Alpecin-Premier Tech
Já começa a ser hábito, pelo 3º ano consecutivo, Kaden Groves é o principal ciclista e líder da equipa neerlandesa. O australiano é um ciclista muito fiável, venceu em 2023 e 2025 e, apesar de não estar a fazer uma grande temporada é sempre alguém a considerar. Não corre desde 1 de março, é uma pequena incógnita saber como chega. Vem com um comboio razoável, Edward Planckaert, Jensen Plowright e Francesco Busatto são ciclistas competentes nestas tarefas. Não seria de estranhar se Busatto também podesse ter algumas oportunidades.
Johan Price-Pejtersen e Jonas Geens serão ciclistas de trabalho, que também podem tentar a sua sorte em fugas mas nesse capítulo a aposta recai em Luca Vergallito e Tobias Bayer. Estes dois são os ciclistas mais talhados para as etapas de maior dificuldade, principalmente o italiano Vergallito, é o único trepador da equipa, no entanto não será fácil surpreender.
Previsão: Kaden Groves é daqueles ciclistas que não falha nas Grandes Voltas e, depois de muito tentar, vai conseguir vencer uma etapa e salvar o Giro da Alpecin.
Bahrain – Victorious
12º em 2022 e 13º em 2023, será desta que Santiago Buitrago consegue fazer top-10 na última Grande Volta que falta? O colombiano é um ciclista que se dá muito bem com o Giro, tem aqui o objetivo da temporada e chega em boa forma, foi 7º no Tirreno-Adriático e 11º na Catalunha. É daqueles que não tem medo de atacar se sentir que tem uma oportunidade. Damiano Caruso, Afonso Eulálio, Edoardo Zambanini e Mathijs Paasschens formam um bom bloco para a montanha, um misto de experiência com irreverência.
Caruso dispensa apresentações, sabe muito de ciclismo e também deverá ter liberdade em fugas para tentar vencer no seu último Giro da carreira, le que já disse que não vem a pensar na geral. Eulálio está cada vez mais completo e um dos melhores gregários da equipa e Zambanini é um perigo em etapas de média montanha devido à sua excelente ponta final. Falando em velocidade, Robert Stannard até é relativamente rápido mas será, essencialmente, um ciclista de trabalho, a par de Fran Miholjevic e Alec Segaert, sendo que este último tem no contra-relógio uma etapa a anotar.
Previsão: Santiago Buitrago vai terminar no top-10. Edoardo Zambanini vai ter o momento da carreira e vencer uma etapa de média montanha a partir de uma fuga.
Bardiani CSF 7 Saber
Regresso ao Giro com a ilusão de vencer uma etapa, algo que não acontece há 10 anos! A equipa não é totalmente italiana, como era seu apanágio, mas continuam a ser os transalpinos a ter mais responsabilidades. Enrico Zanoncello é o sprinter de serviço, o italiano tem já experiência de Giro e pode conseguir alguns top-10. Martin Marcellusi é uma aposta interessante para as chegadas mais duras e fugas em etapas de média montanha e, por falar em fugas, esperem muitas tentativas de Filippo Magli e Manuele Tarozzi.
Luca Paletti é o principal trepador da equipa, o jovem transalpino vai tentar mostrar-se ao mundo do ciclismo, com Filippo Turconi a também encaixar nestas etapas. O chileno Vicente Rojas, antigo vencedor da Volta a Portugal do Futuro, é mais um trepador. Para terminar, a adição de Nikita Tsvetkov, jovem de 21 anos nascido no Uzbequistão e que se caracteriza por ser um bom sprinter. Tsvetkov tem qualidade, mas o Giro é um nível completamente diferente, irá aprender muito.
Previsão: Muita combatividade, alguns top-10 e vitória numa das classificações secundárias. Martin Marcellusi vai ser o principal destaque da equipa italiana.
