A Camisola Amarela esteve em Gondomar à conversa com alguns diretores desportivos. Depois da primeira parte lançada pela manhã, deixamos a segunda parte da conversa, onde vão ver algumas declarações dos diretores sobre o GP/JN Leilosoc e também sobre a Volta a Portugal.
José Azevedo (Efapel Cycling)

Diretor Desportivo da Efapel Cycling
CA: Qual é o balanço que faz da prova e as expectativas da mesma?
JA: O balanço de uma prova normalmente faz-se no final, não é? Ainda não estamos nem a meio deste grande prémio, vimos com a ambição de estar a disputar o triunfo final. Sabemos que o contrarrelógio vai ser um dia decisivo, temos o Tiago Antunes que é um corredor que está em excelente momento de forma e é um bom contrarelogista, no entanto, ele ontem sofreu uma queda um bocado aparatosa na reta da meta. Vamos ver hoje quando ele montar na bicicleta, como é que reage. Mas pronto, o objetivo é esse, é tentar estar na disputa da corrida até final.
CA: E relativamente ao balanço que faz da época até esta prova e o que espera do que falta dela tendo a Volta já aí à porta?
JA: O balanço é positivo. Ganhamos o Alentejo, ganhamos o GP Beiras, duas corridas internacionais, fizemos 2º no GP O Jogo, 3º no GP Anicolor onde ganhamos uma etapa e tivemos na liderança. No Gran Camiño, o David Peña esteve nos 10 primeiros nas etapas de montanha.. E agora no Abimota, estávamos em segundo. O último dia foi aquela fuga mudou completamente mas estávamos na disputa da corrida, ali naquele taca-taca, não é?
Ou seja, estamos a fazer uma época muito positiva. Quando se conquista triunfos como os que felizmente nós conseguimos, temos que estar satisfeitos, e otimistas para o que aí vem. Ainda estamos no GP JN, vem os Campeonatos Nacionais, vem o Prémio Joaquim Agostinho e depois a Volta. E logicamente nós na Volta, se a nossa equipa, todos os corredores estiverem bem, no seu melhor, acho que temos um bloco bastante forte, vamos partir para Volta com o objetivo de disputar a vitória.
Manuel Correia (GI Group Holding – Simoldes – UDO)

Diretor Desportivo da GI Group Holding – Simoldes – UDO
CA: Que balanço é que faz e expectativas que tem para este GP JN?
MC: Até ao momento também não houveram dificuldades (antes da 3ª etapa). Nós não temos corredores rápidos, o Adrian (Bustamante) é o único que é um corredor rápido, mas não está cá, está na Colômbia neste momento e acho que tem sido positivo pelo facto de o José Moreira ser líder das metas volantes, o que é importante. É um miúdo que é sub-23 de segundo ano e que da época passada para esta teve uma boa evolução e está a aproveitar uma oportunidade que lhe foi dada. Em relação ao que falta do JN, estou expectante, quero acreditar que quer o José Neves, quer o Rui Carvalho e o Gaspar Gonçalves hoje terão que estar a um nível elevado e espero eu que estejam na discussão.
CA: E conta com que José Neves, provavelmente, depois com contrarrelógio final na Maia consiga alcançar o top-10 nesta prova?
MC: Sim, o José Neves já no GP O Jogo conseguiu alcançar o top-10. Na Volta ao Alentejo também esteve ali nos dez e teria feito 5º ou 6º se não fosse pela avaria no crono já na parte final. Portanto tendo aqui mais um crono, mas tudo vai depender da etapa de hoje e de amanhã, que são etapas muito seletivas e com este calor às vezes temos surpresas pela positiva e muitas das vezes também pela negativa.
Em relação ao que falta da época, a equipa há um mês desta parte tem-se vindo a afirmar, a estar mais perto do real valor dela, mesmo sabendo que temos seis corredores sub-23 dentro da estrutura e que já não contamos com Adrian há cerca de um mês. Acho que são jovens com talento, como o Pedro Pinto, que acabou de vencer a juventude no Abimota. O próprio Andrey (Braguini) também é um ciclista de enorme valor. O André Ribeiro inclusive teve nas provas da Seleção, também é um corredor quem nós estamos sempre na expectativa de conseguir ganhar a juventude. Vamos ver o que nos espera, mas espero ter a equipa a um bom nível na Volta a Portugal.
Hernâni Brôco (Credibom / LA Alumínios / Marcos Car)

