O World Tour está de volta com o aquecimento primordial para a Volta a França, com o Tour Auvergne – Rhône-Alpes! Na prova que marca o regresso à competição de João Almeida, conseguirá Paul Seixas levar à loucura os adeptos franceses?

 

Percurso

Etapa 1

Esta é uma prova que tem por tradição começar com uma etapa complicada, mas este ano a ASO decidiu complicar ainda mais. 147 kms com 5 subidas categorizadas, incluindo três 2ª categorias e uma 1ª categoria, esta última localizada a menos de 25 kms do fim. Falamos do Cote de Rousset (8,3 kms a 7,5%), uma subida onde podem acontecer os primeiros grandes ataques da geral. O final é em ligeira subida, sendo que a 2200 metros do fim surgem 800 metros a 5,4%, perfeitos para um ataque de última hora.



Etapa 2

Dia mais acessível mas longe de ser fácil, uma longa maratona de 234 kms, com 21,3 kms a 3,9% a meio da etapa que pode dificultar a vida a muitos ciclistas. Olhando para os derradeiros 30 kms, aparecem o Côte des Baraques (4,2 kms a 6,6%) e o Côte de Saint-Vidal (2 kms a 6,8%) e ainda 850 metros a 4,7%, sendo que esta última dificuldade aparece a apenas 5 kms do fim. Final muito difícil, o que pode potenciar ataques.

 

Etapa 3

28,4 kms de contra-relógio coletivo, um esforço mais esquecido da modalidade. Logo após 2500 metros aparece uma subida de 4900 metros a 3,5%, com o primeiro km a 5,9%. Rápida descida, 300 metros a 5,9%, 4 kms de falso plano e depois mais 1000 metros a 5,2%. Atingido o equador da etapa, seguem-se 12 kms de descida que levam a0s 800 metros finais, uma subida com inclinação média de 6,3%.

 

Etapa 4

Mais uma etapa rompe-pernas, 167 kms de sobe e desce constante, especialmente os primeiros 110 kms onde aparecem 6 subidas categorizadas, com 5 delas a estarem de forma consecutiva. Os últimos 35 kms são planos, o mais fácil de todo o dia, o que pode levar a algum reagrupamento e a uma possível chegada em grupo mais reduzido.

 

Etapa 5

Após tanto sofrerem, os sprinters têm a primeira grande oportunidade … primeira e única! É certo que os primeiros 88 kms têm algumas subidas, mas ainda restam praticamente 110 kms, o que fará com que as equipas se consigam organizar no pelotão e levar a uma chegada ao sprint em Villars-les-Dombes.

 

Etapa 6

Primeira etapa de alta montanha e primeira chegada em alto! Tudo para decidir nos derradeiros 22 kms, primeiro com o Côte d’Héry-sur-Ugine (11,6 kms a 4,9% mas com os últimos 5,2 kms a 6,2%) e depois com o Côte de Crest-Voland (5,9 kms a 7,4%). A subida final tem dois kms acima dos 8% na sua fase intermédia, a parte fundamental para ataques … se já não tiverem acontecido na penúltima subida.



Etapa 7

As dificuldades continuam a aumentar , um dia ainda mais duro que começa logo com 3 subidas categorizadas. A meio da etapa está a subida de Lacets du Grand Colombier (7,1 kms a 8,4%), servirá para aquecer os motores para Col de Richemond (7,7 kms a 6%), cujo topo fica a 23 kms do fim. Rápida descida até ao sopé de uma das mais míticas subidas de França, o Col du Grand Colombier (8,5 kms a 10,1%, com os primeiros 4,4 kms a 11,9%).

 

Etapa 8

Tirada brutal para terminar a competição! Apenas 120 kms mas duas primeiras categorias e duas categorias especiais, num dia que começa logo com o Col du Pré (7 kms a 9,3%), uma subida que pode dinamitar a corrida e levar a embuscadas se a geral estiver presa por pouco. Seguem-se o Montée de Bisanne (11,5 kms a 8,9%) e o Col des Aravis (7 kms a 6,8%). 25 kms de “descanso” com uma longa descida a levar os ciclistas até ao início da última subida deste Dauphiné, falamos do duríssimo Plateau de Solaison (11,5 kms a 8,9%)!

 

Táticas

Esta é uma edição muito dura do Tour Auvergne – Rhône-Alpes! É preciso entrar forte uma vez que as primeiras etapas já são muito duras e podem fazer diferenças se algum ciclista da classificação geral não estiver preparado ou atento. Depois o contra-relógio coletivo também será decisivo, é longo e tem um perfil complicado, o que pode levar a diferenças ainda maiores do que em algumas etapas em linha. Por fim as 3 etapas finais também estão bem desenhadas, especialmente a última, curta mas muito dura, perfeita para ataques de longe e capaz de revirar a classificação geral.

