Após uma etapa curta, nada melhor que uma longa maratona no Giro! Clássica etapa de transição de uma Grande Volta, com a média montanha a aparecer e a favorecer os ciclistas atacantes.

 

Percurso

Regresso das maratonas, com 202 kms no menu do dia. 55 kms iniciais planos levam às duas subidas mais longas do dia, o Passo dei Tre Termini (8,2 kms a 5,9%) e o Cocca di Lodrino (8,2 kms a 4,1%). Passadas estas subidas ainda restam mais de 120 kms, sendo que 50 dos que se seguem são relativamente planos e levam ao sprint intermédio do dia, situado em Roncone (4,8 kms a 5%).

Mais 40 kms sem subidas categorizadas mas o terreno torna-se muito mais complicado, com alguns pequenos topos a aparecerem pelo caminho, antes da subida de Andalo-Lever (8,3 kms a 3,6%). Longe de ser uma subida dura mas os 3 primeiros kms, que levam ao Km Red Bull têm 5,8% de média, pode ser aí que surjam os ataques. No alto, 11 kms para o final, rápida descida até aos 4 kms finais onde aparecem 2300 metros a 6,8% antes dos 1100 metros finais planos.



 

Táticas

Após uma etapa curta e supersónica, amanhã voltamos às maratonas. Dia muito longo em cima da bicicleta, onde esperamos mais um começo a toda a velocidade fruto do início plano, quem sabe a fuga não se forma só no Passo dei Tre Termini. Falando da fuga, este é um dia perfeito para os fugitivos, dia muito duro para os sprinters e relativamente acessível para os homens da geral.

Desta forma, a luta será intensa e é expectável um grupo muito numeroso na frente. A partir daqui, a corrida será jogada em duas frentes, uma pela vitória em etapa e outra pela geral, caso existam ataques, o que até pode não acontecer. O final é bastante complicado, os puncheurs e trepadores mais explosivos têm vantagem, por isso esperamos uma corrida atacada de longe, com os ciclistas mais débeis nesse terrenos a tentar arriscar a sua sorte no terreno mais acessível.

 

Favoritos

Jhonatan Narvaez – outro ciclista que esteve na fuga hoje, cumpriu com o seu objetivo e começar a descansar. Amanhã é um dia muito importante para o equatoriano, está na luta pela maglia ciclamino e a etapa é perfeita para si. Já mostrou que neste tipo de terreno dificilmente é batido, quererá um 4º triunfo para somar pontos importantes.

Giulio Ciccone – mais uma etapa e mais uma menção ao italiano. Hoje voltou a estar muito ativo e quando viu que a fuga não teria sucesso decidiu poupar-se, já pensando nas próximas batalhas. Apesar de não ser uma grande etapa de montanha, este terreno rompe-pernas adapta-se muito bem ao estilo de Ciccone, um ciclista muito explosivo.

 

Outsiders

Andreas Leknessund – já com dois segundos lugares neste Giro, o norueguês sabe que é neste tipo de etapas que tem de apostar, sem muita montanha mas com alguma dureza. Muito combativo, Leknessund não se pode guardar para a última subida, é daqueles que tem de tentar a clássica fuga de la fuga.



Jasper Stuyven – o primeiro “não trepador” desta lista mas que quando está bem é um perigo, basta ver que foi 3º na etapa 13. Ninguém vai querer ir consigo até ao final por isso sabe que vai ser atacado e aí vai tentar antecipar as movimentações dos trepadores. Um dos ciclistas mais experientes do pelotão, sabe ler muito bem a corrida.

Florian Stork – começou muito bem o Giro, agora tem estado mais no apoio aos seus líderes. A Tudor costuma dar liberdade aos seus ciclistas e se há etapa que encaixa no alemão é este. É um ciclista que sobe bastante bem e em grupos restritos é muito rápido, tem todas as condições para vencer.

 

Possíveis surpresas

Jan Christen – tentou hoje, era duro demais e cedo descaiu. Amanhã tem uma nova oportunidade, talvez uma das melhores até ao final do Giro. As subidas mais curtas e explosivas são perfeitas para as suas características.

Lorenzo Milesi – mais apagado nesta segunda metade do Giro, talvez a acusar o esforço mas não deixa de ter aqui uma boa etapa para si. Hoje não esteve ao ataque, já pensando numa etapa mais ao seu estilo.

Aleksandr Vlasov – se na montanha não dá, o russo tem de tentar nestes dias de média montanha, onde o terreno mais explosivo acaba por beneficar as suas características. A Red Bull-BORA não vai querer sair do Giro de mãos a abanar.

Filippo Ganna – tirando o contra-relógio que ganhou, tem sido um Giro muito discreto, ainda temos a expectativa de ver o italiano a tentar e tem de o fazer nos próximos dois dias. É alguém que pode tentar a fuga de la fuga.

Alberto Bettiol – momento de brilhantismo na etapa 13, algo que já não víamos o italiano a fazer há muito tempo. Todos sabemos da sua qualidade, aquela exibição foi prova disso, mas cairá o raio no mesmo sítio duas vezes?



Thomas Silva – uma alternativa dentro da XDS Astana. Começou muito bem o Giro e já somou mais alguns resultados interessantes, principalmente em etapas deste género. Com a confiança em alta é um perigo.

Michael Valgren – 4º no dia em que ganhou Bettiol, o dinamarquês mostrou uma boa versão de si. Amanhã as derradeiras subidas não são tão duras, o que o favorece, se estiver na fuga certa pode vencer.

Andrea Raccagni – se Narvaez estiver na frente a Soudal QuickStep também vai estar e o jovem italiano é a melhor opção de marcação. Trepador razoável, já conseguiu mostrar isso neste Giro e excelente ponta final, adora estes dias de média montanha.

Simone Gualdi – numa Lotto muito desfalcada, o jovem italiano é a melhor hipótese para um bom resultado. Clássico ciclista italiano, bom na média montanha e relativamente explosivo.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Edoardo Zambanini e Magnus Sheffield.



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