6º em 2023, quando ainda menos experiência tinha. É daqueles que pode tentar antecipar e atacar nas zonas asfaltadas.

Red Bull-BORA-hansgrohe – não mencionamos apenas um nome, a equipa tem 4/5 nomes que, facilmente, podem estar nos primeiros lugares, vai muito depender da situação de corrida. Gianni Vermeersch foi 10º na Flandres, já foi 6º aqui e com liberdade tem conseguido corresponder. Laurence Pithie foi 7º em 2024, este ano parece estar a voltar às boas exibições mas tem sido mais usado como gregário. Jordi Meeus deverá ser mais resguardado, excelente sprinter, está a fazer uma boa temporada de clássicas. Por fim os irmãos, Mick e Tim van Dijke, estão a voar, nunca os vimos a andar assim. Com tantas opções, é difícil escolher, a equipa alemã tem de estar representada em todas as movimentações importantes.

Jasper Stuyven – a mudança para a Soudal Quick-Step fez-lhe muito bem, 7º em Sanremo e 6º na Flandres. Dos mais experientes à partida, já fez a prova por 10 vezes e já foi 4º em 2017, 5º em 2018 e 7º em 2022, resultados que pode melhorar este ano. Conhece estes setores como poucos e sabe ler muito bem a corrida para estar nas movimentações importantes.

Florian Vermeesch – em Roubaix nunca se sabe o que esperar e é excelente a UAE ter uma alternativa como esta. Está a fazer uma temporada de clássicas excelente, a subir melhor que nunca, acreditamos que aqui ainda está melhor, o terreno é propício a isso. Pode er usado para marcar os ataques dos rivais e, aí, ficar numa situação de corriad que lhe permita discutir o triunfo.




Søren Wærenskjold – se há Monumento onde o gigante norueguês pode brilhar é aqui. 9º em 2024 e este ano já foi 3º na Dwars door Vlaanderen, uma prova com menos subidas e mais parecida a esta. É um ciclista que aparece quando menos se espera, consegue estar escondido apesar da sua enorme envergadura.Christophe Laporte – sempre na sombra, mas o francês está a fazer uma excelente temporada de clássicas, terminando quase sempre no top-10. Roubaix está longe de ser a sua prova de eleição, apenas 2 top-10 em 9 presenças mas a confiança também conta muito. Numa Visma motivada e a correr em casa, Laporte pode surpreender.

Daan Hoole – normalmente ao serviço de outros, o gigante neerlandês pode vir a ser uma agradável surpresa. Ainda sem top-10, mas as provas na Flandres são muito mais duras. Na retina ficaram as exibições no UAE Tour e Paris-Nice, está a andar muito forte. Tem o físico ideal para este percurso e numa Decathlon a voar tudo é possível.

Alec Segaert – outro ciclista sem grandes resultados aqui mas que está a voar. Quase venceu a Nokere Koerse, venceu o GP Denain de forma fabulosa e esteve nas ofensivas importantes da Gent-Wevelgem e Dwars door Vlaanderen. Não deem muito espaço ao belga, um enorme contra-relogista não precisa de muito e este “empedrado plano” é perfeito para si.

 

Super-Jokers

Os nossos super-jokers são Stefan Bissegger e Yves Lampaert.



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