Está na hora da prova rainha destes Mundiais! Os elites masculinos vão para a estrada no dia de amanhã, numa prova que promete. Quem irá aproveitar a ausência de Tadej Pogacar e conquistar o arco-íris?
Percurso
A prova rainha dos Campeonatos do Mundo 2026 arranca em Brossard, uma cidade nos arredores do Quebec. 100 kms relativamente planos, os mais acessíveis de toda a corrida, levam os ciclistas até Montreal, para os 173 kms decisivos, em circuito, em torno da principal cidade destes Mundiais. A entrada no circuito faz-se com 2000 metros a 6%, seguindo-se a primeira passagem pela meta ao km 112, antes de 12 voltas ao circuito de 13,5 kms de extensão.
Falando do circuito, e logo a abrir, está o Cote de Camilien Houde (1800 metros a 7% mas onde existem rampas com 11% e várias zonas a 9%, sendo que essas partes estão no miolo da subida). Segue-se uma descida de 4 kms, até atingirmos a segunda dificuldade do circuito, o Cote de la Polytechnique (600 metros a 6,3% mas, também, com várias rampas inclinadas incluindo os primeiros 350 metros a 9%).
Neste ponto, os ciclistas só estão a meio do circuito, este que se torna muito rápido com várias zonas de descida muito técnica, cortadas com zonas de plano, até 500 metros a 8% na Avenue Pagnuelo. O topo desta colina fica a 4 kms do fim que serão muito rápidos até aos derradeiros 500 metros. Aí, – existem uma viragem de 180 graus que coloca os ciclistas na reta da meta, o que significa que é necessário um bom posicionamento nesta fase da corrida. A reta da meta será em ligeira subida, com uma inclinação média de 5% , a mesma reta da meta das provas de contra-relógio.

Táticas
Esta é sempre uma corrida especial, ainda para mais sem rádios, tem tudo para ser um festival do início ao fim. Vejo Bélgica e França a controlar a corrida desde o início, tentando endurecer, aos poucos, as subidas com as várias passagens pelo circuito, pois sabem que têm os blocos mais fortes e dois dos principais favoritos. Numa corrida sem Tadej Pogacar, todos acreditam que podem vencer, está tudo em aberto e, como tal, esperamos uma corrida atacada desde cedo.
É neste contexto que entram equipas como a Itália e os Estados Unidos, ambas têm mais que uma opção muito perigosas, capazes de aguentar muitos quilômetros na frente, por isso vemos este cenário a acontecer a 3/4 voltas do fim. A partir daqui, vai depender muito como Bélgica e França vão reagir a estas movimentações, se com perseguição no pelotão ou colocando ciclistas nessas fugas. Nisto, a Bélgica tem vantagem por possuir Wout van Aert nas suas fileiras. O belga é uma figura de luxo, tanto pode ser um travão para o grupo da frente como fazer com que este tenha sucesso, ou mesmo resguardar Evenepoel atrás, ou vice-versa.
Favoritos
Remco Evenepoel – o homem a abater. Depois do título mundial de contra-relógio, o belga quer fazer história e conquistar o ouro que lhe falta na carreira. Está na seleção mais forte e com várias possibilidades o que pode ser favorável, mas também desfavorável. Evenepoel gosta deste tipo de percursos, duros, sobe e desce constante, a fazer lembrar as clássicas. Foi 4º no GP Montreal, tem plena consciência do que tem de melhorar.
Isaac del Toro – vencedor do já referido GP Montreal mas amanhã será diferente, terá menos apoio e terá de “confiar” nas equipas rivais. O mexicano chega em excelente forma, o percurso é perfeito para as suas características, tem é de saber gerir muito bem o seu esforço e não responder a tudo o que mexer. Pode jogar mais friamente, pois num grupo restrito é muito rápido.
