A Lidl-Trek deu um grande salto qualitativo em 2024 e conseguiu manter o nível em 2025, acrescentando mais algumas vitórias e qualidade nas mesmas. Picou o ponto 9 vezes nas Grandes Voltas, fazendo o pleno no Giro, Tour e Vuelta.
Os dados
Vitórias: 46 triunfos, mas o mais impressionante é que quase metade, 20 deles, foi em corridas do World Tour.
Ciclista mais vitorioso: Mads Pedersen, de uma forma completamente natural, foi aquele que mais triunfou, com 14 vitórias.
Dias de competição da equipa: 269 dias, uma estrutura que gosta de correr bastante, até para dar rodagem a alguns ciclistas da equipa de desenvolvimento.
Idade média do plantel: 30 anos, é dos plantéis mais velhos do World Tour, apesar dos seus líderes até serem relativamente novos
Mais kms: O poderoso Daan Hoole foi o único a superar os 12 000 kms.
Melhor vitória: Há muitas vitórias especiais, mas aquela com um sabor diferente, até pela surpresa, foi a de Mattias Skjelmose na Amstel Gold Race, quando bateu Tadej Pogacar e Remco Evenepoel ao sprint.
O mais
14 vitórias e mais 8 pódios, foi esse o saldo de mais uma época fenomenal do incansável Mads Pedersen. Venceu no Paris-Nice, a Gent-Wevelgem, pódio em Flandres e em Roubaix, levou 4 etapas do Giro mais a classificação por pontos, dominou a Volta a Dinamarca, ganhou 1 etapa e a classificação por pontos da Vuelta, a sua polivalência e consistência fazem com que o seu rendimento seja quase de “alien”. Giulio Ciccone “falhou” nas Grandes Voltas porque correu a pensar na geral, longe do seu habitual estilo ofensivo, o que safou a época foram as clássicas, 2º na Liege, ganhou em San Sebastian e ainda fez 6º nos Mundiais.
Jonathan Milan voltou a provar que é um dos melhores sprinters do Mundo, 2 vitórias e a camisola verde do Tour foi o ponto alto da temporada, mas também triunfou no UAE Tour e no Tirreno-Adriatico perante grandes adversários. Daan Hoole foi uma bela surpresa pelo salto qualitativo que deu, Albert Philipsen provou entre a elite que é mesmo um fenómeno, Quinn Simmons voltou a mostrar que está perto que grandes triunfos, com exibições destemidas de encher o olho e deu gosto ver Andrea Bagioli de volta a um bom nível.
O menos
Não é propriamente uma desilusão, mas estava à espera de outro tipo de resultados por parte de Thibau Nys, alguém com tanto potencial e que no ano anterior tinha dominado tantas chegadas duras na Volta a Polónia, acabou por conseguir apenas 1 top 5 nas Ardenas e depois dessas corridas desapareceu quase por completo, a expectativa é que 2026 seja muito melhor. Juan Pedro Lopez parecia numa curva ascendente, mas tirando o Tour de Romandie foi uma temporada verdadeiramente discreta. Também se pensava que Soren Kragh Andersen tivesse outro protagonismo
O mercado
| Entradas | Saídas | |||
| Ciclista | Equipa de origem | Ciclista | Equipa de destino | |
| Juan Ayuso | UAE Team Emirates – XRG | Jasper Stuyven | Soudal Quick-Step | |
| Max Walscheid | Team Jayco AlUla | Ryan Gibbons | Fly Cool Collective | |
| Matteo Sobrero | Red Bull – BORA – hansgrohe | Alex Kirsch | Cofidis | |
| Mathias Norsgaard | Movistar Team | Tim Declercq | Reforma | |
| Jakob Soderqvist | Lidl – Trek Future Racing | Juan Pedro Lopez | Movistar Team | |
| Daan Hoole | Decathlon CMA CGM Team | |||
Claramente é uma estrutura que está globalmente contente com o que tem, não há muitas entradas e saídas, não há uma mudança de perfil nos ciclistas e na estratégia. Ora vejamos, nos roladores saem Alex Kirsch e Daan Hoole, entram Mathias Norsgaard e Jakob Soderqvist, sai Jasper Stuyven que era um lançador incrível, entra Max Walscheid, aqui perde-se um pouco de poder de fogo nas clássicas, para o lugar de Juan Pedro Lopez entra Matteo Sobrero, que até é mais completo que o espanhol e a grande adição é a de Juan Ayuso, que na verdade é uma grande incógnita.
O que esperar em 2026?
Depois de tempos conturbados na UAE Team Emirates, Juan Ayuso entra na Lidl-Trek e as polémicas parecem persegui-lo. Mattias Skjelmose já manifestou o seu descontentamento pela possível perda de protagonismo interno, mas o dinamarquês só teve esta perda de influência porque a equipa já viu que ele não é propriamente um voltista e agarrou a oportunidade com Ayuso para este departamento. O espanhol queria mais espaço e vai contar com a ajuda de Sobrero, Konrad, Kamna, Verona, Oomen e Mollema, sendo que já não conto Tao Hart para este totobola.
Skjelmose vai ter a oportunidade de se focar mais nas clássicas, fazendo parelha com Ciccone ou até mesmo Thibau Nys, enquanto Ciccone pode ser o grande beneficiado com a entrada de Ayuso porque terá mais liberdade para correr Grandes Voltas como ele gosta, ao ataque. Nas clássicas a perda de Stuyven é preocupante, no entanto creio que pode não ser muito sentido porque Mathias Vacek e Quinn Simmons estão num sentido ascendente, Thibau Nys tem um potencial tremendo, Jakob Soderqvist pode dar nas vistas e ainda há Kragh Andersen ou Skujins para ajudar. Mads Pedersen vai continuar muito bem servido neste departamento.
Já nos sprints Jonathan Milan continua a ter Simone Consonni, o seu lançador de confiança com ele, e eventualmente Norsgaard e Walscheid vão juntar-se ao comboio. Muita atenção ainda a Albert Philipsen, aos 19 anos fez uma belíssima temporada já no meio dos graúdos, ganhou o Paris-Roubaix sub-23 e pode começar a ser um caso sério em muitos terrenos visto que ele é muito completo. Creio que podem manter o 3º lugar para 2026.