O Giro chega a Itália e logo com uma etapa complicada. Mais um dia com uma subida longa, desta vez mais perto do final. Conseguirão os sprinters sobreviver?

Percurso

O Giro 2026 chega a Itália por Catanzaro, uma etapa de apenas 138 kms, com os primeiros 80 kms a serem maioritariamente planos. É nesse momento que se inicia a grande, e também única, dificuldade do dia, a subida de Cozzo Tunno (14,4 kms a 5,9%). Esta é uma subida bastante constante, com os primeiros 6 kms a rondarem os 7% e depois a baixar ligeiramente. No alto, restam 42 kms, que se farão de uma forma muito rápida.

15 kms em descida mais pronunciada, cortados por um pequeno topo a meio, antes de 25 kms finais relativamente planos até à chegada em Cosenza. O final não é assim tão acessível, com os derradeiros 400 metros a serem a 3,7%.



Táticas

Esta é, verdadeiramente, a primeira etapa do Giro que pode sorrir à fuga. Foi preciso chegar a solo italiano para a orografia ficar mais complicada, a subida de Cozzo Tunno é muito longa e, se for feita a um ritmo elevado, pode fazer os seus estragos na luta pela vitória. Irão as equipas dos sprinters controlar sabendo que o seu homem rápido pode ficar para trás? Mais à frente na prova diríamos que não, mas após o dia de descanso não é de todo descabido, principalmente equipas como a Decathlon, NSN e Alpecin-Premier Tech.

A etapa é bastante curta, prevemos uma luta intensa pela presença na fuga, pelo que não há muito tempo para esta se for. Se demorar, as equipas dos sprinters vão tomar conta da corrida, caso contrário a batalha será mais séria. E o que fará a XDS Astana? A equipa cazaque vai querer manter a liderança, há a possibilidade de virem a controlar quem sai para a fuga mas também se diz que a melhor defesa é o ataque, por isso não seria de estranhar estarem na frente.

 

Favoritos

Filippo Ganna – primeiro dia interessante para o italiano. É certo que a INEOS vem com 2 líderes para a geral mas Ganna deverá ter alguma liberdade para estar em fuga. Já atrasado, não lhe faltará liberdade mas também sabe que será muito marcado. Este tipo de subidas está no limite para Ganna mas quando está a subir bem é um perigo, para não falar da chegada, em grupos restritos é muito rápido.

Tobias Lund Andresen – em caso de sprint no pelotão, apostamos no dinamarquês. É neste tipo de etapas que a Decathlon tem de confiar no seu homem rápido, endurecendo a corrida para deixar para trás os puros velocistas. Nas clássicas mostrou que consegue subir bem sem perder a rápida ponta final, amanhã pode ser um dia importante.

 

Outsiders

Simone Gualdi – longe de ser um nome conhecido, o italiano chega em excelente forma e a apontar a outros voos. Mais puncheur que trepador, Gualdi está numa Lotto que procura o sucesso em etapas e, a correr em casa, estará muito motivado. Em grupos restritos é bastante rápido, basta ver que fez top 10 em etapas da Catalunha e na Eschborn-Frankfurt.



Ben Turner – excelente oportunidade para o britânico, cada vez mais rápido mas sempre mais adaptado a estes finais mais duros, basta ver que foi numa chegada assim que venceu na Vuelta. Caso tenha Ganna no apoio, etará ainda mais perto de um excelente resultado. Vemos um dos dois a ter a sua hipótese, resta saber qual.

Corbin Strong – viu a NSN trabalhar durante toda a 2ª etapa até a queda o afetar. Amanhã é uma nova chance, o neozelandês fez carreira neste tipo de etapas, sabe que precisa de uma corrida mais dura para afastar os puros velocistas da luta. Sabe que tem aqui uma oportunidade de ouro para vencer no Giro!

 

Possíveis surpresas

Paul Magnier – longe de ser um bom trepador, mas com a confiança em altas não o podemos descartar. Duas vitórias categóricas colocam Magnier noutro patamar, se sentir a oportunidade não vai desperdiçar.

Orluis Aular – no ano passado foi um dos mais consistentes neste tipo de chegadas, são a marca do campeão venezuelano. Raramente ganha, mas a sua boa colocação leva a bons resultados, algum dia a sorte estará do seu lado.

Kaden Groves – estará recuperado da queda do 1º dia? Até agora ainda não conseguiu aparecer no Giro, com o dia de descanso pelo meio deve estar melhor. A grande hipótese de vitória da Alpecin, a equipa vai estar focada no australiano que sabe que num puro sprint tem menos hipóteses, tem de se focar nestas chegadas mais duras.

Thomas Silva – conseguirá causar nova surpresa? Agora não será tão fácil, quem não conhecia o uruguaio já sabe com o que contar, um corredor muito rápido após uma corrida mais dura. Estará na luta, quer manter a camisola rosa.

Florian Stork – se Silva quer manter a rosa, Stork quer ter o seu momento de glória. O alemão até pode colocar a Tudor a trabalhar na subida, no entanto vão existir sempre sprinters a passar e terá uma tarefa difícil de, pelo menos, chegar às bonificações.



Jhonatan Narvaez – um dos muitos UAE que foi ao chão na 2ª etapa. Com tempo para recuperar, e sem parecer ter grandes consequências, o equatoriano está 100% focado em vencer etapas e esta é perfeita para si. Está a subir melhor que nunca, o Cozzo Tunno pode ajuadr a fazer a seleção na fuga, e depois tem uma ponta final rápida, ainda para mais num final em subida.

Edoardo Zambanini – etapa ideal para o italiano, alguém que passa bem a média montanha e tem uma excelente ponta final em grupos restritos. O melhor será integrar a fuga, terá mais hipóteses. Foi ao chão no 2º dia, veremos se está recuperado.

António Morgado – um dos UAE que foi ao chão mas conseguiu continuar, acreditamos que não tenha sido nada de grave. Focado noutros objetivos, é neste tipo de etapas que o Bigode Voador tem de aparecer, será um perigo em qualquer cenário.

Christian Scaroni – mesmo com Silva na liderança, o italiano pode ter a sua chance numa fuga. Após ter trabalhado para o uruguaio, vemos Scaroni a ter alguma liberdade, é um ciclista importante dentro da equipa, ainda para mais numa etapa ao seu estilo.

Fabio Christen – numa Pinarello-Q36.5 já sem sprinter, o helvético é a grande aposta para este tipo de dias. Tem subido a pulso na carreira, os resultados têm melhorado, uma grande vitória estará perto. Sabe que precisa de uma corrida mais endurecida.

Thomas Pesenti – boa etapa para o ciclista da Polti. É certo que a equipa de Alberto Contador vai estar na fuga, se for com o italiano melhor ainda, alguém que passa bem estas dificuldades e perigoso em grupos restritos.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Martin Macellusi e Markel Beloki.



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