Decathlon CMA CGM Team
Uma das equipas quem mais tem impressionado em 2026 e que chega com fortes ambições! Felix Gall vai fazer, pela primeira vez, o Giro com ambições de geral e pode, muito bem, lutar pelo pódio. O austríaco foi 5º no UAE Tour e 6º na Catalunha, preparou com afinco a prova italiana e é daqueles ciclista que se agiganta nos grandes momentos e adora longas etapas de montanha. Johannes Staune-Mittet, Callum Scotson e Gregor Muhlberger estão longe de fazer um super-bloco na montanha, mas são ciclistas competentes nesse tipo de terreno.
O sprint não foi esquecido, com a aposta numa das confirmações do ano: Tobias Lund Andresen. O dinamarquês foi um verdadeiro reforço, 3 vitórias no World Tour e mais alguns pódios de relevo, perante alguma da concorrência que está aqui presente. Tord Gudmestad é um lançador de luxo e a adição de Rasmus Sojberg Pedersen vem tornar o comboio ainda mais forte. Oliver Naesen é o capitão, tanto o podemos ver a proteger Andresen como Gall, será fundamental ao longo de 3 semanas.
Previsão: A boa temporada da equipa francesa vai continuar. Felix Gall vai conseguir um grande resultado, ficando às portas do pódio e conseguindo vencer uma etapa. Tobias Lund Andresen também irá vencer.
EF Education – EasyPost
A ausência de Richard Carapaz é um rude golpe nas aspirações da equipa de Jonathan Vaughters. Foi preciso mudar o chip e, desta forma, o foco estará em vencer etapas ao longo das 3 semanas. Madis Mihkels é o puro sprinter da equipa, o jovem estónio tem muito talento, é capaz de sacar um coelho da cartola quando menos se espera mas também pode passar 3 semanas sem um único resultado.
Depois é tudo a pensar nas fugas. Nas etapas de média montanha/estilo clássicas, Michael Valgren é o nome a reter, o dinamarquês venceu no Tirreno-Adriático e fez uma boa temporada de clássicas, a fazer relembrar os seus tempos áureos, quem sabe não consegue vencer pela primeira vez em Grandes Voltas. Samuele Battistella é a outra peça do xadrez. Já na montanha, o bloco não é mau, mas também não podemos dizer que irá ganhar uma etapa de caras, é preciso estar na fuga certa. Jefferson Cepeda, Darren Rafferty e Markel Beloki são os que chegam em melhor forma, com James Shaw e Jardi van der Lee a completarem o “oito”. A combatividade estará assegurada.
Previsão: A equipa norte-americana vai tentar muito, tem um bloco muito combativo, a vitória vai estar perto mas não irá acontecer.
Groupama – FDJ United
A equipa francesa não tem por hábito trazer grandes equipas à prova italiana e a edição de 2026 não será exceção. Paul Penhoet é o ciclista que mais pode dar à equipa, um sprinter bastante completo e regular mas que raramente vence, alguns top-10 já será positivo tendo em conta a fraca temporada que está a fazer. Axel Huens pode ter as suas oportunidades em chegadas de pelotão mais reduzido e fugas nas etapas com média dificuldade. Cyril Barthe será o guia de ambos no pelotão, com Johan Jacobs a ter um papel semelhante.
A partir daqui as apostas recaem nas etapas de montanha, com o veterano Remy Rochas a liderar o bloco, secundado por Brieuc Rolland e Josh Kench. Nada de muito valor, terão dificuldades em se impor, são ciclistas interessantes mas dificilmente serão os melhores das fugas onde estiverem. Por fim, Remi Cavagna é a aposta para os contra-relógios
Previsão: Com uma equipa destas não se podem pedir milagres. Paul Penhoet para conseguir alguns top-10.
Lidl – Trek
Uma equipa dividida em várias frentes. Derek Gee-West foi contratado a pensar no Giro e é a aposta para a geral, veremos que nível apresenta pois não esteve muito bem no Tour of the Alps, foi apenas 12º, isto depois de ter começado a temporada a ser 7º no UAE Tour. 4º no ano passado, o objetivo passa por, no mínimo, repetir o resultado. O apoio para a montanha é razoável, com Matteo Sobrero, Giulio Ciccone e Amanuel Ghebreigzabhier mas não esperem um apoio a 100%. Ciccone tem os seus objetivos, deverá estar muito ativo em fugas e, possivelmente, em busca da camisola da montanha, tentando repetir o feito conseguido em 2019.
