Dia de etapa rainha do Giro d’Itália! 6 subidas categorizadas e praticamente 4900 metros de desnível acumulado positivo tornam este o dia mais duro da edição deste ano. Quem será o mais forte?
Percurso
Regreso da alta montanha e com uma etapa monstruosa, 151 kms e 4900 metros de desnível acumulado positivo! Os primeiros 46 kms são os mais simples de todo o dia, relativamente planos, pois a partir daqui ou há subidas ou há descidas. A primeira subida é o Passo Duran (12,1 kms a 8,1%) e num espaço de 35 kms ainda surgem a subida de Coi (5,8 kms a 9,4%) e Forcella Staulanza (6,3 kms a 6,7%).
Rápida descida de 9 kms até uma das subidas mais duras desta edição deste Giro, o mítico Passo Giau (9,8 kms a 9,3%). No alto restam 50 kms e ainda muita dureza pela frente, pois logo de seguida aparece o Passo Falzarego (10,1 kms a 5,4% mas com os últimos 5,6 kms a 6,6% após a passagem pelo Km Red Bull). Antes da subida final, os ciclistas terão praticamente 28 kms de descida, um final muito rápido até aos derradeiros 5 kms. A ascensão de Piani di Pezzè pode ter apenas 5000 metros mas são a 9,7% de média, incluindo 2 kms a 11% (3º e 5º kms)!
Táticas
Etapa rainha do Giro, a etapa que todos os trepadores querem ganhar! Até agora tivemos 4 chegadas em alto e 4 vitórias de Jonas Vingegaard, o dinamarquês se sentir que pode ganhar esta etapa vai fazê-lo no entanto não irá entrar em loucuras. Primeiro tem a geral sob controlo, não precisa de muito mais, e segundo já afirmou que não quer entrar em desgaste extra já a pensar no Tour de France. Para além disso, a Visma não tem o bloco ideal para perseguir neste tipo de terreno e, quem sabe, também tem o objetivo de levar Davide Piganzoli mais acima na geral e à classificação da juventude.
Do outro lado temos a fuga, muitos trepadores ainda não ganharam e têm aqui uma oportunidade de ouro. Muitas vezes, este tipo de etapa sorri à fuga muito não só pela dureza da mesma mas também porque é a anarquia total e os muitos ataques impedem o controlo da corrida. É uma etapa que dá muitos pontos para a montanha, há muitos objetivos em disputa. Por fim, é uma tirada perfeita para tentar recuperar tempo e entrar no top-10, esperamos ataques de ciclistas que estejam à entrada do mesmo e isso leva a ataques sucessivos.
Favoritos
Jonas Vingegaard – aumentou o seu recorde, 4 chegadas em alto e 4 vitórias! Já venceu com a maglia rosa, que era o objetivo para esta semana, no entanto se tiver a oportunidade não vai desperdiçar mais uma vitória. Sempre que ataca não tem tido rivais que o consigam seguir durante muito tempo, estará confiante.
Giulio Ciccone – já começa a ser repetitivo mas nesta etapa não pode falhar a fuga. Dia decisivo na luta pela montanha, muitos pontos em disputa e, depois, a etapa que tanto procura. Pode gastar energia a mais durante a etapa, o italiano nem sempre é o ciclista mais inteligente, mas também é daqueles que deixa tudo na estrada e tem-se mostrado muito forte.
Outsiders
Chris Harper – está a acabar muito bem o Giro, a fazer jus à sua qualidade nas terceiras semanas das Grandes Voltas. Quererá regressar ao top-10 e só através de uma fuga o pode conseguir, algo que não seria inédito. No ano passado venceu uma das grandes etapas do Giro, estará a guardar-se para fazer o mesmo em 2026?
Wout Poels – andar bem nas terceiras semanas das Grandes Voltas é com o gigante neerlandês e este ano não está a ser exceção. Se tivessemos de apostar, quase de certeza que garantíamos que estará na fuga, raramente falha quando é preciso. As pendentes mais inclinadas também o favorecem, parece que se transforma quando fica mais difícil.
Davide Piganzoli – não é de todo descabido imaginar um cenário onde o italiano fica isolado com Vingegaard e o dinamarquês dá a vitória ao seu gregário. Piganzoli tem sido o seu braço-direito e o líder do Giro já afirmou que se tiver a oportunidade vai retribuir, não só a vencer uma etapa como a ajudar na possível conquista da camisola branca.
Possíveis surpresas
Felix Gall – continua a ser o 2º melhor trepador deste Giro mas é difícil vê-lo a triunfar, porque nunca conseguiu deixar Vingegaard em dificuldades. Apesar de tudo, nunca se sabe o que pode acontecer após um dia com tanta dureza.
Jai Hindley – dentro do top-4 é o ciclista que tem de atacar! O australiano nem está a fazer um mau Giro, tem sido bastante regular mas a sua equipa sim, por isso tem sobre si toda a responsabilidade. Tem de continuar a recuperar tempo.
Thymen Arensman – costuma dar-se muito bem nestas longas maratonas da terceira semana. Estando no 3º lugar, será um dia para correr na defensiva e não entrar em locuras, sempre com um olho no que Gall pode fazer.
Egan Bernal – às portas do top-10, o colombiano é um ciclista que vemos a poder integrar a fuga e tentar ganhar tempo. Esteve muito bem na etapa 16, parece totalmente de regresso à sua melhor versão, excelentes indicações para as etapas que faltam.
Einer Rubio – mais uma oportunidade para o colombiano. Muito ativo ao longo de todo o Giro mas ainda não conseguiu retirar nada de positivo, é um ciclista que prefere estas subidas mais longas e muito combativo.
Enric Mas – uma alternativa dentro da Movistar. Desde que ficou afastado da geral, o espanhol tem mostrado uma versão mais ofensiva, sempre em etapas mais complicadas. Se Rubio e Mas estiverem na frente, podem formar uma dupla perigosa.
Damiano Caruso – esteve na fuga ontem e subiu ao top 10 mas o objetivo é vencer uma etapa na sua despedida. Acreditamos que vai tentar a fuga, ainda está longe dos primeiros lugares e se tiver as pernas que demonstrou na quarta-feira, é um sério candidato. Parece ter guardado o melhor para o fim.
Jan Hirt – já venceu etapas em terceiras semanas do Giro, é novamente o objetivo para o que resta. O veterano checo é um puro trepador, se pudessem desenhar um percurso ideal para ele, não poderia pedir melhor.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Johannes Kulset e David de la Cruz.