O bloco da Decathlon é o mais forte, vem 100% focada em Paul Seixas mas depois há que ter em atenção as equipas com várias opções, numa corrida descontrolada podem ter vantagem. São os casos da Netcompany INEOS de Kevin Vauquelin e Oscar Onley, e a Lidl-Trek de Juan Ayuso e Mattias Skjelmose. João Almeida faz o seu regresso mas estará, totalmente, no apoio a Isaac del Toro, será uma ajuda decisiva para o mexicano.



Favoritos

Paul Seixas – aos 19 anos, o francês já é uma das superestrelas do pelotão internacional! Está a ter uma temporada fabulosa, com vitórias no País Basco e Fleche Wallonne e 2º na Liege, Strade Bianche e Volta ao Algarve e tem aqui o último teste antes do Tour. Todos sabemos da qualidade de Seixas, se o deixam chegar à última subida confortável irá fazer diferenças, ainda para mais tem o seu bloco clássico com Leo Bisiaux, Aurelien Paret-Peintre, Matthew Riccitello e Nicolas Prudhomme. Bissegger e Hoole para o contra-relógio são adições importantes.

Isaac del Toro – não corre desde o início de Abril quando abandonou devido a queda no País Basco mas, para trás, vitórias nas gerais do UAE Tour e Tirreno-Adriático. Com o foco no Tour onde será o braço direito de Tadej Pogacar, o mexicano quer dar uma resposta positiva aqui. Terá um duelo incrível com Seixas, é difícil de prever qual vai quebrar. João Almeida regressa para ser o seu gregário principal, o bloco não é o melhor e mesmo no contra-relógio pode perder algum tempo.

 

Outsiders

Juan Ayuso – outro ciclista que regressa à competição após queda. Venceu a Volta ao Algarve, depois caiu no Paris-Nice e nunca mais se encontrou fisicamente. O espanhol tem de dar uma resposta positiva para levantar a moral antes do Tour, ele costuma correr bem neste tipo de cenários. De recordar que bateu Seixas no Algarve, foi dos poucos a consegui-lo em 2026. A Lidl-Trek traz um bloco forte, especialmente para andar bem no contra-relógio.

Matteo Jorgenson – nem era para estar aqui, trocou a Suíça pela França numa alteração de calendário após a sua queda nas Ardenas. Tal como Del Toro, irá trabalhar para um líder no Tour e tem aqui uma oportunidade para se mostrar. Longe de ser um puro trepador, mas o norte-americano é um ciclista muito completo e que se defende cada vez melhor. Irá sofrer nos últimos dias mas já vimos Jorgenson a subir muito bem neste tipo de escaladas.

Oscar Onley – está longe de ser a época de estreia que o britânico queria pela sua nova equipa, uma temporada relativamente discreta, tendo apenas brilhado na Volta ao Algarve. Com o Tour aí à porta será de esperar ver Onley a melhorar o seu nível, especialmente longe de azares e doenças. Se estiver bem é um perigo na alta montanha.

 

Possíveis surpresas

Tobias Halland Johannessen – 3º no País Basco e 4º no Tirreno, que temporada do norueguês! Está a andar melhor que nunca e uma Uno-X que respira confiança um novo grande resultado é perfeitamente possível, para chegar ao Tour ainda mais motivado.

Kevin Vauquelin – é a alternativa dentro da Netcompany INEOS e sendo francês acreditamos que vai ser protegido, no entanto vemos as etapas finais um pouco no limite para as suas características. Tudo vai depender de como estará a sua forma, este ano já esteve incrível no Paris-Nice.



Cian Uijtdebroeks – é sempre uma incógnita saber o que podemos esperar do belga, ainda para mais dentro da Movistar que tem falhado neste tipo de provas. Foi 8º na Catalunha, o melhor resultado em muito tempo, é encorajador para Uijtdebroeks porque a qualidade é inegável.

Luke Plapp – está a ter uma abordagem diferente em 2026, focando-se nas classificações gerais e esquecendo as etapas. Faltava-lhe consistência porque nos melhores dias já sabiamos da sua qualidade enquanto trepador, principalmente nas subidas mais duras. 3º no UAE Tour e 5º na Romandia são bons cartões de visita.

Daniel Martinez – numa Red Bull-BORA recheada de líderes, ter uma oportunidade é para ser aproveitada. O colombiano foi 2º no Paris-Nice, é daqueles ciclistas que raramente falha quando tem de render, tem aqui mais uma chance para mostrar todo o seu valor antes do Tour.

Mattias Skjelmose – será, essencialmente, uma ajuda a Ayuso mas num cenário de corrida mais tático pode vir a aproveitar a oportunidade. O percurso é um pouco duro demais para as suas características.

Valentin Paret-Peintre – sempre uma caixinha de surpresas, tanto o podemos ver a discutir uma etapa com os melhores, como no dia seguinte perder muito tempo. Esperar para ver qual a versão que o franzino francês vai apresentar.

Santiago Buitrago – será que está recuperado da queda no Giro? Já passou mais de 1 mês e se está presente é porque os sinais são positivas. Num percurso tão montanhoso, tem de ser sempre mencionado.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Harold Tejada e Jorgen Nordhagen.



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