Jonathan Milan regressa ao Giro, numa temporada onde já leva 6 vitórias. O gigante italiano é um dos principais sprinters presentes, vai tentar repetir as 3 vitórias de 2024 e a conquista das duas maglia ciclamino, e chega com um bloco muito forte, talvez o melhor comboio da competição. Simone Consonni não precisa de apresentações, um dos melhores lançadores do Mundo, ao qual se juntam o experiente Max Walscheid e o mais jovem Tim Torn Teutenberg.
Previsão: Todas as frentes vão corresponder! Apesar das dúvidas, Derek Gee-West vai terminar no top-10 da geral. Giulio Ciccone vai levar para casa a camisola da montanha e uma etapa e Jonathan Milan vai fazer valer o seu comboio para vencer duas etapas e a maglia ciclamino.
Lotto Intermarché
Arnaud de Lie faz a sua estreia no Giro d’Itália mas também já foi anunciado que só fará os primeiros 10 dias. Até lá, tem algumas hipóteses para disputar a vitória, principalmente as chegadas mais seletivas pois todos sabemos que De Lie é terrível na colocação em sprints mais caóticos. O regular Milan Menten será o seu lançador e depois deve assumir as rédeas do sprint na restante prova, num comboio com Jonas Rutsch e Joshua Giddings. O especialista de ciclocrosse Toon Aerts é uma surpresa, veremos do que é capaz.
Quem já nos segue, sabe que consideramos Lennert van Eetvelt um enorme talento, mas também nunca sabemos o que esperar do belga. Capaz do melhor e do pior, Van Eetvelt até tem boas etapas para si, tudo depende da versão que apresentar quando a montanha aparecer. Já foi 6º no UAE Tour deste ano e depois mal se viu durante os restantes meses. Lorenzo Rota tem andado afastado dos bons resultados, acreditamos mais no jovem Simone Gualdi, alguém que já leva uma mão cheia de top-10 nas últimas semanas, fruto da sua polivalência.
Previsão: A inspiração vai aparecer num dos dias e, depois de afastado dos melhores resultados durante a maioria do Giro, Lennert van Eetvelet vai conquistar uma etapa.
Movistar Team
Estreia de Enric Mas no Giro d’Itália! O espanhol está a fazer uma preparação curiosa, apenas 10 dias de competição e já não coloca o dorsal desde 29 de março. Com um calendário diferente, veremos se Mas consegue, finalmente, voltar às boas exibições nas Grandes Voltas, algo que já não acontece desde 2024. Quem sabe se não será Einer Rubio a salvar a equipa na geral, mais discreto, o colombiano raramente falha nestes momentos, foi top-10 nas últimas duas edições da Corsa Rosa.
Juan Pedro Lopez e Javier Romo são dois gregários interessantes para a montanha, especialmente Romo, está a ter uma evolução muito boa e esperamos, também, vê-lo muito ativo nas fugas das etapas de montanha. O sempre fiável Nelson Oliveira será o capitão na estrada, o português faz de tudo, é provável que seja um dos destaques da equipa. Lorenzo Milesi terá 3 semanas de muito trabalho. Nas chegadas ao sprint, com maior ou menor dificuldade, Orluis Aular é a aposta, o venezuelano conseguiu 6 top-10 no ano passado, e terá o apoio de Ivan Garcia Cortina.
Previsão: Enric Mas muda o calendário mas não vai conseguir o desejado do top-10, tentando, depois em fugas mas também sem sucesso. Orluis Aular para ser dos mais regulares nas cheagdas ao sprint.
Netcompany INEOS Cycling Team
Uma nova era a iniciar no Giro: novo patrocinador e novo equipamento! A equipa britânica tem tido uma excelente temporada e chega muito motivada em busca de ser uma das protagonistas da corrida. Egan Bernal parte como um dos líderes, o colombiano foi 2º no Tour of the Alps e 5º na Liege, depois de vários meses no seu país a tratar uma lesão e mostra-se mais que preparado para tentar repetir o que fez em 2021 quando venceu a prova.
