Chega ao fim mais uma edição do Tour e, como sempre, Paris acolhe o final da Grande Boucle. Os Campos Elísios e a subida de Montmartre serão o palco da consagração e da disputa da última vitória em etapa.
Percurso
Dia final do Tour, longe de ser a consagração habitual. Partida já dentro de Paris, apenas 89 kms numa etapa encurtada devido à falta de polícia para a primeira fase da etapa. Os primeiros quilómetros serão nos Campos Elísios, onde os ciclistas farão 5 voltas no tradicional circuito citadino. A 48 quilómetros do fim, os ciclistas saem desse circuito e aparece outro circuito a ser feito por 3 vezes.
O Côte de la butte Montmartre (1100 metros a 5,9%) é a grande dificuldade, acrescida de ser feita em grande parte em paralelo, sendo que o seu miolo tem a parte mais dura, com rampas acima dos 7%. Na última passagem restam 11 quilómetros para a chegada, num terreno que se torna muito rápido até os ciclistas voltarem a estar nos Campos Elísios.
Táticas
Apesar de não ser a habitual parada do pelotão até Paris, acreditamos que seja um dia tranquilo, para as habituais fotos e festejos até à entrada dos Campos Elísios. Aí vai-se iniciar uma nova corrida, principalmente com o segundo circuito. As primeiras passagens deverão servir para endurecer a corrida, a última será atacada, de forma a deixar os sprinters que ainda restarem para trás. Se o grupo certo conseguir fugir na subida final a Montmartre, será muito difícil de alcançar pois o terreno é muito rápido até ao regresso aos Campos Elísios.
Favoritos
Tadej Pogacar – fala desta etapa desde que perdeu no ano passado para Wout van Aert, a motivação será fazer melhor. O esloveno é um campeoníssimo, vencer de amarelo nos Campos Elísios seria o coroar de uma grande Volta a França e aumentar o estatuto de lenda. Preferiria a subida final mais perto da chegada.
Mathieu van der Poel – esta é uma etapa que deve ter marcada no livro de prova desde sempre. Ciclista de objetivo específicos, raramente falha nestes momentos. Sabe que pode vir a sofrer um pouco com os ataques de Pogacar em Montmartre, mas os 11 kms até ao fim acabou por o beneficiar, tal como o final em ligeira subida e empedrado.
Outsiders
Remco Evenepoel – cada vez melhor na alta montanha mas esta não deixa de ser o estilo de etapa que o campeão olímpico gosta. Tem boas memórias de Montmartre, foi aí que ganhou a medalha de ouro e se conseguir novo triunfo não vai desperdiçar. Hoje acabou frustrado, sentiu que podia ter ganho, pode ganhar motivação para amanhã.
Mads Pedersen – não podemos descartar o dinamarquês de nada! A sua combatividade é algo impressionante, ataca sempre que pode e em todo o tipo de terreno. Já com a camisola verde garantida, vai correr com menos pressão. Vencer com a verde nos Campos Elísios seria a cereja no topo do bolo.
Jasper Philipsen – a alteração do percurso, colocando a subida de Montmartre vem favorecer o belga. Esta etapa faz lembrar as clássicas, o foco de Philipsen na primeira fase da temporada, onde também conseguiu excelentes resultados. A vitória conseguida esta semana mostra que está a acabar bem o Tour, quererá fechar com mais um triunfo.
Possíveis surpresas
Jasper Stuyven – mais um especialista de clássicas que deverá ter os olhos postos nesta etapa. Esteve perto de vencer a etapa 17, apanhado muito perto da chegada. É daqueles que quase de certeza vai atacar, apesar de ainda ser rápido, prefere selecionar a corrida.
Quinn Simmons/Mathias Vacek – com a verde de Pedersen garantida, vemos estes dois a terem liberdade e puderem atacar a corrida. Ambos estão a fazer um excelente Tour, são ciclistas explosivos neste terreno e têm uma boa ponta final.
Tom Pidcock – outro homem do top-10 capaz de estar na discussão. Apesar de tudo parece já um pouco justo de forças e, dessa forma, não vai ser tão fácil. Mesmo assim não podemos descartar o britânico, sempre foi neste terreno que se destacou.
Filippo Ganna – Tour muito discreto do gigante italiano, tem aqui uma derradeira oportunidade. Passando a última subida e aproveitando hesitações no grupo da frente pode aproveitar para atacar e fazer um curto contra-relógio até aos Campos Elísios.
Olav Kooij – um dos sprinters que está a subir melhor, basta ver o que fez na etapa 17. Mesmo assim vai rezar para que as subidas não sejam muito atacadas. Estando o Tour no seu final, deverá ter mais apoio que o habitual, pode ser importante.
Biniam Girmay – última chance para não sair do Tour 2026 de mãos a abanar. O eritreu tem sido dos sprinters mais regulares mas falta sempre algo para conseguir a vitória. Quando mais reduzido estiver o pelotão, melhor para si, devido aos problemas de posicionamento.
Dorian Godon – final bem ao jeito do antigo campeão francês. A Netcompany INEOS ainda não venceu neste Tour, já tentou muito, pode apostar as suas fichas em Godon, um sprinter que não se importa de uma corrida mais dura.
Michael Matthews – dos mais veteranos do pelotão mas ainda um ciclista muito rápido e que adora este tipo de etapas. Numa Jayco AlUla já com triunfo e a correr com menos pressão, Bling quer deixar uma boa imagem.
Rick Pluimers – não é um nome tão óbvio, mas o neerlandês está a aproveitar bem a ausência dos seus líderes. Normalmente lançador, Pluimers é um corredor rápido em grupos restritos, alguém que também gosta das clássicas.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Lewis Askey e Anthony Turgis.