Antes do regresso da montanha, os puncheurs e classicómanos têm uma última oportunidade de discutir a vitória em etapa neste Giro. Teremos nova fuga a ter sucesso?

 

Percurso

Partida de Fai della Paganella para a 18ª etapa do Giro, um dia com 171 kms e que começa com 20 kms planos. Aí surgem 4,9 kms a 6,2% e 2,6 kms a 5,1%, duas colinas que não são subidas categorizadas mas que podem fazer moça. A partir daqui o terreno é mais acessível, 50 kms muito rápidos até à subida de Fastro (2,3 kms a 3,9%), seguindo-se mais 50 kms tranquilos até ao sprint intermédio em Guia que leva a uma colina com 1900 metros a 6,2%.

No alto, 37 kms para o fim, 24 dos quais muito rápidos até à derradeira subida do dia, o Muro Ca’ Del Poggio. Apenas 1100 metros mas com uma inlincação média de 11,3%, com os 600 metros do seu miolo a uma média impressionante de 14,2%! 12 kms até à meta em Pieve di Soligo, num terreno que será muito rápido.



Táticas

Última etapa de colinas neste Giro, ou seja, última oportunidade para muitos dos ciclistas presentes. Entre puncheurs, classicómanos, sprinters que passam bem as dificuldades e até trepadores (a última subida é muito dura), a lista de candidatos é enorme. A questão principal é quem pode controlar a etapa. A UAE Team Emirates é a opção mais lógica, Jhonatan Narvaez tem aqui um dia chave para a maglia ciclamino, mas reduzida a 5 elementos o mais fácil é colocar o equatoriano na fuga.

Irão equipas como a NSN e Movistar arriscar controlar o pelotão para depois verem os seus sprinters a ficarem para trás no Muro Ca’ Del Poggio? A Movistar já o fez por duas vezes e acabou de mãos a abanar, por isso duvidamos muito que venha a acontecer, por isso é mais uma grande oportunidade para a fuga vingar.

 

Favoritos

Jhonatan Narváez – quem está a fazer um Giro deste nível merece ser mencionado dia atrás de dia. Para além disso, e como já referimos, amanhã é muito importante para a maglia ciclamino, os 50 pontos na meta podem valer a conquista da mesma. O equatoriano vai fazer de tudo para estar na frente, pode é ser atacado por todos os lados tal como aconteceu hoje. É aí que o apoio da equipa será fundamental, tem de ter gregários na frente.

Orluis Aular – uma opção com várias alternativas. O venezuelano tanto pode vencer através do pelotão mas o melhor é atacar e estar na fuga. A Movistar tem conseguido colocar vários ciclistas na frente e isso pode ser importante para controlar possíveis ataques e evitar que Aular se desgaste tanto. A equipa espanhola já merece uma vitória neste Giro.

 

Outsiders

Giulio Ciccone – mais uma etapa e mais uma menção ao italiano. Foi o que dissemos ontem e é o que voltamos a repetir. Esteve na fuga, mas tal como Narváez acabou muito marcado e nem top-10 fez. É certo que sexta-feira é um dia importante para a montanha mas neste momento só quer vencer uma etapa. Se há ciclista capaz de atacar e se isolar na subida final é o italiano.



Thomas Silva – hoje a XDS Astana não colocou ninguém na fuga, amanhã duvidamos que se venha a repetir o cenário. O uruguaio já tem o seu Giro feito, venceu logo ao 2º dia, mas não abrandou, conseguindo mais um pódio e ainda um 4º lugar. A subida final não lhe mete medo e depois num pequeno grupo será dos mais rápidos.

Filippo Ganna – esteve discreto hoje, amanhã é a derradeira oportunidade, numa etapa mais ao seu jeito. Sabe que ficará para trás na subida por isso, ou antecipa os ataques ou fica perto e consegue recuperar na parte rápida até à meta. Nunca esquecer que é rápido em grupos mais restritos.

 

Possíveis surpresas

Jasper Stuyven – uma etapa bem ao estilo das clássicas da Primavera, onde o experiente belga se dá tão bem. Tem feito um Giro muito positivo, vencer seria a cereja no topo do bolo e é um ciclista que já merecia um grande triunfo.

Corbin Strong – ciclista parecido a Aular, pode vencer em vários cenários, mas sabe que será muito marcado e atacado pois ninguém vai querer chegar consigo. Para vencer, tem de ter colegas na frente.

Toon Aerts – muito boa estreia em Grandes Voltas para o especialista de ciclocrosse da Lotto. Estas subidas mais curtas e explosivas são melhores para si, ele que já demonstrou ser bastante rápido em grupos mais restritos.

Ben Turner – uma alternativa dentro da Netcompany INEOS, alguém que também já merecia o seu momento. O britânico sobe bastante bem nos dias em que está “inspirado” e no final de uma Grande Volta continua a ter uma excelente ponta final.

Andreas Leknessund – terceiro 2º lugar neste Giro, a vitória tem estado tão perto e tão longe ao mesmo tempo. O norueguês já merecia mais sorte, amanhã deverá voltar a tentar, sabe que tem de antecipar as principais movimentações.



Diego Ulissi – uma das velhas raposas do pelotão. Já não tem a explosão de outros tempos, mas continua a ser um ciclista muito perigoso neste tipo de terreno. Antecipando os principais ataques terá mais hipóteses, principalmente num grupo mais reduzido.

Mick van Dijke – esteve na fuga de hoje mas ficou para trás na última dificuldade. Amanhã, numa etapa mais parecida com uma clássica um resultado melhor é bem possível.

Lorenzo Milesi – tem sido um dos gregários deste Giro, já merecia algo mais. Se a Movistar tiver vários elementos na frente, algo que esperamos que aconteça, pode atacar de longe e a sua movimentação resultar.

Alberto Bettiol – será que ainda terá capacidade para vencer uma nova etapa? Conseguirá voltar a subir o nível? O italiano mostrou que está muito à vontade neste tipo de subidas mais curtas e, depois daquela exibição, estará muito marcado.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Thomas Pesenti e António Morgado.



By admin