A La Vuelta está de regresso com uma etapa bastante complicada e difícil de prever. Conseguirão os sprinters aguentar as dificuldades ou veremos uma fuga a triunfar?

Percurso

Alcaraz recebe a partida da segunda semana da Vuelta e, consequente, 10ª etapa da competição. Os primeiros 23 kms são quase sempre em subida, vários pequenos topos, incluindo o Puerto de las Cruceras (3,2 kms a 5%) mas a primeira contagem de montanha aparece apenas ao km 48, falamos do Puerto del Peralejo (5,2 kms a 4,2%). 30 kms mais rápidos, com ligeiras subidas e uma curta descida levam ao início do Puerto de Ayna (7,7 kms a 4%). Estamos a meio da etapa e a maioria das dificuldades já estão ultrapassadas.

70 kms, maioritariamente, num falso plano em descida levam aos 35 kms finais que são tudo menos fáceis. 1000 metros a 8,6% e 1500 metros a 6,6% antecedem o Puerto de Socovos (9,8 kms a 3,5%). O topo da subida fica a 21 kms do fim, praticamente 15 kms de descida antes das dificuldades finais. Primeiro 1700 metros a 5,5%, curta descida e depois a chegada a Elche de la Sierra faz-se com 4100 metros a 2,6%.



Táticas

À primeira vista, esta é uma etapa ideal para a fuga, o percurso é difícil demais para os sprinters e fácil demais para os homens da geral. No entanto, todos sabemos que a lista de sprinters presentes na Vuelta não é a mais forte e os que estão presentes passam bem este tipo de dificuldades. Mais uma vez, a chave da corrida vai estar na Visma|Lease a Bike e, talvez, na Lidl-Trek.

Se ambas as equipas decidirem atacar para a fuga, esta vai ter sucesso, caso decidam controlar no pelotão para os seus homens rápidos também o vão conseguir, pois têm equipa mais que suficiente para reduzir o pelotão e afastar os puros sprinters da luta.

 

Favoritos

Wout van Aert – com o abandono de Tadej Pogacar a camisola verde tornou-se mais “fácil” de alcançar, mas conhecendo o belga sabe a pouco e a vitória em etapa é um objetivo. Já foram várias tentativas, já esteve perto e parece estar a melhorar a sua forma. É daqueles que não terá dificuldades em passar as subidas e é muito rápido em grupos mais restritos.

Mads Pedersen – o problema de saúde parece ultrapassado, o dinamarquês avisou que está de volta ao seu melhor e esta etapa é a sua cara. É nestes dias que Pedersen gosta de aparecer, dias longos e duros em cima da bicicleta. A Lidl-Trek terá de endurecer a corrida, Pedersen tem de rematar com a vitória.

 

Outsiders

Christophe Laporte – tem sido o lançador de Brennan, amanhã pode ter a sua hipótese. Seja com um ataque na parte final ou ao sprint, o francês é uma carta muito válida, sempre gostou destes finais e tem algumas vitórias importantes em chegadas deste género. Se a Visma lhe der liberdade muito cuidado.



Finn Fisher-Black – final de etapa perfeito para o neozelandês. Na 2ª etapa arrancou de muito longe, amanhã tem de saber medir melhor o seu esforço se quiser ter chances de vencer. Até gostaria de um final mais duro, por isso quanto mais endurecida for a corrida melhor para si.

Pau Miquel – 2º na já referida 2ª etapa, um resultado que deve ter dado muita confiança ao espanhol da Bahrain-Victorious. A sua equipa procura vitórias, amanhã é um dia perfeito para Miquel, é neste tipo de chegadas que consegue brilhar. Tem de estar perfeito, quer no posicionamento, quer no lançamento do sprint.

 

Possíveis surpresas

Axel Laurance – 8º e 5º nas duas primeiras chegadas ao sprint após etapas mais duras, amanhã é mais um dia parecido onde o antigo campeão do Mundo sub-23 pode aparecer. Longe de ser um puro sprinter, é um puncheur que gosta de finais mais inclinados.

Bryan Coquard – noutros tempos diríamos que era um final perfeito para Le Coq, no entanto já não parece o mesmo. No entanto se a etapa não for muito atacada, aliada à confiança conquistada com a vitória, pode estar na luta e ser um perigo.

Alessandro Romele – o jovem italiano é um sprint que passa bem este tipo de dificuldades e, com a motivação que apresenta neste momento da Vuelta, pode ser um ciclista muito perigoso.

Matthew Brennan – dos 3 ciclistas da Visma é aquele que vemos com mais dificuldades em passar as subidas mas … não é de todo descabido que consiga estar na frente. Caso seja esse o cenário, vemos a equipa neerlandesa a trabalhar para si.

Jordan Labrosse – será que a Decahtlon vai dar liberdade aos seus gregários? O francês não apresenta muitos resultados mas sempre que há finais deste género aparece entre os primeiros, é uma alternativa aos nomes mais óbvios.



Kevin Vermaerke – numa UAE Team Emirates desfalcada, o norte-americano deve ser a carta para amanhã. Um corredor mais explosivo que pode atacar de longe e tentar surpreender os sprinters.

Ivan Romeo – é daqueles ciclistas que pode atacar de longe e, com a sua capacidade de contra-relogista, enganar o pelotão. Veremos é se terá liberdade dentro da Movistar, é um apoio importante para Enric Mas.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Ivo Oliveira e Magnus Cort.

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