Thymen Arensman é o outro líder, 6º em 2023 e 2024, o ano passado não correu de feição mas depois ganhou confiança com duas etapas no Tour. Vem de ser 3º no Tour of the Alps, as dinâmicas com Bernal estão bem trabalhadas. O problema de Arensman costumam ser os primeiros dias, entra sempre mal e perde algo tempo que vem a ser importante mais à frente. Jack Haig, Embret Svestad-Bardseng e Magnus Sheffield formam um sólido bloco para a montanha, ciclistas que estão a andar bem em 2026 e muito fiáveis.
Filippo Ganna regressa ao Giro com os olhos postos no contra-relógio, mas também não seria de estranhar tentar vencer a partir de uma fuga. Para o sprint, e depois da Vuelta do ano passado onde foi um dos protagonistas e até conseguiu vencer, Ben Turner é o nome a destacar, alguém que será guiado por Connor Swift e pelo próprio Ganna.
Previsão: Mais uma equipa de quem esperamos muito. Egan Bernal para terminar no top-5 e Thymen Arensman no top-10, com o neerlandês a vencer uma etapa na terceira semana. Filippo Ganna também irá vencer, provavelmente, o contra-relógio.
NSN Cycling Team
Não temos dúvidas, a principal aposta recai nos homens rápidos da equipa. Ethan Vernon será o líder para as chegadas planas, o britânico procura a primeira vitória da carreira em Grandes Voltas, ele que este ano tem estado muito certeiro, em 3 das 4 provas por etapas que participou venceu. Se Vernon não estiver, Corbin Strong será chamado ao serviço, o neozelandês é alguém mais talhado para as etapas mais seletivas, onde não há tanta confusão e os principais sprinters já não estão presentes. Jake Stewart (que numa outra equipa até podia ser líder), Dion Smith e Ryan Mullen formam um comboio muito competente.
Alessandor Pinarello estreia-se no Giro depois de uma temporada onde está a dar nas vistas, 10º no Tirreno-Adriático e 3º n’O Gran Camiño. O talentoso trepador chega sem muita pressão, com 22 anos o principal é ganhar experiência mas com os resultados que tem apresentado as expectativas são altas. A veterania de Jan Hirt e Nick Schultz podem vir a ser importantes para guiar Pinarello e ajudar na presença em fugas. A equipa afirmar que Hirt vem lutar pelo top-10 da geral mas estamos muito recetivos quanto a esse plano.
Previsão: Ethan Vernon tem um dos melhores comboios mas vai faltar aquela pontinha extra para conquistar a vitória. Será Alessandro Pinarello, em estreia, a dar a alegria à equipa helvética.
Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team
Sem o grande líder Tom Pidcock, a equipa helvética muda totalmente o seu foco. Chris Harper é a principal aposta para a geral, o australiano dá-se bem com os ares italianos, foi 7º no Tour of the Alps e no ano passado venceu uma etapa no Giro. Apesar do foco ser a geral, acreditamos que na terceira semana vá entrar em algumas fugas. O experiente David de la Cruz já não é o que era enquanto trepador, será essencialmente um gregário, tal como Mark Donovan.
A correr em casa, Matteo Moschetti tem uma excelente oportunidade para brilhar nos sprints. A tarefa não se avizinha fácil, Moschetti não tem tido a melhor das temporadas mas é alguém capaz de surpreender. David Gonzalez será o seu braço direito, num comboio que também pode ter Sjoerd Bax e Fabio Christen. Mesmo assim, estes dois são talhados para as etapas estilo clássicas, dois bons puncheurs com boa ponta final, mas também estão a ter temporadas discretas. O elenco fica completo com Nickolas Zukowsky.
Previsão: Sem Pidcock não se pode esperar muito. Combatividade de Chris Harper e alguns top-5 para Matteo Moschetti em chegadas ao sprint.
