A Camisola Amarela decidiu inovar e sair “fora da caixa” e do que é habitual, e no dia de ontem esteve presente no GP/JN Leilosoc na partida da 3ª etapa em Gondomar, à conversa com alguns diretores desportivos presentes nesta prova em que pretendíamos saber as expetativas e o balanço possível deste e a opinião do que foi até agora a época e o que esperam da mesma, tendo a Volta a Portugal aí perto.



Américo Silva (Aviludo – Louletano – Loulé Concelho)

Américo Silva
Diretor Desportivo da Aviludo – Louletano – Loulé

CA: Qual é o balanço que faz da prova e as expectativas do que falta?

AS: As expectativas que nós temos em relação a este grande prémio, independentemente de termos vencido o ano passado com o Nicolas Tivani, mas tinha uma estrutura em termos de perfil totalmente diferente deste ano. Não tinha contrarrelógio, maioritariamente era discutida ao sprint, em bonificações, e nós tínhamos e continuamos a ter uma equipa baseada nesse tipo de competição.

Este ano ao ter um contrarrelógio, ainda por cima com 15 kms, já faz diferenças significativas, e isso irá-se verificar domingo e tira muitas possibilidades de nós revalidarmos a vitória. Dito isto, o nosso objetivo para este Grande Prémio JN passou e passa por tentar vencer algumas etapas. Dentro do enquadramento geral, uma ou duas etapas estaria ao nosso alcance. Ontem não fosse aquela manobra do ciclista do Boavista que provocou uma queda, uma coisa muito feia, que acho que no ciclismo de hoje já não faz minimamente sentido nenhum.

Podíamos ter vencido a etapa, se não vencêssemos a etapa, pelo menos de amarelo estaríamos seguramente e já era um dos objetivos que nós nos propusemos antes de começar. Por isso temos aqui duas etapas, duas etapas que vêm muito às características do Tomás Connte que é hoje esta chegada a Gondomar e a chegada a Valongo que inclusive também já ganhamos um ano e esta própria chegada a Gondomar também. Por isso vamos tentar fazer tudo por tudo para conseguir alcançar esse objetivo.

CA: Qual é o balanço que faz da época até agora e as expectativas para o resto da temporada?

AS: Nas apresentações da equipa no início de cada ano, principalmente nestes dois últimos anos, tenho sempre dito que o que conseguimos já foi muito perante aquilo que tínhamos e perante as capacidades que nós temos e que era difícil fazer épocas iguais com o nível que nós tínhamos. Eu acho que para surpresa de toda a gente, e inclusivamente às vezes de nós próprios, de ano para ano temos superado os objetivos e temos feito cada ano melhor.

Não sabemos o que é que vamos fazer daqui para a frente, mas se nós olharmos friamente para o nosso palmarés por exemplo, já não falando do ano anterior, mas do ano passado em relação a este ano, a esta altura é muito melhor em termos de quantidade e qualidade de corridas que vencemos.

CA: Relativamente à lesão do Tivani, estará apto para a Volta?

AS: É assim, o primeiro ponto, nas melhores condições, seguramente não irá chegar, inclusivamente porque nós tivemos uma programação que fez com que ele estivesse cerca de um mês e meio sem competir com vista a tentar dessa forma melhorar o que tínhamos feito no ano passado e há dois anos na Volta a Portugal. As coisas estavam a ser bem conseguidas, quando entrou no GP Abimota depois desse mês e meio de inatividade e até com boas sensações, com aquela queda acabam por fazer com que todo o trabalho que se tinha a fazer fosse por água abaixo.

Agora, tendo em conta a gravidade da lesão, é daquelas situações que não podes prever o que é que poderá ser o futuro. Sabemos que daí para a frente logicamente que o seu rendimento voltará a ser o que era, caso não haja mais problema nenhum pelo caminho, mas a Volta a Portugal neste momento é-nos uma interrogação muito grande.


André Cardoso (Feira dos Sofás-Boavista Cycling Team)

André Cardoso
Diretor Desportivo da Feira dos Sofás-Boavista Cycling Team

CA: Quais as expectativas e o balanço para este GP/JN até agpra?

AC: Eu acho que começámos bastante bem, tem sido um pouco daquilo que temos feito até agora nas outras competições também, estamos na discussão da corrida, sabemos que é muito difícil porque este ano termina com um contrarrelógio na Maia. Contudo, esta etapa de Gondomar e a de Valongo favorece as características dos nossos ciclistas e acredito que possamos hoje estar na discussão da etapa e quem sabe, vestido amarelo.

CA: Qual o balanço que fazes até agora da época e expectativas para o que falta? O plantel que tens tem superado as expectativas?

AC: Nós temos uma equipa muito jovem e eu até não acho que seja desfavorável. No meu ponto pessoal, até acho que foi favorável porque sou um jovem diretor, que estou a começar agora e acredito que os jovens assimilam muito mais a informação que é passada do que normalmente os mais velhos, que às vezes já vêm de uma ou duas ou três equipas profissionais com a sua maneira de pensar e às vezes pode ser correta ou errada, não estou a dizer que está errado, mas os jovens vêm da formação, dão mais ouvidos àquilo que nós temos para dizer, acreditam que a aprendizagem que eu tive é uma mais-valia para eles e eu acho que isso tem-se refletido nos resultados da nossa equipa.