Outsiders
Paul Seixas – batido por Del Toro em Montreal, entretanto já foi 3º no contra-relógio, um grande indicador para a prova de estrada. O prodígio francês tem uma seleção totalmente focada em si e, com Thomas Voeckler no carro, tem um ex-ciclista que sabe muito. Quanto mais endurecida for a corrida melhor para si, até gostaria de ter subidas mais longas, pois nestes esforços explosivos não tem a mesma capacidade dos rivais. Para vencer sabe que tem de chegar sozinho.
Tom Pidcock – o britânico está à procura de fazer história. Após ter ganho mais um título mundial de XCO, procura vencer na estrada e fazer algo nunca antes conseguido. Fez a transição de forma perfeita, venceu em Itália e foi 4º e 6º nas clássicas do Canadá. Desde a última temporada tem estado mais calculista e, também, mais certeiro a ler a corrida, o que lhe tem valido melhores resultados. Não poderia pedir melhor percurso.
Wout van Aert – de todos os ciclistas mencionados até agora, o belga foi o que fez a preparação diferente, vem diretamente da Vuelta onde voltamos a ver o “velho” Van Aert! Exibições fenomenais em todo o tipo de terreno, há muito tempo que não víamos o belga com esta confiança, é bom para a corrida. Tendo em conta os próximos anos, esta é uma oportunidade de ouro e, numa Bélgica que também tem Evenepoel, podem jogar com a superioridade numérica. Tanto pode ser um ciclista a atacar de longe e, quem sabe, ter sucesso nessa movimentação, ou ficar num 2º grupo e esperar que o grupo de Evenepoel seja apanhado.
Possíveis surpresas
Mathieu van der Poel – fez 2 testes na Volta ao Luxemburgo, nos dias em que foi a fundo venceu de forma esclarecedora, mostrando estar pronto para a luta. Este é um percurso que está no limite das suas capacidades, no entanto o neerlandês é um ciclista de grandes momentos e, numa equipa focada em si, terá total apoio. Se houver uma corrida mais controlada será do seu agrado.
Giulio Ciccone – o italiano chega em excelente forma, 2º e 7º nas clássicas do Canadá mostram que está preparado para a luta. É um ciclista muito ofensivo e que adora este tipo de traçados, se a corrida for atacada desde cedo, deverá ser um dos que pode atacar.
Giulio Pellizzari – tal como o seu compatriota, chega em excelente forma. Fez uma preparação diferente, com as clássicas italianas, vencendo uma delas. Após um início de ano fabuloso, baixou o rendimento mas está, novamente, a carburar. É um ciclista muito parecido a Ciccone, podem fazer uma dupla perigosa.
Brandon McNulty – vencedor da clássica de Montreal no ano passado e 3º este ano, o norte-americano sabe o que é preciso para andar bem neste circuito. A corre perto de casa, a motivação estará em alta, preparou com afinco estes objetivos. Nem sempre tem liberdade, mas como já vimos quando lhe dão oportunidades é um perigo.
Quinn Simmons – depois da dupla italiana, Simmons e McNulty são outra dupla perigosa. O Capitão América foi 4º e 5º nas clássicas canadianas, em Montreal o traçado até poderia ser duro demais para si e, mesmo assim, foi dos melhores, só demonstra excelente capacidade física. É daqueles que pode atacar de muito longe, tem um motor que pode aguentar horas e horas na frente.
Ben Healy – mais um ciclista talhado para estas provas de atrito e com ataques de longe. 8º em Montreal … depois de atacar a 50 kms do fim, o irlandês é daqueles que deve estar marcado por todos, quando ataca é para dinamitar a corrida. Foi 3º nos últimos Mundiais.
Afonso Eulálio – 9º no ano passado, o português tem tudo para puder melhorar o resultado. Chega com outro astatuto, outra capacidade e melhores sensações, foi 9º no recente GP Montreal. Quanto mais dura a prova, melhor para Eulálio que conta com um bloco interessante no seu apoio.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Enric Mas e Toms Skujiņš.