Red Bull – BORA – hansgrohe
Muita expectativa para ver a equipa alemã e, principalmente, aquilo que Giulio Pellizzari será capaz. 6º no ano passado, este ano tem tudo para correr ainda melhor, a evolução foi impressionante. 3º na Valenciana e no Tirreno-Adriático e vencedor da geral e 2 etapas no Tour of the Alps mostram que o jovem italiano está preparado para ombrear com os melhores. Quando vemos Jai Hindley, antigo vencedor desta prova a ser um gregário muito diz da qualidade de Pellizzari.
O bloco para a montanha é muito forte, para além do já referido Jai Hindley, há Giovanni Aleotti, Ben Zwiehoff e Aleksandr Vlasov, todos ciclistas muito fortes quando a estrada inclina. Tirando Hindley, todos eles estiveram no Tour of the Alps, numa espécie de afinação para o Giro, que tão bem acabou por correr. Gianni Moscon e Nico Denz serão essenciais nas etapas planas, dois ciclistas possantes, muito experientes e que irão transmitir mais segurança a Pelizzari. Mick van Dijke fecha o elenco, vem de fazer uma excelente temporada de clássicas, será o gregário depois de Moscon e Denz e antes dos trepadores.
Previsão: Giulio Pellizzari não vai falhar neste grande momento, conquistando o 2º lugar do Giro, vencendo a classificação da juventude e, ainda, uma etapa.
Soudal Quick-Step
Não está a ser a melhor das temporadas para a equipa belga, as vitórias não abundam, ao contrário de outros anos. Após 2025 recheado de triunfos, esta não está a ser a época de Paul Magnier, apenas 2 triunfos, mas uma coisa é fazer provas 2.1, outra coisa é ProSeries e World Tour, o nível sobe bastante. A pressão está do lado do jovem francês, que no ano passado teve uma prestação discreta. Precisa de subir o nível, tem qualidade para isso e conta com Fabio van den Bossche, Jasper Stuyven, Andrea Raccagni e Dries van Gestel, um dos melhores comboios da competição. Tem a obrigação de vencer, pelo menos, uma etapa.
Gianmarco Garofoli e Filippo Zana terão carta branca nas etapas mais duras, dois trepadores muito combativos, a correr em Itália, darão tudo o que têm para conquistar uma etapa. Em especial, destaque para Zana, 2026 está a correr muito bem, vem de ser 10º na Liege e já venceu o Giro di Sardegna e foi 8º no Tour Down Under. O já referido Andrea Raccagni também pode ser alguém a considerar para os dias de média montanha, tem uma excelente ponta final em grupos mais restritos. Nas etapas planas, procurem Ayco Bastiaens na frente do pelotão, o belga vai lá estar de certeza.
Previsão: Filippo Zana chega em grande forma e vai aproveitar o momento para triunfar numa etapa de montanha. Paul Magnier vai redimir-se da temporada passada e, finalmente, vencer numa Grande Volta.
Team Jayco AlUla
Ben O’Connor é a grande aposta da equipa, o australiano vem de ser 8º no Tour of the Alps, o melhor resultado de uma temporada que tem sido discreta. 4º em 2024, O’Connor já provou que consegue bons resultados em 3 semanas mas há mais dúvidas que certezas neste momento, quem sabe se não acaba por perder tempo e depois apostar em fugas, tal como aconteceu em 2024. Koen Bouwman e Alan Hatherly não são o apoio mais completo mas são competentes no que fazem e também podem vir as suas chances em fugas, têm valor para isso.
Para as etapas planas, Pascal Ackermann é o nome a considerar, outro ciclista que está a ter uma temporada muito discreta, tanto consegue estar na luta pelos primeiros lugares como desligar por completo. Robert Donaldson e Felix Engelhardt serão os seus lançadores, num comboio onde também se pode juntar Andrea Vendreame, algém que será resguardado para as chegadas mais seletivas. O italiano gosta muito do “seu” Giro e está a ter uma temporada positiva, merece a confiança dos responsáveis. Christopher Juul-Jensen será o capitão da equipa.
