Mais uma época acima da meia centena de vitórias para a estrutura comandada por Patrick Lefevere, que tem um virar de página neste defeso com a saída de Remco Evenepoel e a consequente aposta nos sprints e clássicas.
Os dados
Vitórias: 54 triunfos, voltaram a números parecidos a 2023 depois de uma época mais fraca em 2024, 19 deles foram no World Tour.
Ciclista mais vitorioso: O inevitável Paul Magnier foi extremamente eficaz e fez um calendário propício a isso, foram 19 vitórias.
Dias de competição da equipa: 273 dias, das equipas World Tour é daquelas que mais compete, também porque o calendário belga e francês é bem vasto.
Idade média do plantel: 28,2 anos, têm corredores muito jovens, mas também alguns super veteranos.
Mais kms: A distribuição foi bastante equitativa, ninguém chegou aos 12 000 kms, Paul Magnier foi aquele que mais competiu.
Melhor vitória: Muitas vitórias em clássicas e Grandes Voltas e de nomes importantes mas, pelo trabalho de equipa e forma como foi conseguida, o triunfo de Valentim Paret-Peintre no Monte Ventoux.
O mais
Já foi aqui referido, mas nunca é demais realçar, Paul Magnier foi uma das confirmações de 2025, e não é só pelo número de vitórias, é pela consistência demonstrada. Para já começou muito bem a época com uma bela série de pódios incluindo a Omloop het Nieuwsblad, nem fez um Giro incrível, só que depois arrancou para uma quase invencibilidade que resultou em 6 vitórias World Tour, nomeadamente 5 no Tour of Guangxi, onde ninguém o superou. Tim Merlier somou 16 vitórias e teve outro impacto mediático entre a elite dos sprinters, ganhou por 2 vezes no UAE Tour, 2 vezes no Paris-Nice, a Scheldeprijs, a Brussels Classic, 2 triunfos no Renewi Tour e até 2 vitórias no Tour, não é por acaso que esteve na eleição para o melhor sprinter do ano.
Nota ainda para a boa evolução de Gianmarco Garofoli, Ethan Hayter esteve num plano superior face a 2024 e Junior Lecerf deu excelentes indicações, venceu provas menores, fez top 10 em corridas por etapas no World Tour e ainda finalizou a Vuelta em 11º, tem tudo para continuar a crescer.
O menos
Pode parecer inusitado colocar o ciclista da equipa que mais pontos UCI fez nesta categoria, a questão é que não acho que Remco Evenepoel tenha feito uma boa temporada para os seus padrões e para o que tem potencial e capacidade para fazer. Ora vejamos, 3º, 9º e 59º nas Ardenas, 5º na Romândia e 4º no Dauphine, abandonou o Tour com 1 etapa no bolso, não fosse os últimos 5 dias da época onde foi campeão europeu e mundial de contra-relógio, com pratas nas respectivas provas de estrada e ainda 2º no Giro di Lombardia estávamos a falar de uma época completamente falhada, ele nesses 5 dias fez tantos pontos UCI como no resto da época.
Nesta categoria coloco também todo o bloco de clássicas da equipa, Dries van Gestel, Yves Lampaert, Casper Pedersen foram muito débeis para o que uma estrutura como a Soudal nos habituou nesta tipo de provas. Mikel Landa até iniciou bem o ano, caiu na etapa inaugural do Giro e nunca mais se levantou, fez uma Vuelta muito fraquinha, foi uma sombra dele mesmo e Mauri Vansevenant andou muito mal todo o ano para o que estamos habituados dele.
O mercado
| Entradas | Saídas | |||
| Ciclista | Equipa de origem | Ciclista | Equipa de destino | |
| Steff Cras | Team TotalEnergies | Remco Evenepoel | Red Bull – BORA – hansgrohe | |
| Alberto Dainese | Tudor Pro Cycling Team | Mattia Cattaneo | Red Bull – BORA – hansgrohe | |
| Laurenz Rex | Intermarché – Wanty | Josef Cerny | Kasper – crypto4me | |
| Jasper Stuyven | Lidl – Trek | Antoine Huby | ? | |
| Dylan van Baarle | Team Visma | Lease a Bike | James Knox | Team Picnic PostNL | |
| Fabio van den Bossche | Alpecin – Deceuninck | Luke Lamperti | EF Education – EasyPost | |
| Jonathan Vervenne | Soudal Quick-Step Devo Team | Pieter Serry | Reforma | |
| Filippo Zana | Team Jayco AlUla | Jordi Warlop | Reforma | |
A grande novidade obviamente é a saída de Remco Evenepoel e isso vai mudar as agulhas da equipa, com ele saem Cattaneo e Knox, que faziam parte do bloco de montanha, mais Serry que se vai retirar, bem como Lamperti que perdeu espaço com a afirmação de Magnier. Steff Cras e Filippo Zana serão sempre 2 opções para a geral e para corridas de montanha, mas a grande novidade está na contratação de Jasper Stuyven e Dylan van Baarle, numa tentativa de recriar “o Wolfpack” das clássicas, para ter superioridade numérica, ou pelo menos tentar, quando a corrida se tornar mais séria.
O que esperar em 2026?
Analisando por tipologia de corrida, julgo que na montanha vai ser uma equipa mais livre e mais solta. Landa acho que já viu que tem dificuldades crescentes em ser competitivo perante esta juventude galopante, Lecerf teve um bom teste na Vuelta e Steff Cras também é um ciclista que gosta de correr para um bom lugar, mas ambos não parecem precisar de um bloco de apoio. Ilan van Wilder estagnou um pouco e acho que a par de Zana e Paret-Peintre, estes 2 últimos com grandes dificuldades no contra-relógio, vão passar a caçar etapas, o que pode aumentar o pecúlio total da equipa.
Nas clássicas como já falámos a ideia será jogar com os números, Jasper Stuyven tem estado um pouco na sombra de Mads Pedersen, mas falamos de alguém ainda bastante competitivo nestas corridas e Dylan van Baarle um corredor astuto tacticamente e com um grande motor, precisam é de uma ajudinha dos corredores que desiludiram este ano: Lampaert, Casper Pedersen e Dries van Gestel.
Nos sprinters estou muito confuso, pensava genuinamente que a equipa estava contente com a dupla Merlier/Magnier para repartir calendário, mas decidiram ir buscar Alberto Dainese e para lançador não será de certeza. A outra opção que vejo é nas grandes corridas Magnier ser o lançador de Merlier com a particularidade de ter oportunidades nas chegadas mais duras, mas aqui parece-me faltar alguns homens de trabalho para os comboios, Eenkhoorn, Pedersen e Lampaert serão preponderantes aqui e a eles vai juntar-se Stuyven, que pode fazer o lead-out final na ausência de Magnier.