Ao 4º dia de competição, temos a primeira etapa completa em solo francês! Teremos a primeira oportunidade para alguns dos sprinters ou vai a fuga ter sucesso?
Percurso
Esta é uma etapa muito traiçoeira com a distância de 181,9 quilómetros sem uma subida na parte final mas bastante difícil de controlar. Com um início que pode ser muito nervoso e com muitas subidas curtas a meio para desgaste – Col de Bedos (3,3 kms a 4,4%), Col du Paradis (5,8 kms a 4,1%) – vai dar para formar uma fuga, porém o Col De Coudons (10,7 kms a 5,5%) e o Col De Montségur (6,9 kms a 6,6%) vão ser ossos duros de roer para o pelotão. No topo desta última subida ficam a restar menos de 40 kms até à chegada em Foix, onde esperamos um final bastante rápido.
Táticas
Dia muito difícil de prever. Para a organização do Tour esta é uma etapa de dificuldade baixa, os 50 pontos para a camisola verde que estão em disputa na meta são prova disso e, como tal, tudo isto pode mexer com a corrida. Se num cenário normal e numa Volta a França mais avançada diríamos que seria uma etapa perfeita para a fuga, estando no 4º dia de competição não dizemos o mesmo. Ainda há muita frescura no pelotão e, apesar de podermos aplicar isso aos especialistas de fugas, dizemos o memso das equipas dos sprinters.
Nem todos vão passar, isso é certo, as últimas subidas são bastante duras e é aí que entram Lidl-Trek e Netcompany INEOS, duas equipas com sprinters que passam bem estas dificuldades e que sabem que num puro sprint não têm qualquer hipótese. Com isto, uma oportunidade de ouro para puderem vencer na Grande Boucle.
Favoritos
Mads Pedersen – com os olhos postos na camisola verde, esta é uma etapa decisiva para o dinamarquês. É neste tipo de dias que a Lidl-Trek costuma entrar ao trabalho, reduzindo muito o pelotão, o que dá mais chances de vitória ao seu líder. É certo que o bloco de trabalho da equipa alemã não é o mais extenso mas é suficiente para controlar o dia. Pedersen adora sprintar após um dia duro em cima da bicicleta.
Dorian Godon – o francês está a ser uma das confirmações de 2026, a transferência para a Netcompany INEOS já lhe rendeu diversos triunfos no World Tour e, a maioria deles, em etapas deste género, com subidas durante o percurso que afastaram os principais homens rápidos. Para um francês como Godon, vencer no Tour seria a cereja no topo do bolo.
Outsiders
Michael Matthews – já com 35 anos mas sempre um ciclista perigoso neste tipo de etapas. Bling fez a carreira com triunfos em dias mais duros, também foi assim que conseguiu conquistar a camisola verde, aproveitando as oportunidades que apareciam. Já não tem a ponta final de outros tempos, tem de aproveitar estes dias.
Mathieu van der Poel – numa etapa que deve ser dura demais para Jasper Philipsen, tem de ser o neerlandês a assumir. Nem sempre se mete na discussão das etapas ao sprint, mas se o pelotão for curto vai tentar, estamos no Tour e todas as oportunidades são para tentar. Tem estado mais discreto do que aquilo que pensávamos.
Jonas Abrahamsen – apostando numa fuga, o norueguês é um sério candidato. Quando falamos de fugas em Grandes Voltas e em etapas deste género, o nome de Abrahamsen vem sempre à cabeça, um corredor que apesar de possante passa bem estas dificuldades. Em grupos restritos, é muito rápido.
Possíveis surpresas
Magnus Cort – a motivação estará em alta para o recém coroado campeão dinamrquês! Cort é uma das raposas velhas do pelotão, quando menos se espera pode vencer, um corredor que apesar da idade continua a ser rápido em grupos restritos. Acabar a carreira a vencer no Tour seria um sonho.
Matteo Trentin – ainda mais experiente que Cort, o italiano é um ciclista que já não tem a ponta final para derrotar os homens já referidos, mas consegue, devido à sua capacidade de posicionamento, colocar-se entre os primeiros e garantir um bom resultado.
Fred Wright – o novo campeão britânico tem tido alguns bons resultados neste tipo de etapas nos últimos tempos. Nem sempre um ciclista regular, Wright tem de se mostrar quando pode para ganhar a confiança dentro da equipa.
Jasper Stuyven – não precisa de apresentações, um corredor com um enorme talento e que, apesar da idade, continua muito competitivo. Basta ver o que fez no Giro deste ano em etapas deste género, na fuga certa a vitória pode estar perto.
Quinn Simmons – Com a recente vitória nos campeonatos nacionais do EUA e com objetivo assumido que quer lutar por uma vitória no Tour, tem aqui a melhor chance para tal. Poderá a Lidl-Trek dar a tal liberdade para vencer se a situação de corrida assim o proporcionar?
Mathias Vacek – outra alternativa na Lidl-Trek, em caso de fuga e, tal como Simmons, dependendo da situação de corrida, pode vir a ter sucesso. As suas características encaixam no perfil da etapa, um corredor que está a subir melhor que nunca e é rápido em grupos restritos, muito cuidado com ele.
Matej Mohorič – etapa muito ao estilo do esloveno que se encontra numa Bahrain-Victorious focada em vencer etapas. Mohoric sabe muito de ciclismo e o final é perfeito para as suas características.
Mauro Schmid – depois de uma temporada muito positiva e com triunfos, o ciclista da Jayco estará motivado para fazer um bom Tour. Capaz de passar facilmente estas subidas e com uma boa ponta final, é um corredor a ter debaixo de olho.
Romain Gregoire – o campeão francês já soma 1 top-10, logo ao 2º dia, mas quer mais e nada melhor que vencer com o tricolor em casa. Está cada vez mais forte neste tipo de terreno.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Kevin Vauquelin e Marco Frigo.