Previsão: Ben O’Connor para fazer uma remontada à Ben O’Connor e terminar no top-10 depois de recuperar tempo em fugas. Andrea Vendrame está a ter uma temporada excelente e já merece uma grande vitória, algo que irá acontecer.
Team Picnic PostNL
Que temporada horrível da formação neerlandês, ainda pior que muitas ProTeams! Os pontos UCI são urgentes e a equipa vem focada nisso, vencer etapas. Falando em vencer, esse verbo não rima com a Picnic PostNL, apenas 1 vitória em 2026 que foi conseguida na semana passada na Volta a Turquia por … Casper van Uden. O sprinter neerlandês está presente, chega confiante, pois venceu nesta prova em 2025. Apesar de tudo, é muito irregular nunca sabemos o que esperar. Timo de Jong, Sean Flynn e Tim Naberman vão tentar guiar Van Uden.
Para a montanha, o principal nome é Warren Barguil, mas longe vão os tempos em que o francês era um perigo nas etapas mais duras, ele que chega com apenas 9 dias de competição. Mais depressa vemos Chris Hamilton e Gijs Leemreize, dois ciclistas habituados ao ataque, a estarem em destaque nestes dias. Vencer será muito difícil, a concorrência é muito forte. Frank van den Broek será mais talhado para as etapas de média montanha, é um ciclista que também tem uma boa ponta final.
Previsão: O pesadelo irá continuar, mais uma prova para esquecer por parte da formação neerlandesa.
Team Polti VisitMalta
Uma das equipas convidadas para esta edição da Volta a Itália. Uma coisa é certa, a combatividade não faltará à formação italiana, nomes como Mattia Bais, Mirco Maestri e Alessandro Tonelli já são presenças assíduas em fugas do Giro, seja em etapas planas ou etapas estilo clássicas, onde até podem conseguir algum resultado de relevo. Giovanni Lonardi é o homem rápido da equipa, o apoio não é muito mas o italiano tem por hábito desenrascar-se sozinho e imiscuir-se entre os melhores.
Aos 22 anos, Ludovico Cresciolli faz a estreia em Grandes Voltas, o novo nome de referência da Polti no que diz respeito à montanha. O jovem transalpino vem para aprender e, quem sabe surpreender, ele que venceu o Giro dell’Appennino e foi 4º no Tour de Jura este ano. Mais fuga para Diego Pablo Sevilla e o maltês Andreas Mifsud para as etapas de média montanha, a combatividade está assegurada. Os melhores rsultados podem vir de Thomas Pesenti, ciclista que passa bem a média montanha e tem uma excelente ponta final em grupos restritos, ele que fez 4º, 3º e 2º nas útlimas provas, chega em forma.
Previsão: Muito do que dissemos acerca de Bardiani também se repete aqui, será das equipas que mais vezes vai estar em fuga e que pode ganhar uma classificação secundária, como tem acontecido. Alguns top-10, entre Lonardi, Tonelli e Pesenti.
Team Visma | Lease a Bike
All-in para Jonas Vingegaard! Pela primeira vez na carreira, o dinamarquês corre a Corsa Rosa com o objetivo de completar o trio de vitórias nas Grandes Voltas. 2026 está a ser excelente, com vitórias convincentes no Paris-Nice e Volta a Catalunha, juntando 2 etapas em cada uma das provas. A pressão está toda do lado de Vingegaard, se falhar será uma surpresa, ele sabe disso. Com o Tour também no horizonte, não nos admirávamos que Vingegaard tentasse resolver o Giro relativamente cedo, para não acumular tanto desgaste, mas isto só a estrada o dirá.
Sepp Kuss é o seu braço-direito, o norte-americano está sempre presente nas vitórias de Vingegaard, conhece-o como poucos e nas Grandes Voltas sobe sempre o nível. Wilco Kelderman aportará muita experiência, o neerlandês tem sido muito importante nos últimos tempos, num papel diferente de outros tempos. Davide Piganzoli é jovem mas também já mostrou muito valor, pode ser uma das confirmações do Giro, não nos admirávamos que fosse um dos últimos gregários de Vingegaard.
