French Aubin Sparfel is pictured in action during the Men U23 Road Race race (174,2km) at the cycling World Championship, in Montreal, Canada, Friday 25 September 2026. The UCI road world championships are taking place from 20 to 27 September, in Montreal, Canada. BELGA PHOTO JASPER JACOBS (Photo by JASPER JACOBS / BELGA MAG / Belga via AFP)

Está na hora da prova rainha destes Mundiais! Os elites masculinos vão para a estrada no dia de amanhã, numa prova que promete. Quem irá aproveitar a ausência de Tadej Pogacar e conquistar o arco-íris?

 

Percurso

A prova rainha dos Campeonatos do Mundo 2026 arranca em Brossard, uma cidade nos arredores do Quebec. 100 kms relativamente planos, os mais acessíveis de toda a corrida, levam os ciclistas até Montreal, para os 173 kms decisivos, em circuito, em torno da principal cidade destes Mundiais. A entrada no circuito faz-se com 2000 metros a 6%, seguindo-se a primeira passagem pela meta ao km 112, antes de 12 voltas ao circuito de 13,5 kms de extensão.

Falando do circuito, e logo a abrir, está o Cote de Camilien Houde (1800 metros a 7% mas onde existem rampas com 11% e várias zonas a 9%, sendo que essas partes estão no miolo da subida). Segue-se uma descida de 4 kms, até atingirmos a segunda dificuldade do circuito, o Cote de la Polytechnique (600 metros a 6,3% mas, também, com várias rampas inclinadas incluindo os primeiros 350 metros a 9%).



Neste ponto, os ciclistas só estão a meio do circuito, este que se torna muito rápido com várias zonas de descida muito técnica, cortadas com zonas de plano, até 500 metros a 8% na Avenue Pagnuelo. O topo desta colina fica a 4 kms do fim que serão muito rápidos até aos derradeiros 500 metros. Aí,  – existem uma viragem de 180 graus que coloca os ciclistas na reta da meta, o que significa que é necessário um bom posicionamento nesta fase da corrida. A reta da meta será em ligeira subida, com uma inclinação média de 5% , a mesma reta da meta das provas de contra-relógio.

Táticas

Esta é sempre uma corrida especial, ainda para mais sem rádios, tem tudo para ser um festival do início ao fim. Vejo Bélgica e França a controlar a corrida desde o início, tentando endurecer, aos poucos, as subidas com as várias passagens pelo circuito, pois sabem que têm os blocos mais fortes e dois dos principais favoritos. Numa corrida sem Tadej Pogacar, todos acreditam que podem vencer, está tudo em aberto e, como tal, esperamos uma corrida atacada desde cedo.

É neste contexto que entram equipas como a Itália e os Estados Unidos, ambas têm mais que uma opção muito perigosas, capazes de aguentar muitos quilômetros na frente, por isso vemos este cenário a acontecer a 3/4 voltas do fim. A partir daqui, vai depender muito como Bélgica e França vão reagir a estas movimentações, se com perseguição no pelotão ou colocando ciclistas nessas fugas. Nisto, a Bélgica tem vantagem por possuir Wout van Aert nas suas fileiras. O belga é uma figura de luxo, tanto pode ser um travão para o grupo da frente como fazer com que este tenha sucesso, ou mesmo resguardar Evenepoel atrás, ou vice-versa.

 

Favoritos

Remco Evenepoel – o homem a abater. Depois do título mundial de contra-relógio, o belga quer fazer história e conquistar o ouro que lhe falta na carreira. Está na seleção mais forte e com várias possibilidades o que pode ser favorável, mas também desfavorável. Evenepoel gosta deste tipo de percursos, duros, sobe e desce constante, a fazer lembrar as clássicas. Foi 4º no GP Montreal, tem plena consciência do que tem de melhorar.



Isaac del Toro – vencedor do já referido GP Montreal mas amanhã será diferente, terá menos apoio e terá de “confiar” nas equipas rivais. O mexicano chega em excelente forma, o percurso é perfeito para as suas características, tem é de saber gerir muito bem o seu esforço e não responder a tudo o que mexer. Pode jogar mais friamente, pois num grupo restrito é muito rápido.