Tardou um bocadinho a atingir a vitória, ela chegou semana passada no GP Abimota, vestimos de amarelo já era merecido por tudo que tínhamos feito, mas andámos constantemente a fazer segundos, terceiros, quartos, segundos, terceiros, quartos, estava a custar um bocadinho, mas a equipa agora está no caminho certo, está motivada e mais uma vez posso referir que temos o GP/JN. Hoje corro em casa, que eu sou de Gondomar e gostaria muito de ganhar aqui.

CA: O que esperas do resto da época e da Volta a Portugal?

AC: Eu tenho feito uma gestão de nosso plantel, apesar de ele ser reduzido, tenho tido a felicidade que não têm existido muitas lesões. Já tive uma clavícula partida, mas superável, outra fraturazita, mas fomos rodando a equipa, eles estão todos mais ou menos com 30 dias de competição, estão a chegar aos 30 dias de competição e é uma gestão que é preciso ser feita. Depois já começámos a preparar a Volta a Portugal, vamos fazer um estágio em altitude para aprimorar os detalhes para os ciclistas estarem mais bem preparados para estarem mais focados no que é a alimentação e o que é o treino, estar um bocadinho longe de casa custa, mas faz parte de ser disciplinado, de ser um atleta de alto rendimento e acredito que com todas essas ferramentas possamos estar a um bom nível na volta a Portugal que é o grande objetivo.


Ruben Pereira (Anicolor/Campicarn)

Ruben Pereira
Diretor Desportivo da Anicolor/Campicarn

CA: Qual é o balanço que podemos fazer desta prova e as expectativas para a mesma?

RP: Estamos no Grande Prémio Jornal de Notícias, é uma prova importante no nosso calendário tem um impacto mediático bastante importante para as equipas nacionais, acho que o facto de sermos a capa de jornal O Jogo, neste caso, como o JN, acaba por ser importante. É uma corrida que enfrentamos com muita responsabilidade. Os adversários têm demonstrado estar num bom nível, não é uma corrida fácil de ganhar, porque é uma corrida que nos requer muita responsabilidade mas tentaremos fazer o possível para conseguir o melhor resultado possível até domingo.

CA: Qual o balanço que fazes da época até agora e expectativas para o que falta dela, tendo a Volta já aí à porta?

RP: A época está a correr bastante bem. A verdade é que nós tivemos ali uns percalços no início do ano, em que podia estar ainda a correr bastante melhor, mas não nos podemos queixar levamos cerca de doze vitórias à data de hoje, a equipa tem se mostrado bastante motivada temos corrido não só em Portugal, mas também no estrangeiro. Iremos estar presentes na Clássica de Andorra, enfrentaremos ainda corridas importantes e depois a Volta a Portugal, temos ainda algum calendário internacional para cumprir. A equipa está a cumprir os objetivos e temos que agradecer a todos os patrocinadores, à Anicolor e à Campicarn pela confiança depositada neste projeto.


Joaquim Andrade (Feirense-Beeceler)

Joaquim Andrade
Diretor Desportivo da Feirense-Beeceler

CA: Qual é o balanço e as expectativas que tem para o resto do JN que falta?

JA: Até agora tem sido positivo. Temos procurado estar sempre ativos na corrida, ter sempre corredores na frente e temos conseguido agora vamos entrar na fase mais seletiva, estas duas etapas são bastante seletivas, a de hoje tem subidas com uma inclinação muito elevada na parte final e um percurso sinuoso. Contamos ter ciclistas na discussão da prova, temos corredores que têm sido mais poupados para estes dois dias. E depois, mediante o que aconteça para depois estar ao melhor nível na cronometragem individual, embora não tenhamos nenhum especialista, mas temos corredores que se defendem bem e penso que poderemos estar na disputa do GP/JN.

CA: Qual é a opinião da época da Feirense-Beeceler até agora? O que esperar daqui para a frente?

JA: Tem sido uma época um pouco complicada. Começámos logo com algumas quedas, alguns percalços, ciclistas doentes e a equipa é muito jovem e tardamos um pouquinho a entrar no nosso nível. Agora, nas últimas provas, tem sido sempre em crescendo e penso que assim será daqui em diante e que iremos chegar à Volta a Portugal no nosso melhor nível, caso não haja percalços de maior, vamos chegar no nosso melhor nível. As expectativas são elevadas para que possamos estar na discussão da Volta a Portugal e claro, de todas as provas daqui em diante.




A Camisola Amarela vem por este meio agradecer ao Américo Silva (Aviludo-Louletano-Loulé), André Cardoso (Feira dos Sofás-Boavista Cycling Team), Ruben Pereira (Anicolor-Campicarn) e ao Joaquim Andrade (Feirense-Beeceler) pela disponibilidade e a forma como nos receberam junto das suas equipas. No dia de amanhã vai sair a segunda parte deste artigo com as entrevistas de José Azevedo (Efapel Cycling), Hernâni Broco (Credibom/La Alumínios/Marcos Car), Vidal Fitas (Team Tavira-Crédito Agrícola) e ainda Manuel Correia (GI Group-Simoldes-UDO) que tem alguns revelações interessantes, a não perder no dia de amanhã.

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