Bart Lemmen é sempre um corredor fiável no terreno ondulante e depois há o todo-o-terreno Victor Campenaerts. Já não podemos dizer que o belga é um contra-relogista ou classicómano, a transformação que fez nos últimos anos foi impressionante, está a subir muito bem, é capaz de destruir um pelotão. Timo Kielich e Tim Rex serão os gregários para as etapas planas, vão ter muito trabalho na proteção e em guiar o seu líder.
Previsão: A missão vai ser concluída com sucesso e Jonas Vingegaard vai vencer o Giro d’Itália! O dinamarquês não vai dar hipóteses à concorrência e vai juntar duas etapas ao seu currículo.
Tudor Pro Cycling Team
10º em 2024 e 2025, Michael Storer vem à procura de mais e melhor! O australiano é um ciclista de 3 semanas, é capaz de grandes exibições mas também é acpaz de ter dias menos bons. Não chega tão forte como nas outras épocas, talvez propositado para não atingir o pico de forma tão cedo, e mesmo assim foi 4º no Tour of the Alps. Formará uma dupla muito perigosa com o jovem Mathys Rondel, apenas 22 anos e que foi 5º no Tour of the Alps e 8º no Paris-Nice. 3 semanas exigentes ainda pode ser demais mas a qualidade está toda lá.
Florian Stork e Larry Warbasse vão dar o apoio nas etapas mais duras enquanto puderem, sendo que Stork é alguém a ter em atenção para as fugas, Will Barta será um canivete suíço (é um corredor muito completo) e depois há o bloco do sprint. Luca Mozzato é a principal aposta para as chegadas rápidas, longe de ser um puro sprinter, o italiano é alguém que se sabe colocar bastante bem e é meio caminho para um bom resultado. Fabian Lienhard e Robin Froidevaux serão os seus lançadores.
Previsão: Michael Storer vai voltar a repetir o top-10 das últimas duas edições. Mathys Rondel vai rondar a vitória por várias vezes, mas esta não irá surgir.
UAE Team Emirates – XRG
Órfã de João Almeida, a UAE Team Emirates teve de reformular os seus planos para o Giro 2026. Adam Yates passa a ser o líder da equipa, o britânico tem uma oportunidade inesperada (seria o principal gregário do português) para liderar a formação árabe. A temporada não está a ser tão exoberante como as anteriors, mas a vitória n’O Gran Camiño terá dado confiança. Nunca sabemos o que esperar do elenco da UAE, em teoria, o bloco de montanha é bastante bom mas todos sabemos como é a anarquia e, sem um grande líder deverão ter mais liberdade.
Jay Vine deve ser o braço direito de Yates mas oportunidades em fugas não devem faltar, basta pegar na última Vuelta.Os espanhóis Marc Soler e Igor Arrieta e o irreverente Jan Christen também têm várias etapas ao seu jeito, não vão desperdiçar as oportunidades. Jhonatan Narvaez é outro, não deverá ficar tão amarrado aos seus líderes, evoluiu muito na montanha e continua com uma excelente ponta final, um perigo para as etapas de média dificuldade. António Morgado faz a estreia em Grandes Voltas, veremos que tipo de liberdade terá numa equipa recheada de estrelas. Igor Arrieta e Mikkel Bjerg será um ciclista de muito trabalho, o dinamarquês será sempre o primeiro homem a colocar a cara ao vento.
Previsão: Adam Yates vai conseguir fazer esquecer a ausência de João Almeida e vai terminar em 3º. Será o Giro recheado de ataques por parte da UAE, com Jan Christen e Jay Vine a vencerem etapas a partir de fugas.
Unibet Rose Rockets
O desapontamento da ausência do Tour desapareceu com o convite para o Giro e as expectativas são altas. A realizar a melhor temporada dos últimos anos, Dylan Groenewegen chega como o principal líder da equipa e um dos grandes sprinters presentes. O neerlandês leva já 4 vitórias em 2026 e tem um bloco muito forte a seu lado, com o seu fiel lançador Elmar Reinders, Hartthijs de Vries, os irmãos Matyas e Tomas Kopecky e Lukas Kubis.
