O segundo dia de Giro d’Italia traz a primeira etapa com alguma dificuldade, num final que se espera explosivo. Teremos mudança de líder? Será António Morgado capaz de surpreender?

 

Percurso

Longa maratona de 221 kms logo ao segundo dia de competição! Os primeiros 100 kms são os mais acessíveis, praticamente planos, levam ao sprint intermédio e às primeiras duas subidas do dia, Byala Pass (7,7 kms a 4,6%) e Vratnik Pass (9,1 kms a 4,1%). Estamos a, mais ou menos, meio da etapa, o terreno torna-se mais rápida mas também complicado, com algumas curtas subidas e descidas, nada de muito duro para os ciclistas.

Tudo estará guardado para os derradeiros 16 kms! O Km Red Bull abre as hostilidades antes da subida de Lyaskovets Monastery (3,9 kms a 6,6% mas com 800 metros a quase 11% ainda na sua fase inicial) que termina a 10 kms do fim. Rápida descida até aos 2000 metros finais onde surge a derradeira dificuldade, uma colina de 800 metros a 5,3% com rampas a 9% e com a primeira parte a ser feita em paralelo. O quilómetro final em direção à meta em Veliko Tarnovo é plano.



Táticas

Logo ao segundo dia, a primeira etapa interessante deste Giro. Dia duro demais para os puros sprinters e mais acessível para os homens da geral que, mesmo assim, terão de estar muito atentos para evitar cortes na chegada e, desta forma, acabarão por estar na luta. Este ano não há muitas etapas deste género, os puncheurs têm de aproveitar as chances e, por isso, não acreditamos na fuga do dia a triunfar mas sim uma luta entre os ciclistas do pelotão.

Com tudo isto, acreditamos que Paul Magnier não sobreviva e estará, também, a liderança do Giro em jogo! Será importante perceber se alguma equipa conseguirá controlar os ataques na parte final ou se existir algum ataque tardio a resultar.

 

Favoritos

Corbin Strong – o neozelandês deverá estar a esfregar as mãos com esta etapa. Dentro dos sprinters, e Strong não pode ser considerado um sprinter, é dos que passa melhor as dificuldades, prova disso são os seus resultados recentes. Tem aqui uma oportunidade de ouro para fazer história na sua carreira, vencer no Giro seria excelente.

António Morgado – focado em trabalhar para a equipa, esta pode ser uma rara etapa onde tenha liberdade. O facto de ter sprintado para 2 segundos de bonificação hoje podem significar que tem ideias para amanhã e está forte. Este é o terreno do Bigode Voador, muito explosivo, não terá dificuldade em seguir os ataques, depois todos sabemos a qualidade da sua ponta final.

 

Outsiders

Andrea Vendrame – um puncheur com uma excelente ponta final que, por vezes, até se mete nas chegadas ao sprint, basta ver que foi 6º na Milano-Sanremo e 5º no Trofeo Laigueglia deste ano. Seria um sonho para o italiano vencer e vestir a camisola rosa, deve ter esta etapa marcada no seu livro de prova há muito tempo.



Jan Christen – o irreverente ciclista é daqueles que temos a certeza que vai atacar nos quilómetros finais, só que também sabemos que nem sempre o faz no sítio certo e fica sem forças. Se mexer na subida antes do quilómetro final será um perigo à solta, é daqueles que deixa tudo na estrada … às vezes de forma literal.

Christian Scaroni – o italiano costuma voar no Giro, esperamos mais do mesmo. Quando está em forma, é capaz de passar este tipo de subidas como poucos e também sabemos que é um ciclista muito ofensivo, foi assim que conseguiu os seus melhores resultados. Mais um italiano que procura o sonho da maglia rosa.

 

Possíveis surpresas

Jhonatan Narváez – já sabe o que é vencer relativamnte cedo no Giro, se há ciclista que pode atacar na última subida e fugir é o equatoriano, mas se esperar por um sprint também pode vencer. A UAE Team Emirates não vem só focada na geral, Narvaez terá a sua liberdade, tudo vai depender como se apresenta depois de um longo período de lesão.

Tobias Lund Andresen – em 2026 está a subir melhor que nunca, mas será que consegue aguentar os ataques? Se o conseguir tem uma oportunidade de ouro para vencer e envergar a camisola rosa.



Ben Turner/Filippo Ganna – temos a sensação que entre estes dois, um deles será protegido dentro da INEOS. Ambos sprintam muito bem, principalmente em grupos mais restritos, veremos se têm pernas para aguentar os ataques.

Paul Magnier – será praticamente impossível sobreviver. Todas as equipas sabem que têm a oportunidade de liderar uma Grande Volta e vão atacar e tentar deixar o francês para trás. Apesar de tudo, quando está em forma sobe bem e não pode ser descartado.

Edoardo Zambanini – ainda um pouco fora do radar dos principais nomes, o italiano é um ciclista muito completo e que adora este tipo de etapas. Sobe bastante bem e tem uma ponta final em grupos restritos, é capaz de surpreender.

Giulio Ciccone – entre os trepadores é, talvez, o que mais hipóteses tem devido à sua explosão e também por ter dito que não vinha pela geral. Num corrida muito atacada, será dos ciclistas mais rápido no grupo dos homens da geral.

Giulio Pellizzari – também relativamente rápido em grupos restritos e irá aproveitar a oportunidade se a corrida for muito atacada. Não terá tanta liberdade e isso não joga a seu favor.

Aleksandr Vlasov – pode funcionar como contra-ataque de Pellizzari, o russo não vai ser tão marcado e aproveitando alguma hesitação é possível escapar ao grupo dos favoritos.

Lennert van Eetvelt/Simone Gualdi – Van Eetvelt é a aposta da Lotto, o belga é talhado para este tipo de chegadas mais explosivas, veremos se está num dia sim. Já Gualdi corre em casa e pode ter alguma liberdade, aproveitando o bom momento de forma.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Filippo Zana e Orluis Aular.



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