Melhores equipas do ano – 25ª

Não foi uma temporada muito bem conseguida para os comandados de Jean Rene Bernaudeau, apenas 3 vitórias, todas logo na fase inicial da época. Grande parte das principais figuras esteve desaparecida em combate e o facto de boa parte do calendário gaulês ter sido cancelado não ajudou à causa. Acabou por ser na fase final da temporada, em 2 clássicas, que bons resultados apareceram quando nada o fazia prever.



 

Os dados

Vitórias: 3 triunfos, o único no World Tour por intermédio de Niccolo Bonifazio no Paris-Nice

Pódios: 11 pódios, curiosamente apenas 1 no World Tour

Dias de competição da equipa: 149 dias de competição, uma formação que vai quase sempre às provas em África e que também por isso compete muito.

Idade média do plantel: 28,9 anos, dos planteis mais velhos do pelotão internacional

Mais kms: Romain Sicard quase chegou aos 10000 kms, 9867 no total.

Melhor vitória: A de Niccolo Bonifazio no Paris-Nice, um dia muito duro em que o italiano bateu Ivan Garcia Cortina e Peter Sagan

 

O mais

Pelo 2º ano consecutivo Anthony Turgis foi dos melhores ciclistas da equipa, senão mesmo o melhor. Conseguiu alguns bons resultados antes da paragem, mas foi muito inconsistente, ainda esteve em algumas fugas no Tour e foi depois que se destacou ligeiramente ao ser 8º na Brabantse Pijl e 4º no Tour des Flandres, naquele que foi talvez o melhor resultado da carreira.



Outro elemento em destaque foi Niccolo Bonifazio, ofereceu 2 das 3 vitórias da equipa e ainda conseguiu alguns pódios relevantes, particularmente na Scheldeprijs. Com 2 pódios, foi a melhor temporada de Romain Cardis, um corredor que curiosamente até está de saída. Dries van Gestel ainda começou bem o ano, mas depois perdeu gás.

 

O menos

Aqui há muito para falar, Jonathan Hivert e o seu instinto matador esteve muito longe de acertar e Lilian Calmejane, para grande líder da equipa teve resultados paupérrimos, de onde se destaca o 5º posto na Etoile de Besseges, aos 27 anos tem sido sempre a cair depois da boa temporada em 2017. Se 2019 já tinha sido abaixo das expectativas para Niki Terpstra, o que dizer de 2020… o melhor que o holandês, contratado para liderar a equipa nas clássicas conseguiu em provas World Tour foi um 31º posto. Isto diz tudo sobre a sua época. Adrien Petit costuma aparecer nas semi-clássicas e este ano nem isso e Pim Ligthart também esteve muito apagado.



 

O mercado

Muito agitado e com mudanças importantes, globalmente o plantel cresce e nota-se a ambição de alcançar melhores resultados. Claramente em fim de ciclo saem Lilian Calmejane, Jonathan Hivert e Rein Taaramae dos ciclistas que estavam mais em destaque, juntando-se a eles Romain Cardis e Simon Sellier.

Em relação às contratações, entra um forte trio da Ag2r La Mondiale, composto por Alexis Vuillermoz, Alexandre Geniez e Pierre Latour. Desde 3 parece-nos que Geniez e Vuillermoz são consistentes e garantem uma boa quantidade de exposição certa, já Latour é um verdadeiro joker, tem um enorme talento até porque é muito completo e tanto pode ser um grande hit ou um grande miss. Fabien Doubey, Cristian Rodriguez e Victor de la Parte são bons trepadores, mas nenhuns fora de série, vão tentar alguns top 10/top 15 em provas por etapas.



Mas há 2 contratações muito interessantes nesta espécie de internacionalização da Direct Energie. Chris Lawless sai da Ineos depois de um excelente 2019 e um terrível 2020, é um autêntico tiro no escuro por parte da equipa francesa, olhando para o plantel neste há muitos sprinters e talvez se destaque, mas a adaptação pode não ser fácil. Já Edvald Boasson Hagen entra no que parece ser uma fase descendente da carreira, ainda assim o norueguês é capaz de fazer uma boa performance ocasionalmente e mesmo para as clássicas não deixa de ser um reforço interessante

 

O que esperar de 2021?

O plantel cresceu e ganhou opções, o que deve permitir atacar mais frentes e com mais qualidade, esperamos uma temporada melhor. Bonifazio, Hagen e talvez Lawless vão ficar com os sprints, sendo que Pierre Latour pode ser uma referência na montanha/provas por etapas. Caso a contratação de Latour resulte, e é sempre um risco depositar tantas esperanças em reforços inconsistentes, o bloco com Sicard, Geniez, Vuillermoz, de la Parte pode ser um bom apoio.



No entanto, poderá mesmo ser nas clássicas que a formação gaulesa mais se destaque, Terpstra já não conseguirá atingir o mesmo nível da Quick-Step, mas não deixa de ser útil para Anthony Turgis e possivelmente Edvald Boasson Hagen, já para não falar que Dries van Gestel e Adrien Petit também andam bem neste tipo de terreno. Recorde-se que aos 26 anos, Turgis está em ponto rebuçado, é um ciclista que não aparece do nada, foi medalhado em Europeus de Juniores e Mundiais de sub-23 (acompanhado no top 5 por Ledanois, Consonni, Moscon e Kamp), e com muito potencial, precisa de ganhar mais consistência.

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