Apesar de falhar nos grandes objetivos, a Team Visma|Lease a Bike voltou a conquistar duas Grandes Voltas e viu os seus líderes realizarem, a espaço, grandes exibições. Jonas Vingegaard e Wout van Aert continuam a ser as grandes figuras, com Matthew Brennan a surgir como um novo nome de destaque.

 

Os dados

Vitórias: 40 triunfos, mais 8 que em 2024, incluindo 19 no World Tour.

Ciclista mais vitorioso: O surpreendente Matthew Brennan estreou-se entre a elite e logo com 12 vitórias.

Dias de competição da equipa: 244 dias, é das equipas World Tour que menos compete, escolhe o seu calendário a dedo.

Idade média do plantel: 28,5 anos, dentro da média das equipas World Tour.

Mais kms: O sprinter Olav Kooij ultrapassou os 11 000 kms.

Melhor vitória: Várias vitórias poderiam ser colocadas aqui, entre as Grandes Voltas de Simon Yates e Jonas Vingegaard, os triunfos impressionantes de Matthew Brennan mas optamos pela vitória de Wout van Aert na derradeira etapa do Tour. Pelo simbolismo, pela capacidade demonstrada e por ter conseguido deixar para trás o grande rival da equipa, Tadej Pogacar.



O mais

Jonas Vingegaard teve mais uma época de sucesso. O dinamarquês entrou a ganhar na Volta ao Algarve, depois abandonou no Paris-Nice, antes de ser 2º no Dauphiné e na Volta a França atrás de Tadej Pogacar. Ciente que precisava de melhorar, Vingegaard foi à Vuelta, era o principal favorito e não falhou, triunfando na geral e em 3 etapas. O objetivo sempre foi ganhar o Tour, perdeu claramente para Pogacaar e depois conseguiu compor o ano. Simon Yates sacou um dos grandes resultados dos últimos anos, sempre discreto e a correr por fora, apostou tudo no Colle delle Finestre e atacou para a conquista do Giro. Ainda foi a tempo de vencer uma etapa no Tour. Ben Tulett teve a melhor época da carreira, sem lesões ainda conseguiu resultados pessoas e foi a tempo de ser uma das grandes ajudas de Vingegaard na Vuelta.

Wout van Aert teve uma época agridoce. Voltou a estar perto na Primavera, 4º tanto no Tour de Flandres e Paris-Roubaix, 2º na Dwars door Vlaanderen mas depois chegaram as Grandes Voltas e transformou-se. Venceu uma etapa épica de sterrato e foi a peça do triunfo de Yates no Giro, depois foi ao Tour ajudar muito Vingegaard, ser combativo, e vencer a etapa final. Olav Kooij continuou a sua evolução, venceu por 11 vezes, incluindo duas vezes no Giro, mostrando ser dos melhores do Mundo. A grande revelação foi Matthew Brennan, estreou-se no World Tour, venceu por 12 vezes (4 delas no World Tour), sendo mais que um sprinter, é um ciclista também perigoso para as clássicas

 

O menos

Cian Uijtdebroeks até acabou bem a temporada, ganhou o Tour de l’Ain, foi 2º no Czech Tour, 5º na Volta a Eslováquia e 6º no Tour of Guangxi mas sejamos honestos, longe de serem provas importantes. Voltou a ter problemas de saúde (falhou mais de 3 meses da época), não correspondeu nas principais provas e acaba por estar de saída. Mais inglório foram os franceses Christophe Laporte e Axel Zingle, muito afetados por azares (os dois juntos nem 50 dias de competição tiveram), até se destacaram no pequeno período de competição que tiveram, mas acaba por saber a pouco.

Após um enorme 2024, Matteo Jorgenson estagnou um pouco. É certo que ganhou o Paris-Nice e foi 6º no Dauphine, mas no Tour esteve muito discreto e na Vuelta, apenas de ser 10º, nunca foi o último apoio de Vingegaard como se esperava. Nas clássicas do empedrado também é capaz de mais do que o 4º lugar na Dwars door Vlaanderen. Attila Valter teve uma temporada para esquecer, o húngaro devia fazer mais e melhor.



