A longa primeira semana da Vuelta termina com uma grande etapa de montanha e mais uma chegada em alto. Sem Tadej Pogacar, quem irá ser o mais forte?
Percurso
188 kms de alta montanha para terminar a longa primeira semana de competição. Apesar da primeira contagem de montanha, o Puerto de Tàrbena (7,2 kms a 5,4%) aparecer ao km 30, os ciclistas têm alguns pequenos topos até lá chegar, o início é bastante complicado e, ainda na primeira metade da etapa terão pela frente o Puerto de El Miserat (5,2 kms a 9,9%) e o Puerto de Tollos (4 lms a 5,6%).
A 70 kms do fim aparece o Puerto de Tudons (7,1 kms a 5,1%), praticamente seguido do Puerto de Benifallim (4,8 kms a 5,9%). Esta última subida tem o seu topo a 48 kms do final da etapa, com o terreno a tornar-se muito rápido a partir daqui, com praticamente 26 kms de descida, apenas interceptados a meio com uma colina de 2400 metros a 5,3%. Num ápice os ciclistas estão no sopé da subida final para o Alto de Aitana.
A subida final é um monstro em extensão, 21 900 metros a 5,8% mas é uma subida que acaba por enganar. Os primeiros 15 kms são relativamente acessíveis, as pendentes raramente sobem dos 6-7%, ao contrário da parte final, com 6,6 kms a 7,8%, incluindo dois kms acima dos 9%.
Táticas
Dia com praticamente 5000 metros de desnível acumulado positivo para terminar a longa primeira semana da Vuelta, um dia de alta montanha que ainda não tinha aparecido. Sem Pogacar, acreditamos que a corrida vai ser muito mais atacada, a luta pela vitória final está ao rubro! A Decathlon deverá assumir uma postura ainda mais ativa e, talvez, a Netcompany INEOS também possa ajudar.
Por outro lado, temos os ciclistas apostados na fuga que também sabe que podem dar um pouco mais de si pois também têm o dia de descanso pela frente. Será um começo de etapa de loucos, muita coisa vai-se decidir nessa altura. Damos ligeira vantagem ao grupo dos favoritos discutir o triunfo nesta última etapa da primeira semana da Vuelta.
Favoritos
Felix Gall – este é o terreno do austríaco, a alta montanha. Temos visto que não tem medo de colocar a sua equipa ao trabalho e quando mais endurecida for a corrida melhor para si. Sabe que tem de ganhar tempo aos seus rivais, é daqueles que vai atacar na parte mais dura. Tem é de ser um pouco mais inteligente na gestão dos esforços.
Enric Mas – a melhor versão do espanhol está de volta! O espanhol está com a confiança em alta, é líder da Vuelta e agora tem tudo a ganhar, está numa posição privilegiada. Tem uma vantagem sólida mas sabe que tem de continuar a ganhar tempo e, apesar de não ser um ciclista muito ofensivo, tem melhorado nesse aspeto. Tem de correr de forma inteligente como fez na etapa 7.
Outsiders
Oscar Onley – será que aprendeu com o erro de não seguir Pogacar? Ontem não o fez e acabou por realizar uma melhor etapa, o que demonstra que está bem fisicamente. Após a quebra na etapa 7 perdeu bastante tempo, tem de arrepiar caminho se ainda quiser sonhar com o pódio final.
Primoz Roglic – o esloveno continua muito regular e ainda com o lugar assegurado no pódio. Apesar disso, sabe que vai ser muito atacado pelos seus rivais, é um dia de alta montanha onde vai sofrer e tentar limitar as perdas. Já não é o mesmo de outros tempos mas agora com a vitória em aberto a estratégia será outra.
Tobias Halland Johannessen – 2º na etapa 8, não podia fazer mais tendo em conta o seu colega na frente. Agora é hora de brilhar, numa etapa de montanha bem ao seu estilo. A subida final é perfeita para si e, numa fuga, dificilmente não será dos trepadores mais fortes. Tem de aproveitar enquanto está com frescura física.
Possíveis surpresas
Richard Carapaz – dia negro na etapa de ontem, perdeu muito tempo e começou a dizer adeus à luta pelo pódio. Conhecendo o equatoriano, se estiver bem, é daqueles que vai tentar atacar para começar a recuperar tempo, o problema é se gasta a energia demasiado cedo.
Lorenzo Fortunato – muito discreto nos últimos dias, estará em baixo de forma ou a guardar-se para dias importantes? A montanha é um objetivo, amanhã há muitos pontos, tem de estar na frente de corrida.
Santiago Buitrago – não vinha com esse objetivo, mas desde que ficou de fora da geral parece querer a montanha. Tem estado em algumas fugas no entanto cede sempre na parte final. Apesar de tudo, num dia super é capaz de brilhar e vencer de forma categórica.
Valentin Paret-Peintre – não estará a acusar o desgaste do Tour? Na fuga de ontem não foi dos melhores mas também já não estava a lutar pela etapa, talvez reservado energias para outros dias. A subida final é perfeita para as suas características.
Juan Filipe Rodriguez – que agradável surpresa tem sido o jovem colombiano. A estrear-se em Grandes Voltas, Rodriguez já ajudou muito Carapaz e já esteve em evidência numa fuga. Se tiver capacidade e disponibilidade física, uma etapa de alta montanha é a sua praia.
Cristian Rodriguez – é daqueles ciclistas discretos mas que anda quase sempre no top-20. Veio a pensar no top-10, já perdeu algum tempo, está na hora de entrar em fugas e começar a recuperar. A correr em casa estará mais que motivado para conseguir um bom resultado e a grande vitória da carreira.
Clement Berthet – ainda mais perto do top-10 que Rodriguez. O trepador francês está a subir muito bem e um lugar final entre os melhores seria um resultado de relevo. Trepador competente, numa fuga sem grandes nomes até pode conseguir surpreender.
Jay Vine – sem Pogacar, o australiano pode continuar a sua história de amor com a Vuelta, já aqui venceu muitas etapas, incluindo chegadas em alto.
Urko Berrade – mais um antigo vencedor de etapas na Vuelta mas que anda ainda mais desaparecido. O espanhol nunca foi um ciclista muito regular, é alguém que aparece nos grandes momentos, seria importante um bom resultado aqui, numa altura em que a Kern Pherma desespera por visibilidade.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Mario Aparicio e Embret Svestad-Bårdseng.