Está na hora da alta montanha! Ao 7º dia de competição, o Giro terá a primeira grande batalha entre os homens da geral, com o Blockhaus a ser o palco principal. Conseguirá Afonso Eulálio defender a camisola rosa?
Percurso
Primeira grande etapa de montanha com cerca de 4600 metros de desnível acumulado positivo, quase todos na segunda metade da etapa. Os primeiros 135 kms são os mais simples, alguns pequenos topos mas nada de difícil comparado com o que ainda falta percorrer. 9,5 kms a 5% de uma subida não categorizada antecede a contagem de montanha de Roccaraso (6,9 kms a 6,5%). Mais dois pequenos topos, um deles com 1800 metros a 7,6% e uma rápida descida levam os ciclistas até ao sopé do monstro do dia.
Falamos da subida de Blockhaus! 13 600 metros de puro sofrimento, uma inclinação média de 8,6% mas que engana. Entre o kms 4-7 as rampas não baixam dos 9,5%-10% e entre os kms 8-10 rondam os 11%! Se há sítio para fazer diferenças, é nestas zonas pois o que restante é mais “suave”, principalmente os quilómetros finais que baixam para 7,5%.
Táticas
Chegamos à primeira grande etapa de montanha do Giro! Foi preciso esperar pelo 7º dia de competição para termos o primeiro grande teste entre os homens da geral. Até agora, Jonas Vingegaard apenas testou as águas na etapa 2, um aperitivo para o que podemos ter amanhã. Por norma, as primeiras chegadas em alto até costumam sorrir à fuga mas não vemos isso a acontecer nesta tirada. Primeiro a etapa é fácil de controlar, a dureza está toda na parte final e com um início tão simples não será tarefa simples para os trepadores ingressarem na fuga do dia. Segundo, vemos a Visma|Lease a Bike e a Red Bull-BORA a perseguirem, talvez com a ajudar da Bahrain-Victorious que vai querer manter a camisola rosa de Afonso Eulálio enquanto for possível.
Falando do Blockhaus, esta é uma subida onde se podem fazer grandes diferenças, não nos admirávamos que os ataques surgissem desde cedo, a partir do km 3/4 há já rampas muito inclinadas. É um dia para se fazerem grandes diferenças na classificação geral, algo já tradicional neste tipo de subida.
Favoritos
Jonas Vingegaard – dia muito importante na missão do dinamarquês. O Blockhaus é uma subida onde Vingegaard pode ganhar muito tempo e começar a sentenciar a geral. Cabe a Davide Piganzoli e Sepp Kuss abrir caminho, depois veremos quem consegue (ou se alguém o consegue seguir).
Giulio Pellizzari – primeiro grande teste. Seguiu Vingegaard na etapa 2 mas esse era um esforço diferente. Não pode ir demasiado ao choque senão a quebra pode ser grande. Chega em grande forma, estará confiante de um bom resultado, alicerçado num bom bloco da Red Bull-Bora.
Outsiders
Thymen Arensman – por incrível que pareça passou os primeiros 6 dias sem perder tempo! Chega o momento da verdade para o gigante neerlandês, alguém que adora estas subidas mais longas, sabe gerir muito bem o seu esforço.
Felix Gall – em tudo semelhante a Arensman, passou o volume aos primeiros dias e tem agora uma subida muito longa bem ao seu jeito. É daqueles que não tem medo de atacar de longe, tanto pode resultar muito bem como ser uma estratégia suicida.
Jai Hindley – sabe o que é preciso para vencer aqui, já o fez em 2022. Até agora sem grandes resultados, mas o australiano é alguém que aparece nos grandes momentos e o Giro é, e sempre foi, importante para si. Numa corrida mais tática pode ter as duas hipóteses.
Possíveis surpresas
Egan Bernal – salvou-se na etapa 4, terá sido o clássico dia mau após o descanso? O colombiano tem a experiência do seu lado e com Arensman pode formar uma dupla perigosa.
Giulio Ciccone – a correr perto de casa, acreditamos que vai dar tudo, mesmo dizendo que não corre pela geral. Muitas vezes, o apoio transforma os ciclistas para melhor e vencer neste local seria a cereja no topo do bolo.
Michael Storer – não chega em tão boa forma como no ano passado, talvez de propósito para render mais no final. Trepador de grande nível, num bom dia o top 5 é possível.
Ben O’Connor – nunca sabemos o que esperar, irregularidade é consigo. Tanto podemos vê-lo a lutar pelos primeiros lugares conceder muitos minutos. Uma caixinha de surpresas.
Derek Gee-West – dia de defesa. Já com algum tempo perdido, o canadiano vai tentar limitar perdas numa subida que não é muito ao seu estilo para não ficar ainda mais atrasado.
Alessandro Pinarello – uma das varias opções para a fuga. Jovem italiano de enorme valor que, sem ser um perigo para a geral tem de aproveitar a forma com que chegou.
Wout Poels – procura completar a trilogia de vitórias nas Grandes Voltas, aqui está a primeira oportunidade. Subida ideal para si, agora estas rampas mais inclinadas, veremos é se está num dia inspirado.
Filippo Zana – chegou em excelente forma e já perdeu algum tempo, talvez já pensando na liberdade para as fugas. Nos seus melhores dias consegue ser um excelente trepador, muito combativo.
Harold Martin Lopez – tudo sai bem à XDS Astana, temos que mencionar um ciclista seu. O pequeno equatoriano é a melhor opção para amanhã, no ano passado deu um salto qualitativo importante na montanha quem em 2026 tarda em confirmar. Está na hora desse momento!
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Mathys Rondel e Damiano Caruso.