Kubis será mais que um ciclista de trabalho, nos dias mais duros terá as suas chances, um sprinter mais completo que, apesar de não ser um ganhador, é alguém muito fiável nas etapas de maior dificuldade. Niklas Larsen terá os olhos postos no contra-relógio individual, ele que também pode ser peça importante no comboio de Groenewegen. Para a montanha há o veterano Wout Poels, só lhe falta ganhar uma etapa no Giro (falando das Grandes Voltas), esperamos ver muitos ataques do neerlandês, resta saber que versão teremos. Já não corre desde a Milano-Sanremo, talvez preparando com pinças esta prova.
Previsão: Vai ser a estreia perfeita para a formação de Bas Tietema em Grandes Voltas! Dylan Groenewegen acertou na equipa e no comboio, ganhou a confiança que falta e vai conseguir vencer uma etapa.
Uno-X Mobility
Uma equipa sempre interessante de seguir e que faz a sua estreia no Giro! Como seria de esperar, sem um ciclista a apontar para a geral, o foco estará nas vitórias em etapa. Erlend Blikra é o sprinter de serviço, o norueguês é alguém muito consistente, que já venceu este ano, com a colocação certa pode conseguir resultados interessantes. Para as etapas de média montanha/estilo clássicas, Markus Hoelgaard, Frederik Dversnes e Sakarias Loland são as opções a considerar, ciclistas muito combativos, mesmo ao estilo da equipa, todos com uma ponta final razoável em grupos restritos.
Entre os trepadores, Johannes Kulset e Andreas Leknessund são as cartas principais, dois atletas com mais experiência, sendo que Leknessund até já fez top-10 nesta prova mas agora os objetivos são outros. Num dia em que os astros estejam todos alinhados, podem causar muito perigo. Adne Holter e Martin Tjotta são mais duas opções mas acreditamos que serão apoios importantes para Kulset e Leknessund, a Uno-X é uma equipa muito coesa e sempre com os planos bem definidos.
Previsão: Se há algo que não vamos puder apontar à Uno-X vai ser falta de atitude, vão tentar, e muito, a vitória em etapa. Mesmo assim, não irá surgir, com Leknessund a ser o mais interventivo da equipa.
XDS Astana Team
A formação cazaque tem uma história muito positiva com o Giro, muito devido à base italiana da equipa. Não há uma aposta para a classificação geral, mas isso não significa que tenham uma equipa fraca à partida, longe disso! Christian Scaroni brilhou no ano passado e regressa para tentar voltar a vencer uma etapa e, quem sabe, apostar novamente na classificação da montanha. Mais que um puncheur, Scaroni está um ciclista cada vez mais completo.
Harold Martin Lopez é o verdadeiro trepador da equipa, pequeno ciclista equatoriano de enorme valor que este ano tem estado um ponto mais apagado. Depois há o veterano Diego Ulissi que, apesar dos seus 36 anos, continua a ser um ciclista muito perigoso nas etapas de média montanha. Este ano junta-se o uruguaio Thomas Silva, recente vencedor do Tour of Hainan, um ciclista muito parecido com Ulissi em termos de características.
Arjen Livyns será um “faz-tudo” numa equipa que também aposta ao sprint com Matteo Malucelli, sprinter bastante competente que, mesmo numa 2ª linha, este ano já derrotou Jonathan Milan. Davide Ballerini será um lançador de luxo, chega cheio de confiança após vencer na Volta a Turquia e se Malucelli não estiver também pode ser aposta. Por fim, há Alberto Bettiol, tem sido uma sombra de si próprio mas é daqueles ciclistas que pode aparecer quando menos se espera.
Previsão: Os comandados de Alexandre Vinokourov têm um excelente relação com o Giro e vai continuar. Christian Scaroni vai voltar a vencer uma etapa e ser um dos protagonistas ao longo das 3 semanas, andando na luta pela classificação da montanha. Não seria de estranhar ver Matteo Malucelli sacar um coelho da cartola numa etapa ao sprint.