O mercado

Entradas Saídas
Ciclista Equipa de origem Ciclista Equipa de destino
Owain Doull EF Education – EasyPost Tiesj Benoot Decathlon CMA CGM Team
Bruno Armirail Decathlon AG2R La Mondiale Team Olav Kooij Decathlon CMA CGM Team
Davide Piganzoli Team Polti VisitMalta Dylan van Baarle Soudal Quick-Step
Filippo Fiorelli VF Group – Bardiani CSF – Faizanè Tosh van der Sande Reforma
Timo Kielich Alpecin – Deceuninck Daniel McLay Reforma
Anton Schiffer BIKE AID Attila Valter Bahrain – Victorious
Pietro Mattio Team Visma | Lease a Bike Development Julien Vermote ?
Tim Rex Team Visma | Lease a Bike Development Cian Uijtdebroeks Movistar Team
Louis Barré Intermarché-Wanty Thomas Gloag Pinarello – Q36.5 Pro Cycling Team

Não foi um mercado fácil para a Visma. Alguns corredores importantes estão de saída e, em teoria, não foram colmatados do melhor modo. Olav Kooij era um dos grandes sprinters e procura novas oportunidades, também Tiesj Benoot e Dylan van Baarle eram peças importantes nas clássicas e no bloco de montanha e Cian Uijtdebroeks era um possível líder para o futuro (no presente a equipa não confiava no belga e daí a sua saída repentina uma vez que não iria fazer Grandes Voltas).

As entradas foram todas de perfil médio-baixo, o orçamento não estica para tudo. Davide Piganzoli é uma aposta para o futuro com olho no presente, está na equipa ideal para evoluir enquanto voltista e já pode ser um excelente gregário. Louis Barré chega para colmatar a saída de Uijtdebroeks, a substituição possível. Ainda para a montanha, Bruno Armirail pode ser um joker importante, este ano foi fundamental para a Decathlon, não nos admirávamos que subisse ainda mais o nível e tivesse mais destaque. Filippo Fiorelli trabalhará diretamente com Matthew Brennan, será o seu lançador e uma peça importante para as clássicas, onde também se encaixam Owain Doull e Timo Kielich. As promoções da equipa de desenvolvimento também não fora descoradas, dois jovens de 21 anos.




O que esperar em 2026?

A equipa neerlandesa está a criar suspense, ainda não anunciou o calendário dos seus líderes. Jonas Vingegaard já mostrou ter vontade de fazer o Giro, o dinamarquês tem de maximizar o seu palmarés, não seria de todo estranho ver a fazer a atacar a dobradinha Giro-Tour. Com Simon Yates, Matteo Jorgenson, Sepp Kuss, Ben Tulett, Bruno Armirail e Wilco Kelderman, o dinamarquês tem um excelente bloco de montanha, um elenco que também terá as suas hipóteses, nomeadamente os dois primeiros. Será um ano importante para Jorgenson, não só aqui mas também nas clássicas.

Wout van Aert volta a ser o líder para as clássicas e deve regressar à Milano-Sanremo mas sempre com o foco nos Monumentos do empedrado. Será importante o regresso de Christophe Laporte, o francês é muito importante e a ausência de Dylan van Baarle pode fazer-se sentir, apesar de Victor Campeanerts estar cada vez melhor. Matthew Brennan será um joker, já com um ano de World Tour, o jovem britânico poderá surpreender nas clássicas, mas também subiu na hierarquia dos sprinters e terá em Filippo Fiorelli um fiel lançador. Sem lesões, Axel Zingle poderá ser um perigo, é um grande talento, e veremos como será a adaptação de Davide Piganzoli a uma nova realidade, também pode surpreender. Os noruegueses Per Strand Hagenes e Jorgen Nordhagen são ciclistas protegidos e com muito potencial, principalmente em provas de uma semana do calendário europeu, ainda necessitam de evoluir.

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