Nova etapa de média montanha no Giro d’Itália mas com a dificuldade a aumentar consideravelmente! Será que amanhã teremos a primeira fuga vitoriosa da Corsa Rosa?

 

Percurso

Partida de Praia a Mare, numa etapa que começa a subir logo ao km 12, com a subida de Prestieri (13 kms a 4,6%, onde os primeiros 9,5 kms são a 6%). Seguem-se praticamente 100 kms sem grandes dificuldades, apenas um pequeno topo logo após a contagem de montanha. A 60 kms do fim surge uma colina com 5,5 kms a 5,5%, que antecede a subida de Mont.Grande di Viggiano (6,6 kms a 9,2%, uma subida onde os 3 kms do meio são acima dos 10,5%).

No alto restam 45 kms, nos 20 kms seguintes há dois pequenos topos, um com 3 kms a 3,3% e outro com 1,8 kms a 5,1%, mesmo antes do Km Red Bull. A partir daqui, praticamente 20 kms em descida, antes dos ciclistas chegarem a Potenza. Aí, apanham 300 metros a 12%, seguidos de 1300 metros a 6,6%. 4 kms para a chegada, 3 em descida, antes do final em ligeira subida.



Táticas

Esta é a primeira grande etapa com potencial de vitória para a fuga. O início mais complicado bem beneficiar a formação da fuga, pode ser constituída por bons trepadores e, só aí, ganhar uma boa margem. Para além disso, há muitas equipas que veem na fuga as principais chances para vencer, pois num grupo com os homens da geral não têm hipóteses. Por falar em homens da geral, a subida de Mont.Grande di Viggiano é dura o suficiente para ser atacada mas até à meta ainda resta muito, portanto não acreditamos muito.

A Lidl-Trek sozinha não vai conseguir controlar a corrida, mais facilmente colocará Giulio Ciccone na fuga mas não vemos as equipas da geral a dar liberdade ao transalpino que continua a ser um trepador muito perigoso mesmo tendo dito que não vinha para lutar pela geral. A juntar a tudo isto, as condições meteorológicas não serão favoráveis, espera-se um dia muito difícil em cima da bicicleta, com muita chuva à mistura. Com tudo isto, a fuga é ainda mais favorita a vencer.

 

Favoritos

Jhonatan Narvaez – fresco de uma vitória, porque não pensar já numa segunda? Depois de hoje ficaram dissipadas as dúvidas sobre a condição física do campeão equatoriano, pelo menos para já está em boa forma e capaz de ultrapassar este tipo de subidas. É uma carta a considerar não só em fuga, como se os favoritos lutarem pela vitória, como vimos hoje.

Javier Romo – a Movistar saiu de mãos a abanar, amanhã é um novo dia para tentar. O espanhol é um ciclista muito combativo, até preferiria uma etapa mais dura mas a principal subida do dia é suficiente para fazer diferenças e selecionar a corrida. Em grupos muito restritos, Romo é um ciclista rápido.

 

Outsiders

Christian Scaroni – está na hora da XDS Astana focar-se nas fugas e nada melhor do que fazê-lo com a sua grande seta! Scaroni deve ter esta etapa marcada há muito, hoje perdeu algum tempo e, desta forma, alguma liberdade para estar na fuga. Nos seus melhores dias é capaz de subir incrivelmente bem, sempre sem perder a sua boa ponta final.



Alessandro Pinarello – é certo que o italiano está demasiado perto na geral mas também sabemos que esta é uma etapa difícil de controlar e, no meio da confusão, pode fugir. Etapa ideal para as suas características, bom trepador e rápido em grupos reduzidos, ainda hoje foi 5º .

Giulio Ciccone – caso os homens da geral acabem por discutir a etapa, o italiano é um dos principais nomes a ter em atenção. Se, num cenário normal, Ciccone já seria um dos favoritos, com a maglia rosa envergada ainda temos de considerar mais, por norma a camisola “dá asas”. Vai dar tudo o que tem para manter a liderança do Giro e, como vimos hoje, é muito rápido em grupos mais reduzidos.

 

Possíveis surpresas

Igor Arrieta – uma boa alternativa dentro da UAE Team Emirates pensando na fuga. O espanhol é um trepador muito combativo, ao estilo de Marc Soler (com as devidas diferenças). Sabe que para vencer terá de chegar isolado, tem que fazer diferenças na subida.

Andreas Leknessund – falar de combatividade é falar do norueguês. Até agora muito discreto, Leknessund deve ter as suas etapas marcadas no livro de prova e esta é uma delas. A juntar ao perfil ideal, as más condições atmosféricas jogam a seu favor.

Aleksandr Vlasov – não será fácil ter liberdade dentro da Red Bull-BORA mas esta é uma etapa ideal para o ciclista russo. Quando está bem é capaz de subir muito e depois é um perigo em grupos reduzidos. Veremos se está totalmente recuperado da queda.

Magnus Sheffield – esperávamos mais do norte-americano no dia de hoje, cedeu relativamente cedo. Amanhã é uma nova oportunidade e a INEOS é uma equipa que costuma dar liberdade aos seus ciclistas. Trepador competente, se lhe dão alguns metros será difícil de apanhar com a sua capacidade de contra-relogista.

Alan Hatherly – um nome mais alternativo que faz a sua estreia em Grandes Voltas. O campeão do Mundo de MTB tem-se revelado um trepador muito competente e, como vem desta vertente do ciclismo, consegue ser bastante explosivo.



Diego Ulissi – uma das raposas velhas do pelotão, se há ciclista que sabe como correr no Giro e o que fazer para ganhar é Ulissi. Terá de sofrer na contagem de montanha, pois sabe que tem uma boa ponta final.

Michael Valgren – foi uma agradável surpresa ver o dinamarquês chegar no grupo da frente e ainda terminar em 10º. Outrora uma aposta sólida para este tipo de etapas, há muito que não víamos Valgren a andar assim. A temporada de clássicas fez-lhe bem, está a subir bem e continua com boa ponta final. Numa fuga é um perigo, muito devido à sua experiência.

Jan Christen – o enigmático suíço é um perigo à solta. Hoje voltou a atacar na parte final, algo completamente normal, tal como o timing do mesmo.  Tem uma oportunidade de ouro para chegar à camisola rosa, esperando pelo momento certo pode resultar.

Lennert van Eetvelt – a ter um início de Giro muito positivo, já com alguns top-10. Mantendo a consistência é um perigo, sabe que tem de aproveitar estas etapas antes de chegar a verdadeira montanha.

Giulio Pellizzari – vai querer aproveitar todas as oportunidades para ganhar tempo, ainda hoje sprintou pelas bonificações. Se a corrida for endurecida, as suas chances aumentam consideravelmente.

Florian Stork – não terá tarefa fácil, pois se a corrida for decidida entre os favoritos é porque será mais endurecida e o alemão não é um puro trepador. Ainda tem a camisola rosa em mente, tem de sofrer por isso, pois sabe que tem uma excelente ponta final.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são António Morgado e Felix Engelhardt.



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