 

Outsiders

Paul Seixas – batido por Del Toro em Montreal, entretanto já foi 3º no contra-relógio, um grande indicador para a prova de estrada. O prodígio francês tem uma seleção totalmente focada em si e, com Thomas Voeckler no carro, tem um ex-ciclista que sabe muito. Quanto mais endurecida for a corrida melhor para si, até gostaria de ter subidas mais longas, pois nestes esforços explosivos não tem a mesma capacidade dos rivais. Para vencer sabe que tem de chegar sozinho.

Tom Pidcock – o britânico está à procura de fazer história. Após ter ganho mais um título mundial de XCO, procura vencer na estrada e fazer algo nunca antes conseguido. Fez a transição de forma perfeita, venceu em Itália e foi 4º e 6º nas clássicas do Canadá. Desde a última temporada tem estado mais calculista e, também, mais certeiro a ler a corrida, o que lhe tem valido melhores resultados. Não poderia pedir melhor percurso.

Wout van Aert – de todos os ciclistas mencionados até agora, o belga foi o que fez a preparação diferente, vem diretamente da Vuelta onde voltamos a ver o “velho” Van Aert! Exibições fenomenais em todo o tipo de terreno, há muito tempo que não víamos o belga com esta confiança, é bom para a corrida. Tendo em conta os próximos anos, esta é uma oportunidade de ouro e, numa Bélgica que também tem Evenepoel, podem jogar com a superioridade numérica. Tanto pode ser um ciclista a atacar de longe e, quem sabe, ter sucesso nessa movimentação, ou ficar num 2º grupo e esperar que o grupo de Evenepoel seja apanhado.



Possíveis surpresas

Mathieu van der Poel – fez 2 testes na Volta ao Luxemburgo, nos dias em que foi a fundo venceu de forma esclarecedora, mostrando estar pronto para a luta. Este é um percurso que está no limite das suas capacidades, no entanto o neerlandês é um ciclista de grandes momentos e, numa equipa focada em si, terá total apoio. Se houver uma corrida mais controlada será do seu agrado.

Giulio Ciccone – o italiano chega em excelente forma, 2º e 7º nas clássicas do Canadá mostram que está preparado para a luta. É um ciclista muito ofensivo e que adora este tipo de traçados, se a corrida for atacada desde cedo, deverá ser um dos que pode atacar.

Giulio Pellizzari – tal como o seu compatriota, chega em excelente forma. Fez uma preparação diferente, com as clássicas italianas, vencendo uma delas. Após um início de ano fabuloso, baixou o rendimento mas está, novamente, a carburar. É um ciclista muito parecido a Ciccone, podem fazer uma dupla perigosa.

Brandon McNulty – vencedor da clássica de Montreal no ano passado e 3º este ano, o norte-americano sabe o que é preciso para andar bem neste circuito. A corre perto de casa, a motivação estará em alta, preparou com afinco estes objetivos. Nem sempre tem liberdade, mas como já vimos quando lhe dão oportunidades é um perigo.

Quinn Simmons – depois da dupla italiana, Simmons e McNulty são outra dupla perigosa. O Capitão América foi 4º e 5º nas clássicas canadianas, em Montreal o traçado até poderia ser duro demais para si e, mesmo assim, foi dos melhores, só demonstra excelente capacidade física. É daqueles que pode atacar de muito longe, tem um motor que pode aguentar horas e horas na frente.



Ben Healy – mais um ciclista talhado para estas provas de atrito e com ataques de longe. 8º em Montreal … depois de atacar a 50 kms do fim, o irlandês é daqueles que deve estar marcado por todos, quando ataca é para dinamitar a corrida. Foi 3º nos últimos Mundiais.

Afonso Eulálio – 9º no ano passado, o português tem tudo para puder melhorar o resultado. Chega com outro astatuto, outra capacidade e melhores sensações, foi 9º no recente GP Montreal. Quanto mais dura a prova, melhor para Eulálio que conta com um bloco interessante no seu apoio.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Enric Mas e Toms Skujiņš.

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