Diretor Desportivo da Credibom / LA Alumínios / Marcos Car
CA: Quais são as expectativas e o balanço que faz desta prova até agora?
HB: Em termos de balanço, temos estado bastante bem. Tivemos sempre ativos nas fugas, o João Oliveira tem a camisola dos pontos quentes. No primeiro dia, acho que poderíamos ter vencido a etapa foi um trabalho espetacular da equipa. No entanto na curva antecedente à meta, o João Martins perdeu a roda do Narciso e o Narciso ia lançá-lo e ainda fez 3º. Acho que se conseguíssemos que ele tivesse na roda dele, poderíamos ter vencido essa etapa.
Ontem já foi diferente a aproximação, não conseguimos que o lançador deixasse o João nas melhores condições, no entanto o Mesa era o homem mais forte mesmo que a gente fizesse o nosso trabalho, acho que era difícil vencer. Acho que o trabalho das chegadas, da aproximação está a ser bastante bem feito. Temos aqui um bloco bastante interessante na aproximação em zonas mais técnicas e mais dia, menos dia, a vitória vai surgir novamente. Já surgiu, no GP Abimota, agora vamos tentar defender-nos. Hoje (sexta-feira) a etapa é diferente do que tem vindo a ser, acho que hoje vai ditar algumas diferenças com esta aproximação tipo clássica aqui na parte final, vamos tentar deixar o Emanuel (Duarte) nas melhores condições, porque é o nosso homem da geral, visto no contrarrelógio de 15 kms e sabemos o potencial dele nesse tipo de etapas. Temos mais duas etapas pela frente, está irá ditar diferenças, a outra chegada a Valongo pode chegar fuga ou não. Vamos ver o que é que sai de hoje e depois analisamos o resto da prova.
CA: Relativamente ao balanço que pode fazer da época até agora e expectativas visto que também temos quase à porta a Volta a Portugal?
HB: O balanço tem sido bastante positivo. A fasquia ano para ano vem sendo colocada, não por mim, mas pelos atletas nos resultados que temos feito nos últimos três anos. Tem sido um salto de enorme qualidade, de um projeto que apenas tem nove anos e que tem uma filosofia diferente de todos os outros, sendo só portugueses. Tem as suas valências, as suas carências, como é normal, mas só tenho que estar orgulhoso do que temos feito e isso devo muito ao staff e aos atletas.
Este ano comparado aos anos anteriores, já levamos três vitórias, temos a liderança da Taça de Portugal nos sub-23, que é sempre uma referência. Com isto também, o facto de termos atletas na pista e termos bons resultados com eles também enriquece o projeto. Agora estamos a tentar nesta fase importante da época, como referiste e bem da aproximação à Volta a Portugal, sendo a prova rainha, não descurando todas as outras, mas é sempre a prova que nos dá mais protagonismo. Penso que vamos ter aspirações a tentar repetir a vitória na etapa e tentar levar o Emanuel ao lugar mais alto possível na geral.
CA: Se possível ao primeiro, não é?
HB: Sim, sabemos que é difícil, mas um top-5 e depois do top-5 ver o que é que daí pra frente vai. Este ano pelo que parece, a Volta a Portugal terá uma filosofia diferente dos outros anos. Aqui a alteração de um contrarrelógio, penso que terá que ser um contrarrelógio não no final, mas a meio da volta, o que também irá ser abordado de uma forma diferente pelas equipas. Vamos ver se saímos melhores ou pior, mas penso que temos tudo para ser melhor.
Vidal Fitas (Team Tavira / Crédito Agrícola)

Diretor Desportivo da Team Tavira / Crédito Agrícola
CA: Consegue-me dar expectativas para esta prova e, de certa forma, fazer um balanço para já, do que tem da temporada e o que falta?
VF: As expectativas para a prova, nem nós sabemos muito bem, há aqui uma série de atletas que vieram de lesões e vieram de momentos de paragem longos e não sabemos como é que vão estar em relação aos adversários, nomeadamente na etapa de hoje, nem no contrarrelógio, as duas etapas decisivas do prémio.
É evidente que ontem e anteontem o Salgueiro esteve bem, mas ele tem estado bem nos últimos meses, portanto está dentro daquilo que tem sido o trajeto dele. O resto, não sabemos, sinceramente queremos hoje ver como é que vão estar, nomeadamente o Afonso, o Diogo, o Lasa, que são os atletas mais importantes para este tipo de percurso do dia de hoje. Do que vai da época, a primeira parte da época até às quedas e lesões esteve bem. O mês de Maio foi um mês difícil, embora tenhamos conseguido lutar por as classificações mais secundárias, nomeadamente as camisolas das metas volantes, pontos quentes no GP Anicolor e no GP Beiras. Espero que depois da gente recuperada, que se volte ao registo do mês de fevereiro e de março e mesmo de abril, espero que a equipa tenha qualidade para isso e que se volte a esse registo.
CA: Depois da etapa de hoje, com o sobe e desce constante que há nesta etapa, podemos considerar o Miguel Salgueiro como é forte no contrarrelógio, pode ser um dos favoritos a vitória final neste grande prémio?
VF: Não, é difícil, a etapa de hoje é difícil, não é uma etapa para as suas características e dificilmente estará na luta pela vitória. Evidente que no contrarrelógio acho que vai estar na luta pela vitória. Agora, na geral com a etapa que temos hoje, vejo complicado. Hoje esperámos mais do Afonso, do Diogo, do Lasa, mas também não sabemos a que nível vão estar porque vêm paragens e estão a começar agora e não sabemos como é que vão estar em relação aos adversários.
A Camisola Amarela vem por este meio agradecer ao José Azevedo (Efapel Cycling), Manuel Correia (GI Group-Simoldes-UDO), Hernâni Broco (Credibom/La Alumínios/Marcos Car) e Vidal Fitas (Team Tavira-Crédito Agrícola) pela disponibilidade e a forma como nos receberam junto das suas equipas.