Após duas etapas mais complicadas, os sprinters voltam ter uma oportunidade para brilhar, naquela que será a derradeira tirada plana da semana. No dia em que Afonso Eulálio estará vestido de rosa, quem será o mais rápido na chegada a Nápoles?
Percurso
Os sprinters não poderiam pedir uma etapa mais acessível. 141 kms praticamente sem dificuldades, apenas uma contagem de montanha de 4ª categoria ainda na fase inicial, com tudo a ficar guardado para os derradeiros quilómetros na chegada a Nápoles. Falando do final, à passagem dos 3 kms à uma rotunda a ser passada pela esquerda e depois seguem-se 2 kms com a estrada a desviar para a esquerda. O quilómetro final inicia-se com uma viragem apertada para a direita, antes dos últimos 400 metros em empedrado e a 4,8%!
Táticas
Não há muito a dizer sobre o dia de amanhã. É a derradeira oportunidade para os sprinters na primeira semana do Giro, não vão facilitar na perseguição e, provavelmente, teremos uma fuga com ciclistas da Bardiani e Polti. Falando do final, nada muito de relevo até aos últimos 3 kms, altura em que estar bem posicionado e, como tal, ter um bom comboio (ou pelo menos um lançador) será importante. Num sprint em ligeira subida, o timing de lançamento será ainda mais importante, senão o final pode fazer-se demasiado longo.
Favoritos
Jonathan Milan – a pressão continua a aumentar nos ombros do italiano. 2 chegadas ao sprint e 2 derrotas, a vitória está cada vez mais cara, tem de acontecer a qualquer custo. Hoje viu-se que a Lidl-Trek tem um bloco mais centrado e Milan, o gigante sprinter tem de corresponder, mas o comboio também tem de estar à altura. O final em ligeira subida em paralelo são boas notícias.
Paul Magnier – com confiança tudo sai! Já com 2 triunfos, o jovem francês tem tudo para disparar para um Giro ainda melhor, sempre a acertar no timing de lançamento e com o comboio a funcionar na perfeição, tudo fica mais próximo de acontecer. Este tipo de final são notícias perfeitas para os ouvidos do ciclista da Soudal Quick-Step.
Outsiders
Dylan Groenewegen – depois da queda a abrir, o 3º lugar devolveu a confiança. Apesar de tudo, vimos um neerlandês frustrado, só a vitória interessa para um ciclista deste calibre. A Unibet Rose Rockets trabalhou o comboio na perfeição, estiveram muito bem na 3ª etapa, se repetirem isso amanhã Groenewegen estará na pole position.
Tobias Lund Andresen – já com uma vitória no bolso, a pressão é muito menor. A juntar a isso, o final mais confuso acaba por o beneficiar, vimos na 3ª etapa que num final em potência não tem tantas possibilidades. O final em subida e parelelo são excelentes notícias para Andresen, um corredor habituado a este tipo de clássicas.
Ethan Vernon – falhou ao 3º dia, tem de voltar aos bons resultados, ainda para mais com uma NSN tão apostada em levar o britânico à vitória. Vernon é um puro sprinter que até se adapta bastante bem a estes finais mais inclinados, já conta com algumas vitórias assim, veremos se volta a sorrir.
Possíveis surpresas
Matteo Malucelli – o pequeno italiano é alguém capaz de surpreender quando menos se espera. Sem muito apoio, isso não será problema, consegue andar de roda em roda, se tiver a “sorte” de acertar na roda certa pode surpreender.
Madis Mihkels – o campeão estónio não tem tido muito apoio e mesmo assim soma 2 top-10 nos 2 sprints disputados. Ciclista de muita qualidade, não o podemos descartar de um grande resultado e de uma surpresa ainda maior.
Pascal Ackermann – nem sempre acerta o posicionamento mas quando o faz acaba por ser perigoso. Este tipo de finais beneficia a potência do sprinter gêrmanico, é preciso ter em atenção.
Casper van Uden – será desta que aparece? O neerlandês vinha com o objetivo de vencer uma etapa mas primeiro é preciso estar na discussão das mesmas. Fraco no posicionamento, veremos se o consegue, finalmente, acertar. Não vai ter muitas vantagens num final mais duro que o habitual.
Erlend Blikra – parece recuperado da queda, o top-10 na 3ª etapa foram boas indicações. Numa Uno-X sempre coesa, o norueguês terá sempre algo apoio, que será importante para a colocação no final.
Giovanni Lonardi/Paul Penhoet/Orluis Aular – voltamos a juntar os 3 na mesma linha e sempre com a mesma justificação. Top-10 possível mas mais que isso já é pedir demais, não são puros velocistas. Este final até acaba por favorecer bastante as características de Penhoet.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Edward Planckaert e Davide Ballerini.