Temporada de sonho para a XDS Astana de Alexandre Vinokourov. A entrada da marca chinesa fez muito bem à formação cazaque que iniciou o ano numa situação muito difícil e lutar pela manutenção no World Tour e terminou como uma das melhores equipas de 2025.

 

Os dados

Vitórias: 32 triunfos, mais 20 que em 2024! Que ano para a formação cazaque.

Ciclista mais vitorioso: Matteo Malucelli aproveitou muito bem o seu calendário para terminar com 8 triunfos.

Dias de competição da equipa: 320 dias, a equipa que mais correu este ano. Precisava, desesperadamente de pontos UCI, alargou o seu calendário, competindo muito na Ásia e no calendário europeu.

Idade média do plantel: 28,7 anos, muita juventude mistura com a veterania e experiência.

Mais kms: Nicola Conci ultrapassou os 14 000 kms, um dos números mais elevados de todo o pelotão internacional.

Melhor vitória: Tem de ser a etapa 16 do Giro d’Itália, chegada em alto com Lorenzo Fortunato e Christian Scaroni a chegarem juntos, celebrando o triunfo.



O mais

É difícil destacar 2/3 nomes nesta lista, houve mais de uma mão cheia de destaques, a XDS Astana deu um salto enorme. Christian Scaroni foi o expoente máximo, dezenas de top-10, 4 vitórias, destaque em clássicas e no Giro, onde esteve em muitas fugas e foi uma das principais figuras. Pelo meio ainda esteve lesionado e, mesmo assim, somou mais de 2300 pontos UCI. Simone Velasco, em provas menores, também foi um ciclista com resultados muito bons, sempre foi excelente em clássicas. Lorenzo Fortunato foi outro italiano a destacar-se, não é um homem de gerais e mesmo assim foi 4º no Tour de Romandie (venceu uma etapa), mas foi no Giro que se destacou com muitas fugas e a classificação da montanha.

Com um calendário tão diverso, a XDS Astana optou por levar Harold Martin Lopez a provas menores e foi um sucesso: vencedor da Volta a Grécia e Volta a Hungria, 2º na Volta a Turquia e 3º na Volta ao Lago Qinghai. Nas provas asiáticas, Matteo Malucelli (8 triunfos), Aaron Gate (4 triunfos) e Henok Mulubrhan (4 triunfos) aproveitaram ao máximo para fazer uma excelente temporada. Destaque, ainda, para o sprinter Max Kanter, sem vitórias foi muito regular.

 

O menos

Numa temporada como esta, em que praticamente tudo correu bem, não há muitos pontos negativos a assumir. Praticamente todos os ciclistas corresponderam ou excederam as expectativas que lhe eram depositadas, talvez os nomes que aqui mencionamos tinham estatuto para fazer mais. Alberto Bettiol é o principal nome, o italinao era o líder para as clássicas, sai sem qualquer destaque e apenas apareceu no final do ano ao ser 3º no GP Quebec e 8º no Renewi Tour. Foi pouco para aquilo que se esperava e importância que tinha. Já não é de agora, mas Sergio Higuita está longe do melhor, mostrou alguma consistência no Tour onde foi 14º mas faltou combatividade, talvez muito agarrado aos pontos. É certo que Wout Poels ganhou a Volta a Turquia mas esperava-se mais para um corredor que já ganhou Monumento, especialmente nas Grandes Voltas e a lutar por etapas.



O mercado

Entradas Saídas
Ciclista Equipa de origem Ciclista Equipa de destino
Cristián Rodriguez Arkéa – B&B Hotels Wout Poels Unibet Rose Rockets
Thomas Silva Caja Rural – Seguros RGA Fausto Masnada MBH Bank CSB Telecom Fort
Arjen Livyns Lotto Cees Bol Decathlon CMA CGM Team
Gleb Syritsa XDS Astana Development Team Ide Schelling Reforma
Lev Gonov XDS Astana Development Team Anthon Charmig Uno-X Mobility
Marco Schrettl Tirol KTM Cycling Team Michele Gazzoli Solution Tech – NIPPO – Rali

Após uma temporaad tão positiva, não foi necessario mexer muito. Dos nomes que estão de saída, apenas Cees Bol era uma peça de destaque, tanto nos sprints como nas clássicas. Wout Poels e Fausto Masnada já estão numa fase da carreira em que não conseguem atingir resultados com tanta regularidade. Com naturalidade, Lev Gonov e Gleb Syritsa são promovidos, dois sprinters/lançadores que já fizeram muitas provas com a equipa principal. Marco Schrettl é a aposta na juventude, 3º nos Mundiais sub-23 e vencedor da sempre difícil Corrida da Paz.

Cristian Rodriguez foi uma oportunidade de mercado, o trepador espanhol estava sem equipa com o fecho da Arkéa e encaixa bem numa Astana que não tem um grande líder para as provas por etapas. Thomas Silva é o estilo perfeito de ciclista da equipa, combativo, passa bem a média montanha e boa ponta final, parecido com as características de Scaroni. Arjen Livyns será um gregário todo-o-terreno, é um corredor completo.




O que esperar em 2026?

A expectativa está muito alta, depois de uma temporada como estas não será fácil manter o nível. Com menos pressão, em início de ciclo, os resultados até podem sair mais facilmente, acreditamos que vão manter o calendário alargado. Apesar de tudo, manter o top-5 é complicado, esperamos um sólido top-10, a rondar o 7º-8º lugares.

Christian Scaroni continuará a ser peça fundamental nas clássicas, com Simone Velasco e Diego Ulissi formam um tridente muito perigoso e, se juntarmos Lorenzo Fortunato ainda melhor ficam. Este último está-se a tornar num caça-etapas excelente, deverá focar-se aí do que nas classificações gerais, onde Cristian Rodriguez pode ser a aposta. A entrada de Thomas Silva vem trazer mais uma opção para as clássicas e provas de média montanha, o uruguaio é muito talentoso e já merecia o World Tour.

Veremos se Harold Martin Lopez dá o salto ou continua a ser a aposta nas provas do circuito europeu/asiático, o equatoriano é muito regular neste tipo de provas e talvez não consiga fazer o mesmo no World Tour. É este o nicho de competições para Aaron Gate, Matteo Malucelli e Henok Mulubrhan, sempre muito fiáveis quando fazem viagens para o outro lado do Mundo. Alberto Bettiol tem de melhorar, o italiano precisa de se mostrar durante a Primavera e obter bons resultados, é capaz de o fazer quando menos se espera. Max Kanter continua a ser o principal sprinter, conseguir regressar às vitórias seria o ponto alto.

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